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O Ibovespa caminha para encerrar esta segunda-feira (5) com sua maior alta diária desde março de 2020, período marcado pela forte turbulência nos mercados provocada pelo início da pandemia de Covid-19.
Por volta das 16h, o principal índice da B3 avançava 8,95%, aos 209.307 pontos, depois de atingir 209.605 pontos na máxima do pregão. Na sessão anterior, havia fechado aos 192.114 pontos.
Caso o movimento seja mantido até o encerramento, será a maior valorização percentual do índice desde 24 de março de 2020, quando o Ibovespa subiu 9,69%.
Naquele pregão, os mercados globais reagiram à expectativa de aprovação de um pacote de estímulos de cerca de US$ 2 trilhões nos Estados Unidos e a outras medidas adotadas para conter os impactos econômicos da pandemia.
A disparada desta segunda-feira ocorre após o primeiro turno da eleição presidencial e em uma sessão marcada também por fortes movimentos em ações de grande peso no índice.

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Maior alta em mais de seis anos
O movimento desta segunda-feira se destaca mesmo diante dos episódios de forte volatilidade registrados desde a pandemia.
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Desde março de 2020, nenhuma sessão registrou avanço superior ao observado nesta segunda-feira. A última referência maior continua sendo justamente aquele período.
Em 13 de março daquele ano, o Ibovespa saltou 13,91%, depois de uma sequência de quedas provocadas pela disseminação da Covid-19 e pela aversão global ao risco.
Segundo a própria B3, aquele pregão foi a 14ª maior alta diária da história do Ibovespa.
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Onze dias depois, em 24 de março, veio o avanço de 9,69%, que permanece como a última sessão com valorização superior à registrada nesta segunda-feira, considerando o percentual observado até o fim da tarde.
Há, porém, uma diferença importante entre os dois momentos.
Em março de 2020, as grandes altas ocorreram em meio a uma recuperação após quedas abruptas. O Ibovespa havia desabado de níveis superiores a 100 mil pontos para a região dos 60 mil em poucas semanas.
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Agora, a valorização ocorre com o índice acima dos 200 mil pontos e renovando máximas históricas.
Altas históricas chegaram a superar 30%
O avanço desta segunda-feira é excepcional para os padrões recentes, mas ainda permanece distante dos maiores saltos percentuais já registrados pelo Ibovespa.
Os movimentos mais extremos se concentram sobretudo nos anos 1990, período marcado por inflação elevada, planos econômicos, crises cambiais e mudanças profundas na estrutura da economia brasileira.
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Outros episódios ocorreram em momentos de estresse internacional, como a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19 em 2020.
O recorde pertence a 4 de fevereiro de 1991, quando o Ibovespa disparou 36,05%, no início do Plano Collor 2.
A tabela abaixo reúne alguns dos maiores pregões de alta do Ibovespa e outros marcos históricos relevantes.
| Data | Alta diária | Contexto |
|---|---|---|
| 04/02/1991 | +36,05% | Maior alta diária da história do Ibovespa. O salto ocorreu no primeiro dia do Plano Collor 2, em meio à expectativa de controle da inflação. |
| 15/01/1999 | mais de 33% | O movimento ocorreu durante a crise cambial brasileira, com a adoção do regime de câmbio flutuante e forte desvalorização do real. |
| 13/10/2008 | +14,66% | A Bolsa reagiu aos esforços de governos e bancos centrais contra a crise financeira global, depois de uma sequência de fortes perdas. |
| 13/03/2020 | +13,91% | Em meio ao choque inicial da pandemia, o índice teve forte recuperação após sessões marcadas por circuit breakers e perdas acentuadas. |
| 22/02/1994 | +13,4% | O pregão ocorreu em meio às fortes oscilações que antecederam a implantação da URV e do Plano Real. |
| 28/12/1992 | +13,0% | A sessão ocorreu em um período de inflação elevada e forte volatilidade dos ativos brasileiros. |
| 19/05/1994 | +12,1% | A aprovação da medida provisória da URV ajudou a impulsionar a Bolsa, junto com a volta de estrangeiros e a queda dos juros. |
| 23/02/1995 | +12,01% | Declarações sobre uma possível privatização das empresas de telecomunicações impulsionaram papéis do setor. |
| 24/03/2020 | +9,69% | Os mercados reagiram à expectativa de um pacote de cerca de US$ 2 trilhões nos EUA e a outras medidas de estímulo contra os efeitos da pandemia. |
| 05/10/2026* | +8,95% | O Ibovespa avançava quase 9% após o primeiro turno e superava os 209 mil pontos. |
*Cotação próxima das 16h. O percentual será atualizado após o fechamento.
Crises concentram os maiores saltos
A série histórica mostra que as maiores altas percentuais do Ibovespa não significam necessariamente períodos de tranquilidade ou otimismo prolongado.
Muitos desses movimentos ocorreram durante ou imediatamente depois de episódios de forte estresse, quando quedas acentuadas eram seguidas por recuperações igualmente intensas.
Foi assim na crise financeira internacional de 2008 e novamente em março de 2020, quando o choque provocado pela pandemia levou a Bolsa brasileira a acionar repetidamente o mecanismo de circuit breaker.
Nos anos 1990, a elevada volatilidade refletia também mudanças estruturais na economia brasileira, inflação elevada, alterações no regime cambial e diferentes programas de estabilização.
O pregão desta segunda-feira apresenta uma característica diferente de boa parte desses episódios. O avanço ocorre com o Ibovespa em região de máxima histórica, e não após um colapso comparável ao observado em 2008 ou 2020.
Na máxima do dia, o índice chegou aos 209.605 pontos, ante 192.114 pontos no fechamento anterior.