Varejistas e tech

Locaweb (LWSA3), Magazine Luiza (MGLU3) e Americanas (AMER3) fecham com salto de até 12% e lideram altas do Ibovespa; entenda

Companhias de tecnologia e do varejo se beneficiam de baixa dos juros e do dólar

Por  Equipe InfoMoney -

Ações de companhias de tecnologia e do varejo foram destaque no pregão desta quarta-feira (19), figurando entre as principais altas percentuais do índice.  Locaweb (LWSA3), Magazine Luiza (MGLU3) e Americanas (AMER3) tiveram ganhos respectivos de 12,65% (R$ 8,64), 7,13% (R$ 6,31) e 9,90% (R$ 33,20).

As altas, porém, ainda não apagam as fortes quedas que essas companhias no ano. A Locaweb, por exemplo, apesar de hoje, ainda acumula queda de 32% nos pregões de 2022. E não necessariamente há uma sinalização de mudança de cenário para essas empresas.

“As altas de hoje ainda não configuram alteração na tendência. Ainda estamos em um ambiente complicado para essas empresas, que devem continuar a ter com volatilidade alta”, explica Henrique Esteter, especialista de mercados do InfoMoney.

Recentemente, por exemplo, o Goldman Sachs revisou seu preço-alvo para todas as varejistas, afirmando que o consumidor brasileiro tem sofrido uma pressão notável nos últimos seis meses – com aceleração da inflação, combinada com a redução e eventual eliminação do auxílio emergencial, além de uma alta taxa de desemprego.

Esteter lembra também que essas empresas vêm em uma sequência negativa mundo afora. Em primeiro lugar, as brasileiras sofreram com a elevação da preocupação fiscal no Brasil, somado as questões inflacionárias, desde o meio do ano passado. Além disso, lá fora, essas empresas também registraram uma sequência de baixas, com a ata do Fomc.

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“O mercado começou a precificar quatro altas de juros nos Estados Unidos, algo impensável até pouco atrás. As perspectivas mudaram muito. Antes era esperado que a alta de juros nos EUA começaria apenas em 2023. Vimos o treasuries de dez anos superar o patamar de 1,80%, maior nível em 10 anos”, comenta o especialista.

Resgates de fundos pesam sobre papéis

Além disso, pesou também os resgates dos fundos – o Banco Inter, que também foi uma das maiores altas desta quarta, subindo 8,70% (R$ 22,50), foi alvo de vendas do “Monstro do Leblon”, por exemplo. O fundo Ponta Sul diminuiu sua participação no banco e despejou mais de R$ 1 bilhão em ações da instituição no mercado.

“Todo esse contexto de pressão, que resultou em resgates, fizeram que os papéis se desvalorizarem. Agora a pressão se alivia um pouco e a bolsa começa a subir, o que abre espaço para que essas companhias comecem a avançar”, explica Esteter.

Juros e melhora do cenário trazem alívio

Nesta quarta, curva de juros brasileira dá um alívio aos papéis de empresas de tecnologia e do varejo. Os contratos DI caíram em bloco, com o com vencimento em janeiro de 2023, na ponta curta, por exemplo, recuando sete pontos-base, para 12,02%, e os para janeiro de 2029, na longa, recuando 20 pontos, para 11,35%.

“Para esses dois grupos, o fator de impacto é parecido. Normalmente são empresas com ritmo de crescimento alto e quando projetamos um modelo de valuation, boa parte dele é estipulado pensando no futuro”, explica Esteter. “Quando há um aumento da taxa de juros, há um aumento da chamada taxa de desconto”, fala o especialista.

Os juros nos Estados Unidos viraram para queda após avançarem mais cedo, enquanto no Brasil o movimento também é de baixa. Os DIs têm forte queda nesta quarta, após altas recentes e também com as sinalizações do presidenciável e ex-presidente Lula. Ele comentou em coletiva de imprensa que não vê problemas em fazer aliança com Geraldo Alckmin para derrotar Jair Bolsonaro.

Analistas afirmaram que a declaração foi vista pelo mercado como sinalização de responsabilidade fiscal em um eventual governo petista.

Além disso, o recuo do dólar, com o comercial fechando em queda de 1,68%, a R$ 5,46, afrouxa as preocupações com a inflação, minimizando até mesmo as altas do preço do petróleo, que deve fazer pressão sobre os preços dos combustíveis.

“Em dia de sentimentos mais amenos na perspectiva de alta de juros no Brasil e nos Estados Unidos, esses setores tendem a se valorizar. Esse porém, não parece que será o cenário para o ano”, comenta Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

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