Ouro e prata batem novos recordes com ameaças de tarifas dos EUA por Groenlândia

Investidores têm aumentado posições nas últimas semanas em meio a tensões geopolíticas mais agudas e também em meio a novos ataques à independência do Federal Reserve

Agências de notícias

Barras de ouro e prata empilhadas na sala de cofres da empresa de ouro Pro Aurum em Munique, Alemanha, 13 de outubro de 2025. REUTERS/Angelika Warmuth
Barras de ouro e prata empilhadas na sala de cofres da empresa de ouro Pro Aurum em Munique, Alemanha, 13 de outubro de 2025. REUTERS/Angelika Warmuth

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 O ouro e a prata disparam para novas máximas novamente nesta segunda-feira (19) à medida que a escalada da pressão do presidente Donald Trump para adquirir a Groenlândia alimentou temores de uma guerra comercial danosa entre EUA e Europa.

O ouro à vista chegou a subir 2,1%, aproximando-se de US$ 4.700 a onça, enquanto a prata avançou até 4,4%, à medida que a agressividade de Trump pesava sobre o dólar e impulsionava a demanda por ativos de proteção.

O ouro à vista subiu 1,5%, a US$ 4.663,37 a onça, depois de atingir a máxima histórica de US$ 4.689,39. A prata à vista avançou 3,3%, a US$ 92,93 a onça, após tocar a máxima histórica de US$ 94,08.

Viva do lucro de grandes empresas

Os EUA anunciaram a imposição de tarifas a oito países europeus — incluindo França, Alemanha e Reino Unido — que se opõem ao plano de adquirir a Groenlândia.

As preocupações com as consequências da tentativa de anexação da Groenlândia por Trump deram novo fôlego a um rali recorde que elevou o preço do ouro em cerca de 70% nos últimos 12 meses. Investidores têm aumentado posições nas últimas semanas em meio a tensões geopolíticas mais agudas e novos ataques à independência do Federal Reserve.

As tarifas americanas de 10% entrarão em vigor em 1º de fevereiro e subirão para 25% em junho. Líderes europeus discutem várias opções de resposta, incluindo sobretaxas retaliatórias sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em bens dos EUA.

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“O impacto nos metais preciosos parece uma reação à fuga de ativos em dólar e ao potencial impacto inflacionário de uma guerra comercial entre EUA e União Europeia, sem falar no efeito de esfriamento sobre a atividade econômica”, disse Peter Mallin‑Jones, analista da Peel Hunt LLP.

“As tensões geopolíticas deram aos compradores de ouro mais um motivo para empurrar o metal a novas máximas”, disse Matt Simpson, analista sênior da StoneX. “Com Trump colocando tarifas na equação, fica claro que sua ameaça em relação à Groenlândia é real e que podemos estar um passo mais perto do fim da OTAN e de desequilíbrios políticos dentro da Europa.”

O ouro registrou no ano passado seu melhor desempenho anual desde 1979, apoiado pela queda dos juros nos EUA, pela continuidade das compras de bancos centrais e pelas rupturas no cenário geopolítico desencadeadas por Washington. O rali da prata foi ainda maior, com os preços triplicando em 12 meses.

A expectativa é de ainda mais ganhos. Na semana passada, o Citigroup Inc. projetou que o ouro chegará a US$ 5.000 em até três meses, e que a prata alcançará US$ 100 a onça.

Já “para a prata, o cenário de médio prazo segue construtivo, sustentado por déficits físicos persistentes, demanda industrial resiliente e demanda por porto seguro”, afirmou Christopher Wong, estrategista do OCBC.

“Mas o ritmo da recente pernada de alta pode justificar alguma cautela tática no curto prazo”, disse Wong, observando que a relação ouro/prata caiu acentuadamente de máximas próximas de 105 no fim de 2025 para a faixa de 50, sinalizando a performance muito superior da prata em relação ao ouro.

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(com Bloomberg e agências internacionais)