Perspectivas

IPCA-15, decisão do Fed, balanços de Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e Ambev (ABEV3): o que acompanhar na semana

Tudo o que o investidor precisa saber antes de operar na semana

Por  Lara Rizério -

A última semana de julho é movimentada para os mercados, com destaque para a temporada de balanços se intensificando no período, além de dados de inflação e importantes decisões de política monetária.

No Brasil, o grande destaque fica para o IPCA-15 de julho, que será divulgado na terça-feira (26). O Morgan Stanley espera alta de 0,18% na comparação com junho, com a alta em 12 meses indo para 11,44%.

Já a projeção do Itaú é de um aumento mensal de 0,19%, levando a taxa anual a 11,46% (de 12,04% em junho).

“Esta leitura já deve mostrar algum efeito das reduções de impostos sobre combustíveis, telecomunicações e energia elétrica, com impacto deflacionário para os consumidores, embora não totalmente, já que a janela de coleta do IPCA-15 começa na metade do mês anterior, antes da implementação dessas medidas (o IPCA cheio de julho, incorporando uma maior parte do efeito, deve registrar deflação de 0,67%)”, aponta o banco.

O Morgan reforça que as recentes medidas fiscais aprovadas pelo Congresso visaram trazer alívio de curto prazo sobre a inflação, mas foram seguidas por um aumento nas expectativas de inflação de longo prazo para 2023 e 2024 – ambas já acima da meta -, uma vez que parte das medidas são temporárias, com duração até o final do ano.

Outro dado de inflação que será conhecido na próxima semana será o IGP-M de julho, na quinta feira (28), com projeção do Itaú de um aumento mensal de 0,35%, levando a taxa anual a 10,2%, de 10,7% em junho.

Sobre a atividade econômica, os destaques serão os dados de junho relativos à criação formal de empregos (CAGED), na quinta-feira, e a taxa de desemprego (PNADC), na sexta-feira (29).

“Após dois meses com leituras positivas para o mercado de trabalho, esperamos que a taxa de desemprego dessazonalizada
recue de 9,5% para 9,4%”, projeta o Itaú.

Ao longo da semana, o Banco Central divulgará parte das notas econômico financeiras, começando com os dados de março do balanço de pagamentos, na segunda (25), dados de crédito de março e abril na quarta (27), e a nota de política fiscal, com resultados até maio, na sexta.

Na quinta-feira será divulgado o resultado primário do governo central de junho, para o qual o Itaú projeta superávit de R$ 14,5 bilhões. No dia seguinte, serão divulgados os números do saldo primário consolidado, ainda de maio (já que o banco central normaliza gradualmente a agenda de publicações após o fim da greve dos servidores), para o qual projeta déficit de R$ 34,3 bilhões.

Na política, a agenda da próxima semana tende a permanecer bastante vazia, devido ao recesso legislativo em curso no meio do ano. Fora isso, é importante acompanhar as pesquisas eleitorais que serão divulgadas durante a semana e a agenda de convenções partidárias com a oficialização das candidaturas.

Do lado internacional, o destaque é a reunião de política monetária do Federal Reserve, na quarta.

A projeção das equipes de análise econômica do Bank of America, Itaú e Bradesco são de uma alta de 0,75 ponto percentual, mesma magnitude da elevação em junho, colocando os juros no patamar entre 2,25% e 2,5%.

A expectativa fica ainda para a fala de Jerome Powell, chairman do Fed, após a decisão. “Esperamos que Powell repita mensagens semelhantes da reunião do Fomc de junho. Ou seja, que a inflação está muito alta, o Fed está comprometido em restaurar a estabilidade de preços e pode ser necessário algum esforço para reduzir a inflação”, avalia o BofA.

Olhando para frente, a projeção do BofA é de um outro aumento de 0,5 ponto em setembro e dois aumentos adicionais de 0,25 ponto até o final do ano, o que traria a taxa para o intervalo entre 3,25%-3,50%.

Além disso, na quinta-feira, a prévia do PIB dos EUA do segundo trimestre será divulgada. A projeção do Bradesco é de uma leve alta de 0,4% na comparação trimestral.

O noticiário corporativo também é agitado, com atenção para os resultados de techs em Wall Street, com a divulgação dos números da Alphabet, dona do Google, na terça-feira, da Microsoft e da Meta na quarta, da Apple na quinta e da Amazon na sexta-feira.

Já na Europa, a prévia da inflação de julho será publicada na sexta-feira, junto com a primeira leitura do PIB do segundo trimestre na zona do euro e na Alemanha. Por fim, na China, as sondagens de manufatura e não-manufatura para julho serão divulgadas também na sexta.

Semana corporativa é movimentada na B3

A temporada de balanços também ganha força na B3, com a divulgação dos números de blue chips, como Petrobras (PETR3;PETR4) e Vale (VALE3, que trouxeram algumas indicações do que esperar para seus números após a divulgação dos dados de produção do segundo trimestre, além de Ambev (ABEV3).

Varejistas de alimentos, além do setor de papel de celulose, também divulgarão seus números para o período. Já a temporada de resultados dos “bancões” têm início com os números do Santander Brasil (SANB11). Confira as datas abaixo:

  • 26 de julho: Carrefour Brasil (CRFB3), Vivo (VIVT3) e Neoenergia (NEOE3) após o fechamento do mercado
  • 27 de julho: Klabin (KLBN11) antes da abertura; Assaí (ASAI3), Dexco (DXCO3), Energias do Brasil (ENBR3), Intelbras (INTB3), OdontoPrev (ODPV3), Log (LOGG3), Suzano (SUZB3) e GPA (PCAR3) após o fechamento do mercado.
  • 28 de julho: Ambev (ABEV3) , Santander Brasil (SANB11) e Gol (GOLL4) antes da abertura; Vale (VALE3), Petrobras (PETR4), Ecorodovias (ECOR3), Hypera (HYPE3), Transmissão Paulista (TRPL4), Multiplan (MULT3), Paranapanema (PMAM3), Vamos (VAMO3) e Vulcabras (VULC3) após o fechamento.
  • 29 de julho: Usiminas (USIM5) antes da abertura, Irani (RANI3) e RD (RADL3) após o fechamento.

Além da temporada de resultados, o setor de energia elétrica contará com outro evento. A geradora hidrelétrica CEEE-G (RS) vai à leilão no dia 29 de julho. Os ativos principais incluem 15 usinas hidrelétricas com limite total instalado/firme de
aproximadamente 920MW(megawatt)/400MW.

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