Fechamento

Ibovespa sobe 2,2% e fecha acima de 80 mil pontos pela primeira vez desde 13 de março; dólar bate máxima a R$ 5,40

Índice ganhou força durante a tarde com bom humor externo em dia de recuperação do petróleo

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou acima dos 80 mil pontos pela primeira vez desde 13 de março, impulsionado pelo bom humor externo e a disparada de quase 20% do petróleo. Com isso, o índice deixou rapidamente para trás uma pressão do início do dia por conta da forte queda dos ADRs na véspera, quando a bolsa estava fechada.

O barril do petróleo tipo brent em Londres chegou a recuar para US$ 16, no menor nível em quase 21 anos, em meio ao excesso de oferta que levou futuros WTI da commodity abaixo de zero pela 1ª vez na história na última segunda-feira, enquanto o petróleo WTI para junho chegou a US$ 11.

O movimento, porém, foi revertido, com o contrato WTI com vencimento em junho subindo 19,1%, a US$ 13,78 o barril, após chegar a subir mais de 40% no intraday. Já o brent teve alta mais modesta, de 5,38%, mas voltando a superar o patamar dos US$ 20 o barril.

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Entre os fatores que levaram às altas de hoje está uma reunião feita entre diversos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (o chamado grupo OPEP+), criando expectativas por novas medidas. De acordo com estimativas de Jim Burkhard, da IHS Markit, é possível que sejam retirados do mercado 17 milhões de barris por dia se forem levados em conta os cortes já anunciados e outras suspensões de produção – devido aos baixos preços, que não permitem margens operacionais viáveis.

Além disso, o cenário de tensão internacional também puxou os preços da commodity. Donald Trump, presidente dos EUA, afirmou pelo Twitter que ordenou a Marinha a bombardear e destruir embarcações iranianas que ameacem os navios americanos. O Irã é um dos maiores produtores de petróleo. Com a disparada da commodity, os índices da bolsa americana subiram mais de 2%.

Com isso, o benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 2,17%, aos 80.687 pontos, com volume financeiro de R$ 24,029 bilhões. Clique aqui e confira os principais destaques de ações desta sessão.

Enquanto isso, o dólar comercial subiu 1,89%, cotado a R$ 5,4089 na compra e R$ 5,4094 na venda, renovando sua máxima histórica nominal de fechamento. O dólar futuro para maio avança 1,70%, para R$ 5,412.

Já no mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu 12 pontos-base a 3,20%, enquanto o DI para janeiro de 2023 recuou 14 pontos, a 4,22%. O contrato para janeiro de 2025 teve queda de 7 pontos-base a 5,89%.

Na segunda-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou após o fechamento da bolsa que o país está longe do momento de perda da potência da política monetária, quando movimentos como o desaperto quantitativo se fazem mais necessário.

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Segundo ele, é importante que o BC tenha às mãos os mais diversos instrumentos para garantir liquidez nos mercados, ainda que não precise usar todos.

No exterior, o Senado dos Estados Unidos aprovou na terça-feira um pacote de US$ 484 bilhões em socorro às pequenas e médias empresas. Segundo a CNBC, o presidente Donald Trump sancionará o pacote até amanhã.

O número de pessoas atingidas pelo coronavírus nos EUA continua a crescer e ultrapassou 820 mil na manhã de hoje, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. O número de mortos pela doença nos EUA superou 43 mil. No mundo, foram confirmados até agora 2,5 milhões de casos da Covid-19, com 176 mil mortes.

Agenda econômica

Em meio à pandemia da covid-19, a arrecadação das receitas federais no Brasil registrou queda de 3,32% em março, totalizando R$ 109,718 bilhões.

A comparação é com o mesmo mês de 2019, descontada a inflação. Esse é o menor valor para o mês desde março de 2010, quando foram recolhidos R$ 105,717 bilhões. As informações foram divulgadas hoje (22) pela Receita Federal, em Brasília.

As receitas administradas pela Receita Federal, como impostos e contribuições federais, chegaram a R$ 107,390 bilhões, resultando em queda real (descontada a inflação) de 3,67%.

Noticiário político

Um plano gradual de reabertura da economia de São Paulo deve ser anunciado nesta quarta pelo governo do Estado, com implementação a partir de 11 de maio. Quando a quarentena foi prorrogada, na semana passada, o comitê de gestão da crise da covid-19 passou a se debruçar sobre um plano para estabelecer quais setores e quais regiões do Estado de São Paulo poderão voltar a funcionar gradativamente.

Doria disse ao jornal Folha de S. Paulo que só dará detalhes sobre o plano em 8 de maio. “Vamos seguir os passos da ciência”, disse. Questionado sobre o voto dado em Bolsonaro em 2018, Doria mostrou-se arrependido: “Não tinha a perspectiva de ter um presidente que pudesse vir a ter comportamentos tão irresponsáveis, tão condenáveis”.

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O mundo político já está de olho na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. Segundo o Estadão, nos bastidores, o presidente Jair Bolsonaro se movimenta para impulsionar a campanha do deputado Marcos Pereira (SP) nessa disputa, marcada para fevereiro de 2021.

Ainda no radar, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito sobre as manifestações realizadas em 19 de abril, domingo passado, a favor de um golpe militar no Brasil, informam os jornais Folha de S. Paulo e O Globo.

O presidente Jair Bolsonaro, que esteve em uma delas em Brasília (DF), não é investigado, mas pode se tornar alvo se houver indício de que ajudou na organização dos atos, que também aconteceram em São Paulo e no Rio de janeiro.

Segundo Moraes, o ato do dia 19 “revela-se gravíssimo, pois atentatório do Estado Democrático de Direito brasileiro e suas instituições republicanas”. Vale notar que o pedido para que as investigações fossem abertas foi feito na segunda-feira pelo procurador-geral da República, Augusto Aras.

Noticiário corporativo

O Conselho de administração da Eneva decidiu encerrar as tratativas em torno da Proposta para fusão com a AES Tietê – mesmo a tendo mantido em vigor desde 1º de março de forma inalterada, inclusive diante dos impactos no mercado financeiro e de capitais decorrentes do COVID-19, segundo comunicado.

A Eneva diz que “operação não deveria seguir, nesse momento, em meio a um provável embate acerca dos direitos dos acionistas titulares de ações preferenciais da AES Tietê e os interesses do
acionista controlador daquela companhia.

A AES Tietê informou ontem à CVM que “não tem conhecimento” do conteúdo de uma matéria publicada no site da revista Exame, a qual afirmou que a matriz da empresa, nos Estados Unidos, planeja comprar a participação do BNDES na companhia brasileira. O BNDES possui atualmente 28,41% de participação acionária na AES Tietê, um valor correspondente a R$ 1,8 bilhão, segundo informações do banco estatal.

Atenção para as mudanças em Conselhos de Administração. Michael Klein deixará a presidência do conselho de administração da Via Varejo (VVAR3), informou a companhia na noite de segunda.

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O ressegurador IRB Brasil Re (IRBR3) também anunciou mudanças. A partir da renúncia de executivos indicados por acionistas da companhia como Bradesco e Itaú Unibanco, selecionou, com o auxílio da consultoria Korn Ferry, novos membros que incluem a ex-S&P Regina Nunes, além de especialistas nas áreas de seguros, contabilidade e governança corporativa.

Já a Energisa postergou R$ 500 milhões em investimentos previstos para 2020. A Anima comunicou ontem que realizará as suas assembleias gerais ordinária e extraordinária, no dia 29 de abril, apenas por meio digital. Será a primeira empresa no Brasil a usar o recurso, sem assembleias físicas, por causa da epidemia do Covid-19.

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