Números de fechamento

Ibovespa interrompe sequência de alta e fecha em leve queda; dólar cai pelo terceiro dia seguido

Bolsa brasileira se descolou do mercado de ações americano, onde as Bolsas despencaram sob pressão da alta de juros

Por  Mitchel Diniz

Depois de uma sessão inteira operando entre perdas e ganhos, o Ibovespa terminou o dia com uma ligeira queda. O índice recuou 0,15% no fechamento, aos 105.529 pontos e com um giro financeiro de R$ 27,4 bilhões. Frigoríficos, petrolíferas e ficaram entre as principais altas do Ibovespa no final do dia. Ações de tecnologia e varejo, entre as maiores baixas do índice.

Mais uma vez, a Bolsa brasileira se destacou em relação ao exterior, com os índices em Nova York cedendo mais uma vez à expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos.

No Brasil, por sua vez, um dado um pouco mais animador: o volume de serviços cresceu 2,4% em novembro do ano passado frente outubro, bem acima do esperado. Contudo, segundo economistas do mercado financeiro, o momento exige cautela, com um cenário desafiador no horizonte.

“Uma notícia muito boa faz preço, depois o investidor vende e a Bolsa oscila durante o dia. Não tem nenhuma notícia muito ruim de fato nem notícias internas que consigam dar sustentabilidade ao índice, que fica exposto à pressão de queda que vem lá fora”, afirma Rodrigo Franchini, sócio do Monte Bravo Investimentos.

“A notícia de hoje que pode dar uma luz do que ainda está por vir é o decreto de Bolsonaro cedendo mais autonomia à Casa Civil na execução do Orçamento. E colocando Paulo Guedes mais como coadjuvante do que protagonista nessa pauta”, afirma João Beck, economista e sócio da BRA.

Os índices em Wall Street chegaram a subir durante parte do pregão, mas passaram para o vermelho após falas da nova vice-presidente do Federal Reserve, Lael Brainard, no Senado.

Ela confirmou que o tapering (retirada de estímulos) se encerra no fim do primeiro trimestre deste ano e que, após esse processo, o Fed estará pronto para iniciar altas dos juros.

Os preços ao produtor nos EUA (PPI), divulgados pela manhã, fecharam o ano de 2021 com alta de 9,7%, maior nível desde o início da série histórica, mas abaixo do esperado.

As Bolsas nos Estados Unidos sofreram uma forte baixa nesta quinta-feira (13). O Dow Jones fechou em queda de 0,48% a 36.115 pontos; o S&P 500 recuou 1,42%, a 4.659 pontos; a Bolsa de tecnologia Nasdaq, mais sensível a alta dos juros, fechou em baixa de 2,51%, a 14.806 pontos.

“O Fed [Banco Central Americano] vem elevando cada vez mais o tom em relação a necessidade de ajuste de sua política monetária. A alta da taxa de juros lá fora pode pressionar para cima a nossa taxa de juros daqui”, diz Beck.

No mercado de juros futuros, os contratos terminaram a sessão com tendências mistas: o DI para janeiro de 2023 subiu oito pontos-base, a 11,94%; DI para janeiro de 2025 fechou em 11,20; para 2027, em 11,16%; e para janeiro de 2029, em 11,27% – os três vencimentos fecharam estáveis.

Fechando em queda pelo terceiro dia consecutivo, o dólar recuou 0,10%, a R$ 5,529 na compra e a R$ 5,530 na venda. Na máxima de hoje, atingiu R$ 5,556 e na mínima R$ 5,501.

As Bolsas europeias fecham de forma mista, com os investidores digerindo os últimos dados de inflação nos EUA.

  • Euro Stoxx 600: -0,03%
  • DAX (Frankfurt): +0,13%
  • FTSE 100 (Londres): +0,16%
  • CAC 40 (Paris): -0,50%

Os preços do petróleo no mercado internacional, por sua vez, recuaram.

  • WTI (fevereiro): -0,98% (US$ 81,93)
  • Brent (março): -0,57% (US$ 84,19)

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