Bolsa

Ibovespa acelera ganhos e renova máxima histórica intradiária ao bater 125.599 pontos; dólar cai a R$ 5,21

Mercado registra desempenho positivo após tão esperado número do PCE; dólar cai

(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa acelera alta nesta sexta-feira (28) e renova máxima histórica intradiária após semanas de lateralização próxima dos 124 mil pontos. O movimento ocorre conforme investidores se animam com a probabilidade do Federal Reserve não mudar sua política monetária ultraestimulativa depois do núcleo do PCE de abril.

O PCE cresceu a 0,6%, em linha com o esperado, enquanto o núcleo avançou a 0,7%, acima dos 0,6% projetados pelos economistas segundo dados compilados pela Refinitiv. O mais preocupante, contudo, foi a comparação anual. O Núcleo do PCE disparou a 3,1% ante abril do ano passado, de 1,9% em março, atingindo seu maior nível desde 1991. A expectativa era de crescimento a 2,9%.

Segundo Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, apesar do dado sair um pouco pior que o esperado, foi melhor do que se temia, uma vez que não fugiu muito das previsões. “Estamos saindo de um evento que acontece a cada 100 anos, então o mercado não se importou tanto com o número alto e continua comprando o discurso do Fed de que a inflação é transitória”, analisa.

Na mesma linha, a Levante Ideias de Investimento comenta que apesar de a inflação americana ter vindo acima do esperado, os preços não registraram uma explosão em abril, como era temor de boa parte dos investidores. “Isso, e o fato de que a segunda-feira é um feriado nos Estados Unidos, amorteceu o impacto da notícia. As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade”, escreve a equipe de análise da Levante.

Também nos EUA, o presidente Joe Biden irá divulgar sua proposta de orçamento fiscal para 2022 na sexta-feira. De acordo com o jornal The New York Times, ele vai propor US$ 6 trilhões em gastos federais no ano fiscal de 2022, aumentando para US$ 8,2 trilhões até 2031.

Por aqui, o presidente Jair Bolsonaro entrou ontem com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para barrar restrições impostas pelos governadores do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraná para evitar a proliferação da Covid-19 em seus estados.

Às 15h02 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha alta de 0,9%, a 125.479 pontos. Na máxima de hoje, o índice chegou a bater 125.599 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em queda de 0,7% a R$ 5,218 na compra e a R$ 5,219 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em junho registra baixa de 0,38% a R$ 5,219.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe quatro pontos-base a 5,02%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de um ponto-base a 6,57%, o DI para janeiro de 2025 cai oito pontos-base a 7,80% e o DI para janeiro de 2027 recua sete pontos-base a 8,43%.

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Voltando ao exterior, o New York Times relatou que Biden planeja financiar sua agenda por meio de aumento de impostos sobre corporações e pessoas de alta renda e que os déficits orçamentários começarão a diminuir na década de 2030.

O presidente democrata vem promovendo um pacote de infraestrutura de US$ 1,7 trilhão. Mas, na quinta, republicanos do Senado apresentaram uma contraoferta de US$ 928 bilhões.

A Organização das Nações Unidas para Aviação Civil Internacional irá investigar a ditadura de Belarus sobre o pouso forçado do avião de passageiros da aérea Ryanair visando prender um jornalista dissidente. A medida levou a indignação, mundialmente.

Na quinta, o governo russo bloqueou seu espaço aéreo para a Air France e para a Austrian Airlines, em uma retaliação após as duas empresas de aviação alterarem suas rotas de voo para evitar Belarus, um aliado da Rússia, em um protesto contra as ações do governo.

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson alertou na quinta que é possível que a retirada total das restrições de mobilidade no Reino Unido, prevista inicialmente para 21 de junho, poderá ser atrasada, caso o número de registros de Covid causados pela variante detectada primeiramente na Índia dobrem nesta semana. Até terça-feira (25), o Reino Unido havia vacinado 56,53% de sua população, segundo dados oficiais compilados pelo site Our World in Data.

Na agenda econômica, foram divulgados dados sobre a confiança de empresas e consumidores na Zona do Euro, que marcaram 114,5 pontos em maio, acima da expectativa de analistas, de 112,1 pontos, e da marca de 110,5 pontos em abril.

Covid no Brasil

Na quinta (27), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.766, queda de 8% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 2.130 mortes.

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As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 63.222, alta de 2% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 65.672 casos. 43.936.007 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 20,75% da população. A segunda dose foi aplicada em 21.634.953 pessoas, ou 10,22% da população.

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou na quinta-feira à CPI da Covid que em julho de 2020 foram oferecidas ao governo federal 60 milhões de doses da CoronaVac, que poderiam ter sido entregues ainda no último trimestre do ano passado. Ele afirmou ainda que o Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a começar a imunização contra a Covid-19, mas não houve resposta por parte do Ministério da Saúde.

Segundo Covas, em agosto o Butantan teria pedido ainda apoio do governo federal em recursos para o estudo clínico da vacina da chinesa Sinovac no Brasil e R$ 80 milhões para reforma do laboratório para ampliar a capacidade de produção. O Butantan também ficou sem resposta neste caso.

Covas confirmou ainda que as negociações avançaram a partir de outubro, com a promessa de entrega de 100 milhões de doses, e intensas negociações entre as equipes técnicas do ministério e do instituto.

O presidente do Butantan disse que chegou a ser convidado pelo então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para um evento em que a CoronaVac seria anunciada como “vacina do Brasil”, mas que o acordo foi desfeito após declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo ele, os problemas na negociação com o ministério atrasaram o cronograma e o Brasil perdeu posição na lista de atendimento por parte da SinoVac. Isso teria levado a um atraso em todo o fornecimento e no início da vacinação, que só ocorreu em janeiro deste ano.

“O Brasil poderia ter sido o primeiro país a começar a vacinação não fossem esses percalços”, afirmou. “Poderíamos ter começado antes, seguramente, se houvesse agilidade maior de todos os atores, se tivéssemos trabalhado juntos.”

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Na quinta, o presidente Jair Bolsonaro entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para barrar restrições impostas por governadores do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraná para evitar o avanço da Covid-19.

É a segunda tentativa de Bolsonaro de barrar no STF restrições em março sua iniciativa fracassou. A iniciativa anterior não foi subscrita pelo então chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), José Levi Mello, que acabou deixando o cargo. A nova ação é subscrita pelo novo chefe da AGU, André Mendonça, um dos candidatos à escolha de Bolsonaro para a vaga de ministro do Supremo.

Além disso, na quinta, o prefeito de Guarulhos, Gustavo Costa, enviou um ofício aos ministros da Defesa, Braga Netto, e da Saúde, Marcelo Queiroga solicitando o fechamento do espaço aéreo para voos comerciais pelos próximos 15 dias.

O objetivo é evitar que passageiros vindos do exterior propaguem novas cepas, como a indiana. Caso esse pedido não seja acatado, o prefeito pede a elaboração de um novo protocolo para fortalecer a barreira sanitária no aeroporto de Guarulhos, um dos mais importantes do Brasil.

O Ministério da Saúde já contabiliza 8 casos de infecções por Covid com a variante detectada primeiramente na Índia, que é mais contagiosa que a variante original.

Além disso, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou na quinta que o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, precisa ser punido por ter participado de ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro para evitar que a “anarquia se instaure” nos quartéis.

O regimento interno das Forças Armadas proíbe militares da ativa de participarem de qualquer ato político. A punição pode ir de uma advertência até a prisão. Mas, no último domingo, o general Pazuello subiu sem máscara em um carro de som no Rio de Janeiro e falou a apoiadores do presidente que se aglomeravam para ouvi-lo, após Bolsonaro liderar uma “motociata” na cidade.

“A regra tem que ser aplicada para evitar que a anarquia se instaure dentro das Forças, porque assim como tem gente que é simpática ao governo, tem gente que não é. Então, cada um tem que permanecer dentro da linha que as Forças Armadas têm que adotar. As Forças Armadas são apartidárias. Elas não têm partido. O partido das Forças Armadas é o Brasil (…) “O Exército vai seguir os trâmites previstos no regulamento e, se o comandante chegar à conclusão que tem que aplicar uma punição ao Pazuello, ele vai aplicar”, disse o vice-presidente, que é general da reserva.

Racionamento de energia, rating do Brasil e delação

Reportagem do jornal Valor Econômico a partir de informações de bastidores afirma que autoridades do governo já consideram a possibilidade de criar um “comitê de crise” para pensar estratégias que possam afastar o risco de blecaute por déficit na oferta de energia no sistema brasileiro. O setor elétrico do país vem sendo afetado pela crise hídrica.

Segundo fontes do jornal cujo nome não foi revelado, o assunto dominou a reunião de quinta-feira do CMSE (Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico). O comunicado oficial, divulgado após o encontro, afirma que o setor enfrentou o pior regime de chuvas, entre setembro e maio, em 91 anos.

Autoridades afirmam que o ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque teria ficado irritado ao ser surpreendido sobre a gravidade da crise, que pode não ser contornada apenas com o acionamento de térmicas.

De acordo com uma fonte oficial cujo nome não foi revelado, o governo estuda a possibilidade de racionar energia, como ocorreu em 2001, próximo ao final do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Outra medida estudada é uma combinação entre racionamento de energia e racionamento de água para poupar os reservatórios das hidrelétricas, e mesmo suspender a emissão de autorização para irrigantes.

Segundo o jornal, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) deverá destacar uma equipe técnica a partir da próxima segunda-feira (31) para pensar estratégias de forma reservada.

Na quinta, a agência de classificação de risco Fitch Ratings reafirmou o rating do Brasil em “BB-“, com perspectiva negativa. A agência destaca a deterioração das contas fiscais e o fardo da dívida diante da incerteza com a evolução da pandemia e o processo de vacinação.

A nota soberana atribuída ao Brasil pela Fitch mantém o país no grupo de maior risco de crédito, o chamado status “junk”. Moody’s (“Ba2”, perspectiva estável) e S&P (“BB-“, perspectiva estável) também classificam o rating do Brasil abaixo do grau de investimento.

“As pressões dos gastos públicos persistem e suporte fiscal adicional para lidar com as consequências da pandemia não pode ser descartado. As contínuas fragilidades fiscais, assim como o encurtamento da dívida, tornam o Brasil vulnerável a choques”, disse a Fitch em nota.

Por outro lado, a agência explicou que o rating “BB-” é sustentado, entre outros, pelas reservas internacionais robustas, alta renda per capita em relação a outros países e taxa de câmbio flexível.

A Fitch estima ainda que o Brasil crescerá 3,3% em 2021, com a expansão da atividade desacelerando a 2,5% em 2022. A base de comparação fraca após contração em 2020 e fatores externos, como os preços mais altos das commodities e a recuperação do crescimento global, sustentam a expansão deste ano, diz a Fitch.

E os ministros do STF formaram na quinta maioria para rejeitar a delação do ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, que foi alvo da operação Lava Jato e implicou uma série de autoridades com suas declarações, entre elas o ministro da Corte Dias Toffoli.

A corrente majoritária se manifestou contra um acordo de colaboração premiada firmado exclusivamente pela Polícia Federal sem a participação do Ministério Público Federal.

Há duas semanas, o ministro Edson Fachin já havia rejeitado pedido da PF para que a corte abrisse um inquérito contra o ministro Dias Toffoli após ter sido acusado, nessa delação de Cabral, de receber supostamente recursos ilegais em troca de sentenças, conforme reportagem da Folha de S. Paulo. Em nota, Toffoli afirmou, por meio da assessoria, não ter conhecimento dos fatos mencionados e disse que jamais recebeu os supostos valores ilegais.

Ainda em destaque, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Walton Alencar Rodrigues exigiu que o Palácio do Planalto e o Ministério da Economia entreguem, num prazo improrrogável de cinco dias úteis, cópias dos documentos do chamado “orçamento secreto”, informou o jornal O Estado de S. Paulo.

O jornal revelou no início do mês o que seria um orçamento paralelo, em que aliados do governo estariam sendo beneficiados com a liberação de recursos diretamente do Ministério do Desenvolvimento Regional para compra de equipamentos agrícolas.

Radar corporativo

A Afya, cujas ações são negociadas na Nasdaq, anunciou nesta quinta-feira acordo para comprar a Unigranrio, avaliando a companhia em R$ 700 milhões. O valor será pago 60% em dinheiro e o restante em quatro parcelas iguais anuais.

Já a Ecorodovias aponta que uma eventual realização da potencial oferta restrita está sob análise da empresa e de seus acionistas, sendo que, até a presente data, não há definição sobre o volume efetivo a ser captado, o preço por
ação e o cronograma para a sua implementação.

A Dotz precificou seu IPO, levantando R$ 420 milhões e com a ação precificada a R$ 13,20. O papel começa a negociar na segunda sob o ticker DOTZ3.

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