Em mercados

"Pra que serve o economista?", desabafa o economista-chefe do Bradesco no twitter

Através de sua conta no twitter, Octávio de Barros questiona profissão em meio às "barbaridades" feitas na condução econômica; "Brasil não merce isso. Lamento", disse

Economista Bradesco - Octávio de Barros

SÃO PAULO - Que a economia brasileira não anda bem das pernas, isso já está nítido não só pelos indicadores atuais como pelsas perspectivas para o final de 2015 (Selic mais alta, inflação bem acima do teto da meta, retração do PIB, e por aí vai...). Mas a maneira como estamos lidando com essa crise para voltarmos ao progresso não tem agradado a todos os pensadores do mercado financeiro. E um dos chefes de pesquisa mais respeitados hoje em dia deixou bem claro esse descontentamento na noite da última quarta-feira (3).

Estamos falando de Octávio de Barros, Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. Através de sua conta no twitter (‏@BarrosOctavio), ele se mostrou bem descontente com o desfecho da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que decidiu elevar a Selic em mais 0,5 ponto percentual, levando-a para 13,75% ao ano, e deixando em aberto a chance de novas altas nos próximos encontros.

"Para que serve a profissão de economista? Fico me perguntando quando assisto a barbaridades como as de hoje. Brasil não merece isso. Lamento", desabafou Barros em sua conta no microblog. 

Esse foi o segundo de três "tweets" feitos após o fim do Copom. Antes deste, ele também tuitou: "Junta de experts (Bernanke,Greenspan, Draghi, Yellen e alguns prêmios Nobel) consideraria 'inacreditável' o mix atual de policies do Brasil". Por fim, ele disse: "Ao primeiro sinal de recuperação da atividade, inflação voltará. Sem enfrentar os reais problemas que geram a inércia auto-engano continuará".

Sem rodeio e "#SQN"
Apesar do seu alto cargo em um dos principais bancos do País, Octávio de Barros mostra-se bem direto em suas postagens no microblog, o que torna sua conta do twitter uma fonte muito interessante de conteúdo para investidores e economistas. Ainda na quarta-feira, ele já havia tuitado ao longo do dia que "
só há uma palavra para definir a situação econômica atual no Brasil: alarmante!!! Só não vê quem não quer ver ou acha isso bem irrelevante".

Mesmo com o tom ríspido em suas críticas, ele ainda mostra um senso de humor muito peculiar ao digitar "gírias"usadas pelos assíduos de redes sociais, como por exemplo o #SQN (sigla para "só que não", usada quando queremos contradizer tudo que foi dito antes). Podemos ver isso neste tweet: "Situação econômica tranquila: uma mera desaceleraçãozinha que BC pode aprofundar sem dramas.Vale muito a pena p/convergir expectativas #SQN".

Em seu último relatório, divulgado 29 de maio após o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro do primeiro trimestre, o Bradesco revisou sua projeção do desempenho da economia brasileira de uma retração de 1,5% para uma ainda maior, de 1,7%. Segundo a equipe do banco, apesar do resultado dos três primeiros meses de 2015 ter sido melhor que o esperado, a revisão negativa se deu por conta dos números do setor de serviços.

 

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