Latam Airlines mantém cautela com Brasil, apesar de visão mais otimista para 2023

Executivos da companhia querem ampliar atuação da aérea nos mercados onde a Latam já opera
(Foto: Divulgação Latam Cargo)
(Foto: Divulgação Latam Cargo)

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Na teleconferência sobre os resultados da Latam no quarto trimestre de 2022, executivos da companhia disseram manter cautela sobre Brasil, apesar de terem uma visão otimista para 2023. A afirmação foi feita pelo CEO da companhia aérea, Roberto Alvo, em resposta a um analista que perguntou sobre o ambiente mais competitivo no Brasil, depois de Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) sinalizarem que estão conseguindo reestruturar suas dívidas.

“Nossa visão sobre o mercado brasileiro é otimista em termos de tráfego, mas nos mantemos cautelosos por entendermos que será um ano volátil”, afirmou Alvo. “Não apenas em termos de situação econômica e câmbio, mas pelo preço dos combustíveis, por conta da guerra Na Ucrânia”.

O executivo também avaliou que o mercado doméstico e internacional brasileiro foram saudáveis no quarto trimestre de 2022. Mas lembra que ainda há gargalos na emissão de vistos para os brasileiros que vão para os Estados Unidos, o que tem impactado de forma significativa essa rota.

Ramiro Alfonsín, CFO, diz que o foco da empresa no curto prazo é garantir recuperação da capacidade que a Latam tinha até 2019. “De imediato, nosso foco é nos cinco mercados domésticos onde temos operações enquanto desenvolvemos nossa rede internacional”, disse ele.

A Latam vê posição forte da Colômbia em particular nesse processo. No mês passado, a Viva Air, que possuía 20% do mercado colombiano, encerrou as operações. A Latam quer abocanhar uma fatia dessa lacuna deixada pela concorrente.

“Vimos como uma oportunidade pra aumentar competitividade para passageiros domésticos e internacionais”, afirmou Alfonsín. Este mês a companhia levou cinco aeronaves para a Colômbia, com duas já em operação, e outras três previstas para operar até o final deste mês.

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Os executivos disseram estar cientes dos problemas que os fornecedores de aeronave estão enfrentando para cumprir com suas entregas. Mas afirmaram estar confiantes de que o crescimento previsto no guidance da companhia para 2023 deve ser alcançado com as aeronaves que a companhia já possui e aquelas que receberá em breve.

“Das coisas que nos preocupam, basicamente a situação no Peru, que impactou na demanda doméstica do país como do tráfego dos Estados Unidos e México para o Peru”, disso o CFO. A onda de protestos violentos no país impactou o tráfego nos dois primeiros meses do ano, mas em março houve recuperação.

A Latam espera ter um primeiro trimestre de 2023 sólido em termos de receitas.

“Em março vimos níveis saudáveis de demanda na maioria dos segmentos, em praticamente todas as regiões e países onde operamos”,  disse Alvo. “O tráfego corporativo se recuperou em quase 90%”.

Os executivos disseram estar confiantes com o atual momento e as tarifas que estão sendo praticadas, mas que acompanham com a atenção o desenrolar das economias onde atuam.

Em outubro do mês passado, a joint venture da Latam com a Delta Airlines recebeu a última aprovação de órgãos antitruste. “Significa que, daquele momento em diante, consideramos a joint venture efetiva”, afirmou o CEO. Alvo disse que a companhia está se empenhando alinhar as equipes, para trabalharem juntas.

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“Estou muito otimista com o desenvolvimento dessa parceria”, afirmou Alvo.  A joint venture já lançou duas rotas. “Estamos trabalhando do duro na possibilidade compartilhar capacidade, precificação, há muitas oportunidades.  Os nossos clientes vão poder se beneficiar dos 300 destinos que a Delta tem na América do Norte”, afirmou Alfonsín.

Ainda na teleconferência, os executivos também disseram que a empresa segue com a intenção de voltar a listar ADRs (certificado de ações) na Bolsa de Nova York.

“Estamos avaliando qual seria o momento certo para isso, dependendo de diferentes tipos de fatores. Informaremos sobre qualquer novidade a respeito disso”, afirmou Tori Creighton, head de relações com investidores.

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Aérea apresentou lucro no 4T22

A Latam Airlines obteve lucro líquido de US$ 2,5 bilhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), ante perda de US$ 2,8 bilhões de um ano antes.

“O resultado é explicado pelos ganhos na renegociação de suas contas a pagar e passivos circulantes, e pelo ‘desreconhecimento’ de ativos de direito de uso, durante o quarto trimestre após a saída do grupo de seus processos do Chapter 11 [recuperação judicial]”, explica a companhia aérea.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou US$ 520 milhões de outubro a dezembro de 2022, um aumento de 8% na comparação com o quarto trimestre de 2021.

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De outubro a dezembro do ano passado, a receita líquida total do grupo atingiu US$ 2,7 bilhões, um avanço de 37% em relação ao mesmo período do ano passado.

No final de 2022, a dívida financeira da Latam ascendeu a US$ 4,2 bilhões, enquanto a dívida bruta (dívida financeira e obrigações de arrendamento) foi de US$ 6,5 bilhões. Como resultado, a partir de 31 de dezembro de 2022, a Latam reduziu sua dívida bruta em aproximadamente US$ 3,9 bilhões em relação ao valor pré-recuperação, o que representa uma queda de 37,5%.

Mitchel Diniz

Repórter de Mercados