Conteúdo editorial apoiado por

Ibovespa quase no zero: por que tensão com Groenlândia não afetou mercado por aqui?

Olhar ainda distante sobre impacto no Brasil e liquidez reduzida por feriado nos EUA influenciaram desempenho do mercado doméstico

Lara Rizério Agências de notícias

Um modelo em miniatura impresso em 3D do presidente dos EUA, Donald Trump, e um mapa da Groenlândia são vistos nesta ilustração feita em 27 de janeiro de 2025. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração.
Um modelo em miniatura impresso em 3D do presidente dos EUA, Donald Trump, e um mapa da Groenlândia são vistos nesta ilustração feita em 27 de janeiro de 2025. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração.

Publicidade

Mais um episódio da tensão geopolítica entre Groenlândia e Europa versus os Estados Unidos ganhou força no último fim de semana.

O presidente Donald Trump prometeu no sábado aplicar tarifas comerciais sobre os aliados europeus até que os EUA tenham permissão para comprar a ilha da Dinamarca. Países da União Europeia criticaram as ameaças e discutem uma resposta.

Com esses temores, as bolsas da Europa fecharam em queda. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,39%, a 10.195,35 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,31%, a 24.966,02 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,94%, a 8.098,73 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,82%, a 8.568,56 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,26%, a 17.665,30 pontos. O FTSE MIB cedeu 1,32% em Milão, a 45.195,89 pontos.

Aproveite a alta da Bolsa!

Para analistas do ING, a nova abordagem de Trump serve como um lembrete de que a relação entre os Estados Unidos e a Europa mudou. “Muito dependerá de saber se a reivindicação do governo norte-americano sobre a Groenlândia é apenas uma posição maximalista de negociação ou uma exigência final genuína”, avaliam eles.

Apesar dos temores do mercado, a reação do mercado brasileiro foi morna: o Ibovespa fechou com leve variação positiva de 0,03%, a 164.489 pontos, o dólar foi a R$ 5,363 (uma queda de 0,16%), enquanto os juros futuros tiveram baixa.

Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, destacou um desempenho mais contido e volume negociado menor devido ao feriado de Martin Luther King nos Estados Unidos. “Isso porque o investidor estrangeiro, que hoje responde por cerca de 60% do volume do mercado à vista, costuma reduzir participação em dias como este”, estima.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o mercado brasileiro reagiu de forma moderada porque os choques ainda são percebidos como geopolíticos distantes, com impacto limitado sobre o comércio direto do Brasil com a Europa. “Enquanto fatores domésticos (inflação, crescimento e política monetária) continuarem dominando o cenário local, tensões externas tendem a ser filtradas pelo mercado”, aponta.

Danilo Coelho, especialista em investimentos, avalia que dois fatores principais merecem destaque para este comportamento do mercado. Em primeiro lugar, o Brasil não demonstra um posicionamento estratégico relevante nesta questão específica. “Essa pauta, com maior impacto na Europa, não indica necessariamente uma ausência de influência brasileira, mas sim uma menor proeminência do Brasil. Consequentemente, o mercado brasileiro não é significativamente afetado”, afirma.

Em segundo lugar, observa-se uma mudança na direção do foco, com a atenção voltada para a Europa, especialmente com o interesse na Groenlândia. “Anteriormente, notava-se um interesse maior na América Latina, como demonstrado nas discussões sobre Venezuela, e nas pressões exercidas sobre Colômbia, México e Cuba. O Brasil, por sua posição na América Latina, poderia ter sido alvo de semelhante atenção e influência. No entanto, com a mudança de foco para a Europa, o Brasil parece ter ficado em segundo plano, o que sugere uma menor visibilidade no cenário global”, avalia.

Continua depois da publicidade

As bolsas europeias caíram. Por outro lado, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, avalia que o principal canal de transmissão de risco acabou sendo os metais preciosos, com alta do ouro e da prata, em um movimento de procura por ativos defensivos, dado o ambiente de baixa liquidez em que os mercados operaram hoje por conta do feriado nos EUA.

Olhando para o curto prazo, na visão da equipe do BB Investimentos, o cenário externo, com o quadro geopolítico e retorno das imposições de sobretaxas no contexto da guerra comercial, deve acentuar a volatilidade nos mercados.

A volatilidade também ocorre em meio também às mudanças de falas de Trump. Durante esta segunda, Trump mudou a retórica e evitou dizer até onde está disposto a ir para assumir o controle da Groenlândia. Em entrevista por telefone à NBC News nesta segunda-feira, 19, ele foi questionado se usaria a força para tomar o território e respondeu apenas: “Sem comentários”.

Continua depois da publicidade

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.