Novo capítulo para a Neoenergia (NEOE3)? Analistas citam pontos positivos da parceria bilionária com fundo GIC em transmissão

Analistas do Credit comentam que a cifra de R$ 1,2 bilhão pelos ativos foi melhor do que as estimativas de valor justo para esses ativos

Felipe Moreira

Usina solar em Pernambuco da Neoenergia
Usina solar em Pernambuco da Neoenergia

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Duas notícias impulsionaram as ações da Neoenergia (NEOE3) na sessão. Os ativos NEO3 subiram 3,56%, a R$ 15,99, em um pregão negativo para o Ibovespa.

A empresa de energia reportou lucro líquido de R$ 1,215 bilhão no primeiro trimestre de 2023 (1T23), montante 0,25% superior ao reportado no mesmo intervalo de 2022.

Mas, roubando a cena da temporada de resultados, a companhia anunciou o fechamento de um acordo com o fundo soberano de Cingapura GIC para vender 50% de oito ativos de transmissão que estão em operação, por de cerca de R$ 1,2 bilhão.

O negócio inclui os empreendimentos de Jalapão, Santa Luzia, Dourados, Atibaia, Biguaçu, Sobral, Narandiba e Rio Formoso, assim como um acordo de desenvolvimento para participação conjunta em leilões futuros.

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Olhando para o balanço, os resultados regulatórios foram positivos e superaram as estimativas do consenso e do Credit Suisse, “beneficiando-se de reajustes tarifários, bom desempenho de custos e entrada em operação de novos ativos, apesar dos números mais fracos da geradoras de energia principalmente nas unidades hidrelétricas”.

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Com relação a venda de ativos de transmissão, os analistas do Credit comentam que a cifra de R$ 1,2 bilhão pelos ativos foi melhor do que as estimativas de valor justo para esses ativos. O acordo também inclui o ROFO para Warrington nos ativos da TransCo em construção e possibilidade de participação conjunta nos próximos leilões, também com 50% de participação. Com esta transação, a Neonergia pode reduzir sua alavancagem em 0,14 vez e traz um parceiro estratégico para crescimento futuro no segmento de transmissão.

Embora esperada pelo mercado, a venda de ativos foi um movimento positivo, na avaliação do Itaú BBA. Em termos de múltiplos, a transação está ocorrendo a 11 vezes o valor da firma sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EV/Ebitda), enquanto a companhia é negociada a 5,3 vezes de acordo com o consenso da Bloomberg.

Na mesma linha que o Credit Suisse, o Bradesco BBI destaca que a operação reduzirá a alavancagem (dívida líquida/Ebitda) da Neoenergia de 3,15 vez para 3 vezes, “um patamar bem mais confortável dado o cenário de juros altos”.

Já o JPMorgan comenta que o preço pago pelos ativos de transmissão vieram em linha com suas projeções, visto que a negociação já havia sido antecipada pela imprensa e pela própria Neoenergia, que buscou três objetivos principais com a venda:

Primeiro, a venda de 50% da participação significa que os ativos e passivos serão desconsolidados, levando a uma ligeira redução na relação Dívida Líquida/Ebitda, que fechou o 1T23 em 3,06 vezes. Isso, segundo JPMorgan, permite à Neonergia explorar outras oportunidades de greenfield em futuros leilões de transmissão para reciclar o capital.

Em segundo lugar, o JPMorgan estima que o comprador esteja garantindo uma taxa interna de retorno (TIR) real de patrimônio líquido de 7,2% com essa aquisição, o que parece razoável para transações de brownfield de transmissão.

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Em terceiro lugar, “ao trazer um parceiro financeiro estratégico que confirma o valor das linhas de transmissão e se associa em futuras licitações de transmissão, a elétrica tenta tranquilizar o mercado de que todas as ofertas devem superar a taxa de atratividade do IPCA + 10%  para novos projetos de transmissão greenfield”, explicam os analistas do JPMorgan, em relatório em que cita um “novo capítulo” para a companhia.

O banco americano também projetou que o mercado reagiria positivamente a essa notícia e reiterou recomendação de compra para a ação. O Credit Suisse mantém avaliação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 19,90, o que representa um potencial de valorização de 28,9% frente a cotação de fechamento de terça-feira (25) de R$ 15,44. Por outro lado, o BBI mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 20.

Em teleconferência, o CEO da elétrica, Eduardo Capelastegui, afirmou que a parceria fechada com o fundo soberano de Cingapura GIC em transmissão de energia vai permitir à Neoenergia um reforço importante em sua estrutura de capital, com redução de R$ 3 bilhões em sua dívida líquida consolidada.

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Capelastegui afirmou que o negócio é interessante do ponto de vista estratégico e proporciona uma desalavancagem do grupo, em meio a um cenário de juros “desafiador”.

A projeção de redução de R$ 3 bilhões em dívida líquida neste ano inclui a desconsolidação de ativos operacionais do balanço e a entrada de caixa de R$ 1,2 bilhão com a operação, explicou a companhia, estimando ainda uma diminuição adicional no endividamento até 2025 com a possibilidade de venda de ativos hoje em desenvolvimento.

O CEO da Neoenergia explicou ainda que a parceria com o GIC em oportunidades futuras deve ocorrer já no leilão de transmissão marcado para junho, que vai oferecer ao mercado nove lotes, envolvendo um total de 6,1 mil quilômetros de novas linhas e investimentos de 15,8 bilhões de reais.

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Caso os sócios vençam lotes nos leilões, a Neoenergia terá 60% de participação no ativo durante sua fase de construção. Após a finalização e entrada em operação, os ativos serão transferidos para a holding de transmissão que será criada em conjunto com o GIC. O fundo “comprará” participações nessa fase, de modo que as parcerias terão ao final 50%-50% de todos os ativos operacionais.

(com Reuters)