Números de fechamento

Ibovespa quase retoma os 107 mil pontos, mas fecha estável; Fed, precatórios e commodities deram tom aos negócios

Ações de Petrobras e Vale fecharam em forte queda; aqui no Brasil, PEC dos precatórios pode ser votada ainda hoje

Por  Mitchel Diniz -

SÃO PAULO – Quem esperava tranquilidade nos mercados na volta do feriado, acabou encontrando ainda mais volatilidade. O Ibovespa oscilou ao sabor de uma agenda importante, que trouxe um novo rumo para a política monetária nos Estados Unidos, mas continua incerta em relação aos riscos fiscais internos. Cada novo rumor sobre o andamento da PEC dos Precatórios mexeu com o principal índice do mercado acionário brasileiro, que ao final, conseguiu emplacar mais um fechamento no terreno positivo.

A Bolsa fechou sem saber se a votação da PEC que quer limitar o pagamento de dívidas judiciais da União para conseguir espaço no Orçamento iria mesmo avançar. Ainda que macule o Teto dos Gastos, a proposta para conseguir recursos ao Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família, ganhou até uma espécie de “simpatia” dos investidores, já que um plano B (que o governo nega ter) poderia ser ainda mais danoso às contas públicas.

O tema parecia travado, mas o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR) , afirmou ter votos para aprovar a PEC ainda nesta quarta-feira (3).

“Com essa PEC indo para a votação, teoricamente você mata um grande fator de risco e aí o mercado já começa a perder um pouco o stress”, afirma Flávio Aragão, sócio da 051 Capital.

“Os precatórios são uma questão chave para a Bolsa. O índice teria até mais espaço para andar se Vale e Petrobras não estivesse fora dessa alta”, afirmou Juan Espinhel, especialista em investimentos da Ivest Consultoria. As blue chips têm os maiores pesos do Ibovespa, mas não acompanharam a alta da Bolsa. Ambas foram prejudicadas na sessão de hoje por uma queda expressiva nos preços das commodities, incluindo o minério de ferro e o petróleo.

O barril do Brent, que é referência para os preços da Petrobras, despencou 3,94% hoje para US$ 81,37. O WTI caiu 4,56% a US$ 80,08 o barril. Os preços reagiram ao aumento, acima do esperado, dos estoques da matéria-prima nos Estados Unidos.

O Ibovespa fechou em leve alta de 0,06% aos 105.616 pontos; o volume de negócios do dia foi de R$ 38,7 bilhões. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro de 2021 sobe 0,88% aos 106.935 pontos nos negócios do after market.

À medida que o Ibovespa avançava, o dólar ia perdendo tração e aprofundava perdas. O dólar comercial fechou em queda de 1,42% a R$ 5,589 na compra e R$ 5,590 na venda. O dólar futuro para dezembro de 2021 recua 1,71% a R$ 5,613 nos negócios do after market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2023 fechou em queda de 19 pontos-base a 12,28%; DI para janeiro de 2025 recuou 46 pontos-base a 12,03%; e para janeiro de 2027 fechou em baixa de 49 pontos-base a 12,04%.

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“Hoje o maior destaque não é nem pela pequena alta da bolsa, mas a queda dos DIs em mais de 3% para todos os vértices, mostrando diminuição da pressão de aumento da taxa de juros depois de 2023. É um movimento importante de queda de percepção dos investidores”, afirma Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

“Resolvendo essa questão dos precatórios, mesmo não sendo uma resolução ideal, pode ser um alívio nas incertezas sobre a trajetória fiscal”, afirma Espinhel.

No período da manhã, foi divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto percentual no último encontro. O documento mostra que o Comitê fazer ajustes maiores, mas chegou à conclusão que com o ritmo adotado é possível levar a inflação à meta em 2022.

Nos Estados Unidos, a política monetária parece enfim ganhar novos rumos. Depois de muita expectativa, o Federal Reserve anunciou que vai reduzir a compra de títulos públicos em US$ 15 bilhões a partir do final deste mês. O Banco Central dos EUA dá início ao fim de um ciclo de estímulos que começou durante a pandemia, mas por enquanto manterá os juros entre 0% e 0,25%.

Em entrevista após os anúncios, Jerome Powell, presidente do Fed, fez declarações em tom mais dovish, que amenizaram tensões no mercado. Ele disse que a economia americana está forte o suficiente para que a compra de títulos seja reduzida e voltou a afirmar que a inflação é transitória, apesar de ter se mostrado persistente. Os juros, por sua vez, devem se manter historicamente baixos por mais tempos, com o Fed sinalizando que está sem pressa para aumenta a taxa (atualmente entre 0% e 0,25%), o que só deve acontecer depois que as compras de títulos forem encerradas de vez.

As Bolsas em Nova York ampliaram ganhos após a fala de Powell e renovaram pontuação recorde. Dow Jones fechou com alta de 0,29% a 36.157 pontos; S&P teve ganhos de 0,65% a 4.660 pontos e o Nasdaq subiu 1,04% a 15.811 pontos.

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