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Ibovespa se descola de bom humor externo e cai com dados industriais fracos; dólar sobe a R$ 5,70

Mercado registra desempenho negativo conforme se acumulam números negativos sobre a economia brasileira

Mão segura um celular e consulta um gráfico em frente a um painel de movimentação de ações em Bolsa - mercado fracionário
(scyther5/Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira (1), com os dados piores que o esperado da indústria nacional ofuscando o bom humor nos mercados internacionais.

Lá fora, as principais bolsas mundiais sobem, com Europa e Estados Unidos repercutindo o plano americano de infraestrutura e a agenda macroeconômica. Hoje foi divulgado que os EUA registraram 719 mil pedidos de auxilio-desemprego na semana encerrada em 27 de março. Resultado ficou acima dos 680 mil esperados pelos analistas consultados pela Refinitiv.

Na quarta, Biden apresentou os seu plano de investimentos em infraestrutura, de mais de US$ 2 trilhões. O projeto inclui gastos em estradas e pontes, assim como em energia verde e melhorias nos sistemas de água. É o segundo grande plano de gastos divulgado por Biden, após ele assinar uma lei de auxílio e estímulo em 11 de março, no valor de US$ 1,9 trilhão.

O presidente pretende elevar os impostos corporativos a 28% para financiar o plano. Com ele, Biden diz que espera criar “a economia mais resiliente, inovadora do mundo”, e milhões de “empregos com bons salários”. Biden afirma que pretende revelar a segunda parte do plano, no valor de US$ 1 trilhão, nas próximas semanas.

Por aqui, os debates em torno do Orçamento de 2021 também seguem no radar. Ontem, o relator-geral do Orçamento, senador Marcio Bittar (MDB-AC) anunciou que irá cancelar as emendas de sua autoria, em um total de R$ 10 bilhões, assim que a Lei Orçamentária de 2021 for sancionada.

Ainda no Brasil, a produção industrial recuou 0,7% em fevereiro em relação ao mês anterior, interrompendo uma sequência de nove altas. O setor se encontra agora 13,6% abaixo do patamar recorde alcançado em maio de 2011 e 2,8% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020).

No ano, a indústria acumula alta de 1,3% e, em 12 meses, queda de 4,2%. As informações são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi bem pior do que o esperado. A estimativa, segundo compilação feita pela Refinitiv com economistas, era de alta 0,4% na comparação com janeiro e de avanço de 1,5% frente fevereiro de 2020.

Enquanto isso, a IHS Markit informou que seu PMI para a indústria do Brasil caiu a 52,8 pontos em março, de 58,4 em fevereiro. Embora tenha permanecido acima da marca de 50, que separa crescimento de contração, o índice chegou a uma mínima em nove meses.

Ontem, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua também decepcionou diversos economistas. A população ocupada de 86 milhões foi menor que os 87,2 milhões estimados pela LCA Consultores e a taxa de desemprego de 14,2% foi levemente superior aos 14,1% esperados de acordo com a mediana das projeções dos economistas compilada pela Refinitiv.

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Às 13h42 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 0,93%, a 115.551 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 1,28% a R$ 5,699 na compra e a R$ 5,70 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em maio avança 1,21% a R$ 5,711.

O desempenho do câmbio no Brasil ia na contramão de outros emergentes. Hoje o peso mexicano sobe mais de 0,5% ante o dólar em meio a expectativas de que o novo pacote de estímulos nos EUA aqueça a economia mexicana, visto que o país exporta a maior parte de seus bens para seus vizinhos ao norte.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe dois pontos-base a 4,61%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de oito pontos-base a 6,47%, o DI para janeiro de 2025 avança sete pontos-base a 8,12% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de três pontos-base a 8,72%.

Cabe destacar que a semana se encerra para as negociações na Bolsa nesta quinta, uma vez que a B3 não opera na sexta-feira (2) devido ao feriado de Sexta-feira Santa. Também não haverá negociações nos Estados Unidos e em grande parte da Europa.

As bolsas asiáticas fecharam com tendência de alta nesta quinta-feira, com a divulgação de dados econômicos na região. Na China, o índice Caixin/Markit de manufatura do índice do gerente de compras marcou 50,6 pontos em março, frente à leitura de fevereiro, de 50,9 pontos.

A atividade industrial da China expandiu em março no ritmo mais lento em quase um ano devido à demanda doméstica mais fraca, mas as condições econômicas básicas permanecem positivas mesmo com a intensificação das pressões inflacionárias. Em comparação, o índice oficial do gerente de compras de manufaturas divulgado na quarta marcou 51,9 pontos, acima da leitura de 50,6 pontos, relativa a março.

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Já as bolsas europeias sobem hoje, reagindo a uma série de dados divulgados sobre a economia da região. O índice Eurostoxx, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, sobe 0,48%. Todos os setores, com exceção do automobilístico, têm altas. E ações do setor de tecnologia lideram, com alta de 1,5%

A atividade manufatureira na Zona do Euro cresceu no ritmo mais rápido já registrado em março. A medição final do índice do gerente de compras IHS Markit manufatureiro marcou em 62,5 pontos em março, frente a 57,9 pontos em fevereiro. Qualquer leitura do índice do gerente de compras acima de 50 pontos indica expansão; abaixo, retração.

A alta foi liderada pela Alemanha, que se aproximou de 66,6 pontos, graças à demanda ressurgente dos Estados Unidos e da China. No entanto, as vendas do varejo da Alemanha em fevereiro ficaram abaixo da expectativa de economistas, subindo 1,2%, ou 9% abaixo do patamar do mesmo período do ano passado.

Ainda em destaque, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) vai se reunir nesta quinta-feira para decidir qual será o nível de sua oferta de petróleo nos próximos dois meses, em um momento de volatilidade nos preços dada a evolução incerta da demanda de energia.

Orçamento e novos comandantes das Forças Armadas

No pior momento da pandemia, a rejeição ao governo de Jair Bolsonaro subiu do patamar de 54% registrado há duas semanas para o recorde de 59%, segundo dados publicados na quarta pelo PoderData. A parcela dos que aprovam o presidente subiu de 32% para 33%. A margem de erro é 1,8 ponto percentual.

Além disso, o relator-geral do Orçamento, senador Marcio Bittar (MDB-AC) anunciou na quarta que irá cancelar as emendas de sua autoria, em um total de R$ 10 bilhões, assim que a Lei Orçamentária de 2021 for sancionada.

A iniciativa acontece depois de o Congresso ter aprovado na semana passada o Orçamento do ano reestimando para baixo, em R$ 26,5 bilhões, a projeção de despesas obrigatórias do governo e elevando as dotações para despesas previstas nas emendas parlamentares.

O Orçamento de 2021 foi aprovado a partir de um acordo entre os parlamentares chancelado, inclusive, pelos líderes do governo no Parlamento. Mas a ala política do governo parece ter se desencontrado da equipe econômica. Ele vem sendo chamado de “fictício” por ter ampliado os gastos com emendas parlamentares voltadas para obras em redutos eleitorais dos congressistas e elevado gastos com defesa, ao mesmo tempo em que cortou despesas obrigatórias nas áreas de saúde e educação. Se o Orçamento fosse colocado em prática da forma como está, haveria risco de paralisação da máquina pública.

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Na esteira de aparente descompasso entre a ala política e a ala econômica do governo sobre o tema, Bittar encaminhou ofício ao presidente Jair Bolsonaro, informando que decidiu pelo cancelamento das emendas de relator após “reflexões” com lideranças do Congresso e com os presidentes das duas Casas.

“Devo salientar que as referidas programações que serão canceladas referem-se às solicitadas pelo próprio Executivo, alocadas nas áreas de infraestrutura, de desenvolvimento regional, de cidadania, de justiça de agricultura, de turismo e de ciência e tecnologia”, diz o ofício que informa a intenção de cancelar os recursos “para recomposições nas formas em que o governo federal entender adequadas”.

Uma fonte do Congresso que acompanhou de perto as negociações afirmou que na discussão sobre o assunto o ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu cortes esta semana, e Bittar optou por abrir mão das emendas de relator.

Na terça-feira, o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, disse que o governo poderia vetar parcial ou integralmente a lei orçamentária para evitar riscos ao funcionamento da máquina pública, e defendeu a recomposição das despesas obrigatórias. Também na terça, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que o Congresso estava aberto a eventuais correções à peça orçamentária e que não ofereceria obstáculos.

Ele ressaltou que a aprovação do Orçamento contou com o “pleno acompanhamento” do governo federal, tanto por meio de seus líderes quanto pela equipe técnica da área Econômica que assistia o relator.

Além disso, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, apresentou na quarta os novos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. O general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, que respondia pela chefia de pessoal da Força, assume o comando do Exército. O almirante Almir Garnier, que até então ocupava a Secretaria-Geral do Ministério da Defesa, irá comandar a Marinha.

“Os militares não faltaram no passado e não faltarão sempre que o país precisar. A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira se mantêm fiéis às suas missões constitucionais de defender a pátria, garantir os poderes constitucionais e as liberdades democráticas”, disse o ministro da Defesa.

“Neste dia histórico reforço que o maior patrimônio de uma nação é a garantia da democracia e a liberdade do seu povo”, acrescentou.

Braga Netto assumiu a Defesa após o presidente pedir, na segunda-feira, o cargo do então ministro Fernando Azevedo e Silva, como parte de uma mudança em seis ministérios. No dia seguinte, os comandantes das três forças foram exonerados, abrindo uma crise entre o governo e as Forças Armadas. Com isso, Braga Netto anunciou novos nomes nesta quarta. Bolsonaro estaria insatisfeito especialmente com o então comandante do Exército, Edson Pujol, por não mostrar um maior alinhamento com o governo.

Pior mês da pandemia

O Brasil bateu novo recorde de mortes por Covid em 24 h, com 3.950 casos. Além disso, pelo sexto dia seguido, o Brasil bateu o seu recorde de mortes por Covid na média móvel de sete dias, com 2.971 casos, alta de 42% frente à média de 14 dias atrás.

Pela primeira vez, o Brasil contabilizou mais do que 20 mil mortes por Covid no período de uma semana. Assim, o mês de março se encerrou com 66.868 mortes por Covid, mais do que o dobro das mortes contabilizadas em julho de 2020, que havia sido o pior mês da pandemia até então.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de quarta, o avanço da pandemia em 24 h. A média móvel de novos casos em sete dias foi de 75.154, alta de 5% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 89.200 casos.

17.620.872 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 8,32% da população. A segunda dose foi aplicada em 5.091.611 pessoas, ou 2,4% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, reduziu de 47,3 milhões para 25,5 milhões a previsão de doses de vacinas contra a Covid que o governo federal será capaz de distribuir em abril. A redução na previsão ocorre em relação ao cronograma divulgado em 19 de março.

Apesar disso, o Ministério da Saúde anunciou na quarta a antecipação da vacinação das Forças Armadas e de parte das forças de segurança e salvamento, com envio de doses nesta semana aos estados e municípios exclusivamente para a imunização de integrantes desses segmentos que estejam atuando diretamente nas ações de enfrentamento à pandemia.
Serão vacinados trabalhadores envolvidos no atendimento, transporte e resgate de pacientes, bem como aqueles que estejam atuando nas ações de vacinação e de vigilância das medidas de distanciamento social, com contato direto e constante com o público, informou a pasta.

Na quarta, os laboratórios Pfizer e BioNTech anunciaram que a vacina contra a Covid que desenvolveram em parceria se mostrou 100% eficaz em adolescentes com idades de entre 12 e 15 anos. A vacina já tem autorização para aplicação em jovens a partir de 16 anos.

Também na quarta, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o pedido de uso emergencial da vacina de dose única contra a Covid desenvolvida pela farmacêutica Janssen, braço da Johnson & Johnson. O governo federal tem contrato com a farmacêutica para a compra de 16,9 milhões de doses.

Por outro lado, a Anvisa negou por unanimidade ao Ministério da Saúde a autorização excepcional e temporária para importação e distribuição de 20 milhões de doses da Covaxin.

O governo de São Paulo confirmou na quarta que detectou em Sorocaba, no interior do estado, um caso de infecção com uma variante do coronavírus semelhante à variante da África do Sul, uma das três que mais preocupam no mundo, ao lado da variante brasileira e da sul africana. A pessoa infectada não viajou ao exterior ou sabe de contato com alguém que tenha viajado, por isso não está claro se a variante encontrada é de fato a sul africana.

Em um movimento contra medidas de isolamento social, o procurador-geral da República, Augusto Aras, protocolou um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal buscando proibir governos de unidades da federação de realizarem atividades religiosas, como missas e cultos durante a pandemia de coronavírus.

No pedido, Aras cita o decreto do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que proibiu a realização desse tipo de atividade coletiva em São Paulo. O procurador-geral diz que o decreto seria inconstitucional, por desrespeitar o direito à liberdade religiosa e de culto.

Depois da primeira reunião do recém-formado comitê de combate à Covid-19, que reúne autoridades dos três Poderes, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender o fim das políticas de restrição de circulação impostas por governos estaduais e municipais para tentar conter a disseminação do coronavírus. Ao anunciar o calendário de pagamento do novo auxílio emergencial, Bolsonaro afirmou que “não é ficando em casa que vamos solucionar esse problema”, afirmou.

Bolsonaro voltou a comparar medidas de isolamento adotadas por Estados a um estado de sítio. “Nenhuma nação se sustenta muito tempo com esse tipo de política. E o que queremos realmente é voltar à normalidade o mais rápido possível”, disse, fazendo um apelo para que governadores e prefeitos revejam as determinações. “Qualquer um pode contrair o vírus, qualquer um pode ter sua situação de saúde complicada. Mas a fome mata muito mais que o vírus”, afirmou.

A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde, Carissa Etienne, afirmou na quarta que o fim do verão no hemisfério sul, após feriados em que famílias e amigos se reuniram e disseminaram a doença, é responsável por novos picos em países como Brasil, Uruguai e Cuba.

Ela pediu às pessoas que fiquem em casa e pediu aos governos que pensem bem antes de reduzir as restrições de circulação.

Radar corporativo

A indicação do novo presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, foi aprovada em reunião realizada na terça-feira pelo Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade (Corem). Ele foi indicado pela União para substituir André Brandão, que comunicou sua renúncia em março.

A Cielo informou na quarta-feira que concluiu a venda dos direitos da plataforma de processamento e ao autorizador de transações desenvolvidos pela empresa para a bandeira Elo por R$ 380 milhões. A transação acertada com a própria Elo Serviços, deduzida de valores reconhecidos como receitas de licenciamento, de R$ 187,5 milhões, acrescida de atualização monetária, e líquida da baixa de custos residuais de desenvolvimento e efeitos fiscais, “produzirá um efeito inicialmente estimado em R$ 75,9 milhões e será lançada no resultado do primeiro trimestre”, informou a Cielo.

Já a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) aprovou o reajuste de preços dos remédios a partir desta quinta-feira, 1º de abril. A resolução está publicada em edição extra do Diário Oficial da União que circulou na noite desta quarta-feira. 31. Segundo o texto, o ajuste máximo de preços permitido chega a 10,08%. A resolução traz três porcentuais máximos, de acordo com a classe terapêutica dos medicamentos: 10,08% (nível 1); 8,44% (nível 2); 6,79% (nível 3).

As ações da Atom dispararam 131% na quarta, após a Exame, controlada pelo BTG Pactual, comprar participação de 34,78% na companhia, especialista em publicações e materiais didáticos para o mercado financeiro. Após o acordo, a WHPH Participações e Empreendimentos, que detinha 69,569%, ficará com fatia de 34,78%. No âmbito da operação, ainda foi acertado um acordo de acionistas entre WHPH e Exame, segundo fato relevante mais cedo na quarta.

Na temporada de resultados, a fabricante de alimentos M.Dias Branco apresentou lucro líquido de R$ 209,0 milhões no quarto trimestre do ano passado. O resultado representa queda de 21,1% na comparação com igual período de 2019, quando a empresa reportou lucro líquido de R$ 264,9 milhões.

Já o lucro líquido da Enauta totalizou R$ 124 milhões em 2020, 32,6% inferior ao lucro registrado em 2019. No quarto trimestre, a companhia contabilizou lucro de R$ 38,2 milhões, queda de 68,7%.

Cabe destacar que a B3 divulga hoje a 1ª prévia da carteira teórica do Ibovespa, com base no pregão da véspera, e que servirá de base para o período de maio a agosto de 2021.

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