Cashback

Méliuz (CASH3): Foco de companhia de cashback agora é aumentar receita por usuário 

Com número de usuários crescendo consideravelmente, foco agora passa a ser aumentar lucrativade

Por  Vitor Azevedo -

Em meio ao debate sobre rentabilidade e crescimento para o Méliuz (CASH3), em teleconferência na manhã desta terça-feira (10), os executivos da companhia afirmaram que, para os próximos trimestres, a companhia passará a focar no aumento da receita por cliente.

Israel Salmen, diretor executivo (CEO, na sigla em inglês) da companhia de cashback, afirmou que a ideia é “pescar dentro do próprio aquário”, agora que a userbase da Méliuz chegou a 23,6 milhões de contas – alta de 44% no ano e número 1,2 milhão maior do que os registrados no fim de dezembro.

A ideia principal é levar os clientes a utilizarem os outros serviços oferecidos pela companhia em sua plataforma, para além do cashback. A empresa oferece já, por exemplo, o serviço de conta digital, a disponibilização de cartões (crédito, débito e pré-pago) e também a compra e venda de criptoativos.

Com isso, o Méliuz espera ainda gastar menos com marketing e despesas comerciais – gastos que já recuaram no primeiro trimestre, destacam os executivos, saindo de 76,9% da receita líquida para 72,6%.

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“Esperamos gastar menos nessas frentes, mas sem perder a eficiência”, afirmou Salmen. “Além disso, é prioridade manter o nível de caixa saudável, preservando liquidez”, aumentando a eficiência em marketing e reduzindo o número de contratações”.

Como forma de alavancar a experiência do usuário, o CEO da Méliuz destacou ainda o fim do rollout do novo aplicativo para Android – e o anúncio, em breve, da mesma coisa para o iOS.

“Chegamos ao fim do primeiro trimestre com um app seguro, fluido, fácil de usar e que, ao integrar o universo de shopping ao de serviços financeiros, efetivamente ajuda nossos usuários a realizarem seus desejos na jornada de compras”, afirmou o CEO. “Começamos um novo ciclo em que vamos começar a colher os frutos de tudo aquilo que plantamos ao longo do último ano, aumentando o engajamento dos nossos 23 milhões de usuários com a oferta de novos serviços e uma experiência fluida e inovadora.”

Bradesco BBI vê justamente rentabilidade como desafio para Méliuz

Se a Méliuz pretende aumentar sua receita por usuário, o Bradesco BBI aponta esse problema, justamente, como um dos maiores desafios da companhia.

“Acreditamos que o mercado deve considerar os resultados marginalmente negativos, uma vez que a rentabilidade ainda está para ser vista nos próximos trimestres, enquanto ainda existem vários desafios de execução a serem superados”, dizem os analistas do banco em relatório que avalia o balanço trimestral.

O outro ponto negativo que o banco destacou também foi mencionado pelos executivos da companhia na teleconferência: os maiores gastos com pessoal, resultado em mais despesas operacionais, que explica parcialmente o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) negativo em R$ 17 milhões.

O Itaú BBA e a XP Investimentos, do outro lado, viram os números da empresa de forma mais neutra.

O banco destaca, no lado positivo, o crescimento do Volume Bruto de Mercadoria (GMV, na sigla em inglês), que subiu 60% na base anual, bem como o avanço dos usuários. Do lado negativo, o BBA aponta para a queda da receita dos serviços financeiros, com o fim da parceria de cartões co-branded.

A corretora, por sua vez, avaliou os resultados da Méliuz como “ligeiramente positivos”, destacando o crescimento robusto das operações que se deu de forma simultânea aos menores gastos operacionais.

O Bradesco BBI tem, apesar de ver os resultados como levemente negativos, recomendação outperform para as ações ordinárias da Méliuz, com preço-alvo de R$ 3,90 (upside de 142% em relação ao fechamento de ontem), bem como o Itaú BBA, com preço-alvo de 10,70 (upside de 565%). A XP também tem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 8 (upside de 397%).

Às 13h55 (horário de Brasília), as ações tinham leve queda de 0,62%, a R$ 1,60.

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