Teleconferência de resultados

Neoenergia (NEOE3) não tem interesse na distribuição em Goiás e reavalia leilão de transmissão

Papéis da companhia tiveram um bom desempenho na sessão pós-balanço, fechando com alta de 6% na esteira dos resultados

Por  Augusto Diniz -

As ações da Neoenergia (NEOE3) registraram um bom desempenho após o resultado do primeiro trimestre de 2022 (1T22), fechando com avanço de 6,04%, a R$ 18,25, na sessão desta quarta-feira (27). Os analistas destacaram fortes números, liderados por resultados térmicos e controle de custos.

A empresa de energia lucrou de forma líquida R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2022, número 20% maior do que os R$ 980 milhões registrados em igual período do ano passado. Em parte, a alta do lucro líquido acompanha a alta da receita líquida, em alta de 15%, chegando a R$ 9,5 bilhões.

Os resultados regulatórios superaram as estimativas do Credit Suisse, beneficiando-se de reajustes tarifários, consolidação de novos ativos (Brasília distribuidora, complexo eólico Chafariz e linhas de transmissão) e bom desempenho de custos, enquanto os números da geração de energia também vieram em melhores do que o previsto, principalmente devido a resultados de térmicas mais fortes (ajuste tarifário e menores custos de compra de energia).

As perspectivas para a companhia, assim como possíveis operações de fusão e aquisição, foram destaque na teleconferência de resultados da companhia com analistas de mercado.

A notícia de que Enel Goiás, distribuidora de energia no Estado, estaria à venda, fez com que analistas de mercado questionassem o interesse no negócio.

O motivo é de possível sinergia: a Neoenergia venceu o leilão de concessão da CEB Distribuição, a Companhia Energética de Brasília, em dezembro de 2020, e passou a operar a distribuidora em março do ano passado – portanto, os negócios teriam chance de ganho do escala pela geografia próxima.

Mas o CEO da Neoenergia, Mario Ruiz-Tagle, durante a apresentação dos resultados, descartou a opção. “Sobre ativo de Goiás, a Neoenergia não está participando da análise do ativo. Estamos concentrando no turn around em Brasília e melhora da performance das outras quatro distribuidoras”, disse.

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Reavaliação da participação em leilão de transmissão

A Neoenergia também mostrou cautela na teleconferência sobre a participação no próximo leilão de transmissão programado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para 30 de junho.

“A gente tá avaliando as oportunidades. Estamos analisando o cenário macroeconômico e também do ponto de vista dos preços de commodities, que influenciam nos investimentos de transmissão, assim como também da cadeia de fornecimento”, informou o CEO.

Segundo o executivo, o lockdown na China é um fator de dificuldade na cadeia de suprimentos, onde diversos produtos tem origem. “O mundo está vivendo uma situação distinta, pressão inflacionária, que faz reavaliar (a política de investimentos)”, ressaltou.

A companhia também ressaltou que está avançando com a venda de sua participação de 10% na Norte Energia, concessionária da usina hidrelétrica Belo Monte, e vê “alguns interessados” no processo.

Empresa destaca “fortes chuvas” como desafio do 1T22

Na abertura de apresentação Ruiz-Tagle ressaltou ainda que “2022 começou com desafio por causa da baixa temperatura e fortes chuvas nos primeiros meses do ano”.

A energia injetada de 19.478 GWh (gigawatt-hora) no 1T22 foi 1,45% menor  em relação ao 1T21, devido a menores temperaturas e maiores chuvas, sobretudo em janeiro.

A energia distribuída alcançou 16.827 GWh no 1T22 (-1,3% em relação a 1T21). A classe rural apresentou redução de 21,8% em relação ao mesmo período de 2021, em função do maior volume de chuvas nas áreas de concessão das distribuidoras da empresa, quando comparado com igual período do ano anterior, o que gerou uma menor demanda de irrigação.

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