Índices de NY e Europa sobem após Fed e à espera do BCE; vendas no varejo americano e no Brasil, repercussão do Copom e mais

Juntamente com a decisão de manter os juros, os membros do Fed previram pelo menos três cortes nas taxas de juros em 2024

Felipe Moreira

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Os índices futuros dos EUA e bolsas da Europa operam em alta nesta quinta-feira (14), com investidores repercutindo a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros pela 3ª reunião seguida e a sinalização de cortes para o próximo ano.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manteve na véspera as taxas de juros num intervalo entre 5,25% e 5,5%, em linha com as expectativas de Wall Street. Juntamente com a decisão de permanecer em espera, os membros do colegiado previram pelo menos três cortes nas taxas de juros em 2024.

Na frente de dados, os números semanais de auxílio desemprego nos EUA serão divulgados, bem como os dados de venda no varejo, com expectativa LSEG de redução de 0,1% na comparação mensal.

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Os agentes do mercado na Europa estarão atentos às decisões de política monetária do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra na quinta-feira.

Por aqui, os investidores vão repercutir a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar 0,50 ponto percentual na Selic, levando a taxa básica de juros para 11,75% ao ano.

Em indicadores, saem os dados das vendas no varejo de outubro, com consenso LSEG projetando alta mensal de 0,2% e de 1,76% na base anual.

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Na seara política, o Congresso pode votar nesta quinta-feira a LDO/24 e os vetos ao arcabouço fiscal, ao Carf e à folha de pagamentos.

1.Bolsas Mundiais

Estados Unidos

Os índices futuros dos EUA sobem nesta manhã de quinta-feira, depois que o Fed indicou na véspera cortes nas taxas de juros em 2024, e o Dow Jones fechou em alta histórica.

O Dow saltou 1,4% durante o pregão regular, fechando em 37.090,24 pontos. Esta foi a primeira vez que o índice fechou acima de 37.000 e quebrou sua máxima anterior de fechamento de janeiro de 2022. O S&P 500 avançou 1,37%, terminando acima de 4.700 pela primeira vez desde janeiro de 2022. O Nasdaq Composite ganhou 1,38%. As três principais médias subiram para novos máximos em 52 semanas.

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Os investidores estarão de olho nos dados econômicos na quinta-feira. Os pedidos semanais de seguro-desemprego serão divulgados às 10h30 horário. Os dados de vendas no varejo e importações de novembro também serão divulgados nesta manhã, bem como o relatório de estoques empresariais de outubro.

Veja o desempenho dos mercados futuros:

Ásia

Os mercados acionários da Ásia compartilharam apenas em parte a animação global com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de ontem, após o BC dos EUA manter juros, mas sinalizar cortes em 2024. Houve perdas em Xangai e também em Tóquio, mas a Bolsa de Seul subiu mais de 1% e outras também avançavam, em quadro misto no continente.

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A Bolsa de Xangai fechou em baixa de 0,33%, em 2.958,99 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,55%, a 1.919,91 pontos. Xangai chegou a mostrar mais força no começo do pregão, na esteira do Fed, porém o impulso não perdurou, com sentimento sobre a China ainda negativo, após uma conferência econômica recente ter desapontado investidores, que aguardavam mais estímulos oficiais.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei caiu 0,73%, para 32.686,25 pontos. A força do iene pressionou ações de exportadoras do Japão, entre elas montadoras. O Nikkei também chegou a subir, mas inverteu o sinal no meio da manhã local, diante do movimento no câmbio. Investidores avaliavam mudanças no gabinete de governo do país, com a saída do ministro da Indústria e do chefe de gabinete.

Já em Seul, o índice Kospi avançou 1,34%, a 2.544,18 pontos. Ações de fabricantes de baterias, microchips e do setor de internet estiveram entre os destaques, com o apetite por risco apoiado pelo Fed. Kakao Corp. subiu 6,7% e Kakaopay, 5,9%.LG Energy Solution teve ganho de 3,1% e SK Hynix, de 4,2%.

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Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou ganho de 1,07%, para 16.402,19 pontos.

Europa

Os mercados europeus operam em alta, com investidores reagindo positivamente ao sinal de que o Fed irá cortar os juros no próximo ano, enquanto aguardam pela decisão sobre juros do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE).

A decisão do BCE será seguida de entrevista da presidente do BCE, Christine Lagarde. O consenso do mercado é de manutenção da taxa em 4,50%.

No Reino Unido, o consenso do mercado prevê a manutenção da taxa em 5,25% pelo BoE.

Commodities

Os preços do petróleo sobem, ampliando os ganhos da véspera, devido a preocupações com Oriente Médio e e sinalização de que o Fed começará a cortar os juros em 2024.

 As cotações do minério de ferro na China fecharam em baixa, ampliando as perdas da véspera, enquanto o mercado digeria a falta de novas medidas de estímulo e dados que mostram empréstimos bancários mais fracos do que o esperado no mês passado.

Os novos empréstimos bancários na China aumentaram menos do que o esperado em novembro em relação ao mês anterior, mostraram dados na noite de quarta-feira, mesmo com o banco central mantém a política acomodatícia para apoiar uma recuperação fraca na segunda maior economia do mundo.

O minério de ferro de referência para janeiro SZZFF4 na Bolsa de Cingapura subiu 0,25%, no entanto, para US$ 133,95 a tonelada.

Bitcoin

2. Agenda

A agenda de hoje tem como destaque os números semanais de auxílio desemprego, bem como os dados de venda no varejo, com expectativa LSEG de redução de 0,1% na comparação mensal.

Na Zona do Euro, na quinta-feira, sairá o anúncio de juros pelo Banco Central Europeu (BCE), seguido de entrevista da presidente do BCE, Christine Lagarde. O consenso do mercado é de manutenção da taxa em 4,50%.

Hoje também sai a decisão de juros do Reino Unido, com o consenso do mercado prevendo a manutenção da taxa em 5,25% pelo Banco Central do Reino Unido (BoE).

Brasil

9h: Vendas no varejo de outubro; consenso LSEG projeta alta mensal de 0,2% e de 1,76% na base anual

13h: Campos Neto tem reunião com Gita Gopinath, First Deputy Managing Director do Fundo Monetário Internacional (FMI), no Edifício-Sede do Banco Central, em Brasília (fechado à imprensa)

14h30: Fluxo cambial semanal

EUA

10h30: Pedidos de seguro-desemprego semanal; consenso LSEG projeta 220 mil solicitações

10h30: Vendas no varejo de novembro; consenso LSEG prevê baixa de 0,1% na comparação com outubro

Zona do Euro

10h15: BCE decide juros

Reino Unido

9h: BoE divulga decisão de política monetária

3. Noticiário econômico

Haddad discursa na abertura da Trilha Financeira do G20 nesta 5ª-feira

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, realizará nesta quinta-feira, 13, o discurso de abertura da Trilha Financeira do G20, grupo que reúne as maiores economias mundiais, no Palácio do Itamaraty, das 9h30 às 10h.

O chefe da Fazenda inaugura o primeiro dia de reuniões exclusivas da trilha de finanças do G20, sob a presidência brasileira.

O compromisso é o único item da agenda oficial do ministro, que ainda deverá trabalhar junto ao Congresso Nacional na articulação da aprovação da agenda econômica.

BC mantém o ritmo e reduz a Selic em 0,50 p.p para 11,75%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu por mais um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, a taxa de juros básicos da economia. A taxa passou de 12,25% para 11,75% ao ano, em nova decisão unânime entre os membros do Comitê.

Essa foi a quarta redução seguida na taxa Selic, que agora está no menor patamar desde março de 2022, quando estava em 10,75% ao ano.

A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado. O consenso Refinitiv de analistas já apostava em uma redução dos juros para 11,75%.

Segundo o comunicado que acompanhou a decisão, a conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, expectativas de inflação com reancoragem apenas parcial e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária.

“A decisão de política monetária do Copom veio em linha com as expectativas, reforçando a ideia de continuação dos cortes de 50 pontos-base. O BC reconheceu uma melhora relevante no cenário externo com o fechamento da curva de juros nos EUA ao longo do mês. O texto dá destaque, também, à dinâmica de inflação corrente, que é benigna, mas lenta, como já comentado nos últimos comunicados. No balanço de riscos, pouca novidade, com os mesmos riscos, já citados anteriormente, em ambas as direções. Algo que ainda era dúvida era como o BC colocaria seu forward guidance para as próximas decisões, assim como na reunião passada abriu espaço para cortes de mesma magnitude nos dois próximos encontros. De forma geral, o comunicado do Copom teve tom neutro e não altera nosso cenário, que prevê a Selic a 9,25% ao final de 2024″, aponta Luca Mercadante, economista da Rio Bravo.

Confira a análise sobre o que esperar para a Selic em 2024 assistindo ao vídeo abaixo:

4. Noticiário político

Senado aprova Dino para o STF e Gonet para a PGR

O plenário do Senado aprovou, na noite de quarta, a indicação de Flávio Dino para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ministro da Justiça e Segurança Pública do governo federal, Dino foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para na vaga aberta com a aposentadoria da ex-ministra Rosa Weber. Foram 47 votos favoráveis, 31 votos contrários e duas abstenções. Essa foi a última etapa antes da confirmação de Dino como novo magistrado.

O Senado também aprovou o nome de Paulo Gonet para o cargo de procurador-geral da República. O agora futuro chefe do Ministério Público Federal (MPF) recebeu 65 votos favoráveis, 11 votos contrários e uma abstenção.

5. Radar Corporativo

Itaúsa (ITSA4)

O Conselho de Administração da Itaúsa (ITSA4) aprovou nesta quarta-feira (13) a distribuição de juros sobre o capital próprio no montante bruto de R$ 820 milhões, correspondente ao valor bruto de R$ 0,0794 por ação.

Os proventos serão pagos até 30 de dezembro de 2024 com retenção de 15% de imposto de renda na fonte, resultando em juros líquidos de R$ 0,06749 por ação.

Esses juros terão como base de cálculo a posição acionária final do dia 18 de dezembro de 2023.

Rede D’or (RDOR3)

O Conselho de Administração da Rede D’or (RDOR3) aprovou a distribuição de JCP no montante bruto total de R$ 416,3 milhões, correspondentes a R$ 0,18463906450 por ação ordinária da companhia.

O pagamento dos proventos será efetuado em 28 de dezembro de 2023 e tomará como base a posição acionária final do dia 18 de dezembro de 2023.

A partir do dia 19 de dezembro de 2023, as ações ordinárias da companhia passarão a ser negociadas ex-juros sobre o capital próprio.

Vivara (VIVA3)

A Vivara (VIVA3) a projeção de abertura de 70 a 80 lojas das marcas Vivara e Life no ano de 2024, conforme fato relevante publicado nesta noite de quarta-feira (13).

Segundo documento, a projeção se ancora na consistência dos retornos obtidos pelas lojas inauguradas nos últimos anos, bem como pelo potencial das marcas de seguirem se consolidando na posição de liderança absoluta do mercado de joias do Brasil. 

(Com Estadão, Reuters e Agência Brasil)