Movimentações no varejo

Lojas Americanas compra dona da Imaginarium e Puket

Grupo Uni.co possui 440 franquias; valor da operação não foi revelado

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Imaginarium no Shopping Litoral Plaza, em Praia Grande (SP)
(Reprodução/Facebook Imaginarium)

SÃO PAULO – As Lojas Americanas (LAME4) anunciaram, nesta terça-feira (20), a compra de 70% das ações do Grupo Uni.co, dono das marcas Puket, Imaginarium, MinD e Lovebrands. A aquisição foi feita por meio da subsidiária IF Capital e prevê a compra da fatia restante da companhia 30% em um prazo de três anos. O valor da operação não foi revelado.

Com a aquisição, o objetivo das Lojas Americanas é aumentar a presença em segmentos de maior frequência de compras, como moda, acessórios, presentes e design.

O Grupo Uni.co atua no varejo físico e virtual por meio de uma estratégia omnichannel, de integração de canais físicos e digitais. Atualmente, são 440 franquias das marcas da empresa, que são especializadas no segmento de fun design, que engloba itens de decoração e vestuário com design criativo.

As duas principais marcas do grupo são a Puket, que atua no segmento de moda infantil e adulto, e a Imaginarium, voltada para o mercado de presentes e itens de design criativo. O Grupo Uni.co conta ainda com a MinD, especializada em decoração, e a Lovebrands, que é uma franquia multimarcas.

A Uni.co chegou a dar início ao processo de oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no ano passado, mas a operação foi suspensa devido às condições de mercado. Com base nos documentos divulgados à época, a receita líquida da empresa em 2019 foi de R$ 270 milhões.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Lojas Americanas informou que a aquisição é mais um movimento da empresa na expansão de sua plataforma de varejo especializado em franquias e marcas próprias. “Somando-se à operação recentemente anunciada da criação da joint-venture com a BR Distribuidora para a exploração do negócio de lojas de conveniência”, diz o comunicado.

A operação está sujeita à aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Movimentações no varejo

As últimas semanas têm sido movimentadas no setor de varejo. No último dia 7, a Cia. Hering (HGTX3informou ao mercado ter recusado a proposta feita pela Arezzo (ARZZ3) para a combinação das operações entre as duas companhias.

Poucos dias depois, as Lojas Renner (LREN3) confirmaram, nesta segunda-feira (19), a realização de uma oferta de ações para levantar R$ 6,5 bilhões com o objetivo de comprar uma empresa do setor varejista. Na sexta-feira (16), quando os primeiros rumores surgiram, ações da C&A (CEAB3), Lojas Marisa (AMAR3) e Hering (HGTX3)subiram ao serem vistas como as principais candidatas. Mas, nesta terça-feira (20), um outro player apareceu como o principal alvo: o e-commerce de moda Dafiti.

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Analistas afirmam que o movimento recente de consolidação do setor varejista é fruto da segunda onda da pandemia, que trouxe novas restrições e prejudicou mais uma vez o consumo no país, principalmente de itens não essenciais.

Empresas maiores e com melhor saúde financeira aproveitam o momento para comprar negócios menores com desconto, já que muitos deles passam por dificuldades diante dos efeitos da crise gerada pela Covid-19. Em muitos casos, a única saída para não fechar as portas é se fundir a outro negócio.

Em reportagem anteriormente publicada pelo InfoMoney, Gilberto Nagai, head de renda variável da BNP Paribas Asset Management, afirmou que as empresas de capital aberto brasileiras, de forma geral, estão capitalizadas, diante da recuperação da economia global e das injeções de estímulos dos governos, que propiciaram bons resultados, sobretudo no fim de 2020. “Essas empresas não só sofrem menos que o PIB, mas veem oportunidade para se consolidar. Como sempre nessas crises há uma diferença grande entre as empresas listadas em Bolsa, que são mais consolidadas, e a economia no geral.”

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