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SÃO PAULO – Mais uma semana de extrema volatilidade nos mercados, intervenções governamentais em âmbito global, fracos indicadores econômicos, compilados em sessões históricas. Mas a diferença da terceira semana de outubro para as últimas fica com o sinal dos mercados: a bolsa brasileira dá trégua após três semanas seguidas no vermelho enquanto o dólar comercial passa por ajuste após um rali de alta que já durava sete semanas.
Para compreender o caminhar dos mercados entre 13 e 17 de outubro, é preciso voltar uma semana atrás e repassar os acontecimentos da noite de 10 de outubro e do final de semana. O encontro do G-7 (grupo composto pelas sete economias mais desenvolvidas do globo) marcou a união global para conter os avanços da crise de crédito e a União Européia, assim como o Reino Unido, acordou o refinanciamento de bancos.
Tais eventos injetaram ânimo nos mercados no início da semana, abalado ao decorrer dos dias por indicadores que mostravam potências econômicas à beira da recessão. Mesmo assim, prevaleceu o sentimento de que o elevado intervencionismo de governos e autoridades nos mercados globais pode mitigar os efeitos da crise financeira.
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Mais história nos mercados
Os eventos do final de semana contaram ainda com ação conjunto do Federal Reserve com os bancos centrais de União Européia, Inglaterra e Suíça na promoção de novos leilões de financiamento. O resultado foi uma segunda-feira singular às bolsas: o Ibovespa disparou 14,66%, maior valorização percentual em quase 10 anos, o Dow Jones experimentou sua maior alta em pontos da história e os índices Nasdaq e S&P 500 ganharam 11%.
Um dia depois o governo norte-americano confirmava que iria adquirir participação no capital de grandes conglomerados financeiros privados e detalhava o programa de compra de commercial papers. As notícias de alento terminavam por aqui.
Discurso de Bernanke trouxe tom cauteloso e perspectiva de que a recuperação dos mercados deve demorar mais do que o anteriormente previsto. Janet Yellen, presidente do Federal Reserve de São Francisco, disse que os EUA já se encontram em recessão. A divulgação do Livro Bege evidenciou a fragilidade econômica do país, assim como a forte queda nas vendas ao varejo norte-americano em setembro. A quarta-feira também foi histórica, mas por seu apelo negativo: Wall Street encarou sua pior sessão desde o crash do mercado em 1987.
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A maior economia do mundo reservava mais índices negativos. O recuo na produção industrial foi maior que o previsto e o índice que mede a confiança do consumidor norte-americano marcou seu menor patamar da história.
Algum alívio veio do cenário corporativo. Depois de muita especulação, o Morgan Stanley finalmente acertou a venda de parte de seu capital para o grupo japonês Mitsubishi, a Google marcou bom desempenho no terceiro trimestre e os prejuízos reportados nos resultados de Citigroup e Merrill Lynch não foram tão profundos quanto o projetado por analistas. Fusões e aquisições voltaram à cena após o Citi afirmar, em teleconferência, que poderia se aproveitar da forte desvalorização dos ativos no mercado para ir às compras e a Microsoft, na mesma linha, declarou que a aquisição do Yahoo! ainda faria sentido a seu plano de negócios.
O saldo da disparada do início da semana, turbulência intermediária e tentativa de retomada final foi, finalmente, uma semana positiva aos principais índices de ações nos EUA e na Europa.
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Mercado doméstico
Se o pregão em Wall Street é histórico, aqui também é. A segunda-feira teve a impressionante marca de 14,66% de alta ao Ibovespa e a quarta-feira teve derrocada de 11,39%, com direito a circuit breaker.
Além da influência de Wall Street, a renda variável doméstica também esteve à mercê da volatilidade no mercado de commodities, que, impactado pela perspectiva de menor consumo por conta do desaquecimento econômico global, marcou fortes perdas, em especial nos produtos energéticos e metálicos. Grande parte das maiores empresas em valor de mercado listadas na BM&F BOVESPA tem suas receitas atreladas a este mercado.
O Banco Central do Brasil, assim como seus pares globais, continuou ativo em sua conduta intervencionista, trazendo novas mudanças no compulsório, leilões de dólares no mercado, oferta de contratos de swap e empréstimo em moeda estrangeira a empresas exportadoras.
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O front corporativo contou com o plano de investimentos da Vale para 2009 de US$ 14,2 bilhões, venda de 40% da Namisa (pacote de mineração da CSN) para um consórcio siderúrgico da Ásia, aprovação das mudanças no PGO (Plano Geral de Outorgas) pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) – que aproximam a concretização da fusão entre Oi/Telemar e Brasil Telecom – e anúncio de prejuízo no terceiro trimestre pelas empresas de papel e celulose Aracruz e VCP.
As variações
Com apenas dois pregões de ganhos dentre os cinco da semana, o Ibovespa) acumulou valorização de 2,22% na terceira semana de outubro, devolvendo parte das perdas registradas nas três semanas anteriores.
O ajuste do dólar comercial foi evidente. Com os negócios no mercado cambial fortemente influenciados pelas contínuas intervenções do Banco Central, a divisa norte-americana recuou 8,64% e fechou a semana cotada a R$ 2,116.
No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2010, que vem apresentando maior liquidez, projetou taxa de 14,74% na sexta-feira, baixa de 0,25 ponto percentual diante do valor do final da semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 13,03%, com alta na passagem semanal.
Destaques da agenda econômica da quarta semana do mês
Dentro do calendário econômico da quarta semana de outubro, os investidores estarão atentos nos EUA aos dados do setor imobiliário referentes ao mês de setembro.
No cenário nacional, a ênfase fica para o IPCA-15 (Índice de Preço ao Consumidor Amplo – 15) e para a Pesquisa Mensal do Emprego, ambos elaborados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Merece atenção também o vencimento de opções sobre ações na BM&F Bovespa, programado para a segunda-feira (20).