MRV (MRVE3) segue como ação mais alugada da Bolsa brasileira; CVC (CVCB3) está em 2º lugar

Posições vendidas de ações na B3 aumentaram nos últimos 15 dias; nesse tipo de operação, o investidor aposta na desvalorização do ativo

Vitor Azevedo

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As ações ordinárias da MRV (MRVE3) continuam sendo as mais vendidas a descoberto da Bolsa brasileira segundo o XP Short Scout publicado nesta terça-feira (27).

Apesar da manutenção do primeiro lugar, de maneira geral, o top cinco teve algumas mudanças consideráveis – a CVC (CVCB3), que no começo do mês não estava nem entre as dez mais vendidas, agora ocupa o segundo lugar entre as ações mais vendidas, após ver sua taxa de short interest (SI) saltar 6,2 pontos percentuais nos últimos 15 dias, sendo a maior variação do intervalo.

A M. Dias Branco (MDIA3), que no último levantamento estava em quarto lugar, subiu para terceiro, enquanto a 3R Petroleum (RRRP3), que estava no terceiro, foi parar no quinto. A Cyrela (CYRE3), antigo segundo lugar, foi para o quarto.

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Confira a lista das dez ações mais shorts interests da Bolsa em dia 23/09:

MRVE3 19,50%
CVCB3 17,80%
MDIA3 15,50%
CYRE3 14,40%
RRRP3 13,70%
EZTC3 12,80%
TRIS3 12,70%
MOVI3 12,30%
ESPA3 12%
MRFG3 11,90%

Ações alugadas avançam na bolsa

De forma geral, os shorts interests subiram desde o último levantamento, publicado no dia nove deste mês. O da MRV, por exemplo, saltou de 16,1% para 119,5%. O da M. Dias Branco, de 13,6% para 15,5%.

“Nove dos catorze setores monitorados tiveram aumento no short interest desde a última atualização. Consequentemente, o SI médio do Ibovespa também subiu 0,5 ponto percentual, para 4,0%”, explicam os analistas da corretora.

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O que possivelmente explica o aumento das posições vendidas no Ibovespa e na Bolsa brasileira é o crescente pessimismo com a economia global, que vem pressionando também os ativos de risco locais.

O clima se instalou, principalmente, após a publicação do índice de preços ao consumidor americano (CPI, na sigla em inglês) de agosto, no dia 13 deste mês, que veio acima do esperado.

“Construção civil e educação ainda são os dois setores mais procurados pelos investidores para montar posições vendidas, enquanto bancos e instituições financeiras tiveram o seu SI caindo um ponto percentual”, acrescentam os especialistas da corretora.

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Desde a divulgação da inflação americana, que foi seguida de uma série de falas de autoridades monetárias, as curvas de juros mundo afora vem subindo, pressionando também a brasileira. Setores como o de construção civil e educação são muito dependentes do acesso a crédito.

No setor de construção civil, destaque para o crescimento do short interest da BR Malls (BRML3), que subiu 2,8 pontos percentuais, para 6,6%. No de educação,  SI da Cogna ganhou 0,8 ponto, indo a 10,8%.

Mineração e siderurgia

Outro setor que foi impactado, possivelmente por motivos parecidos, foi o de siderurgia e mineração. Além do temor por conta da alta dos juros mundial, que deve pressionar o crescimento das nações, as incertezas quanto à economia da China também vem derrubando os papéis.

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“Vale (VALE3) teve um forte aumento de 1,9 p.p. no short interest, chegando a 3,9% na semana terminada em 23 de setembro. Com esse movimento, o SI do setor de Mineração e Siderurgia subiu 1,5 p.p. no período”, expõem os analistas da XP.

O setor de small caps, companhias também muito ligadas à variação dos juros (por conta da alavancagem e perspectiva de crescimento impostas nos valuations), viu seu short interest saltar de 5,7% para 5,8%. O de varejo ficou estável em 5,5%.

Do outro lado, bancos e instituições financeiras tendem a se beneficiar das taxas de juros mais altas – o Banco do Brasil teve seu SI caindo 2,2 pontos, para 4,6%, e o Banco Pan, 1,1 ponto, para 4,6%.

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O IRB, por fim, foi destaque entre os recuos de posições vendidas em instituições financeiras, com o SI caindo 7,2 pontos, para 5,5%.