Pré-mercado

Ibovespa futuro acompanha Wall Street e cai mais de 1%, com preocupações sobre inflação; dólar sobe

Os juros futuros operam com alta expressiva; vencimentos mais longos sobem mais de 20 pontos-base

Por  Mitchel Diniz -

O Ibovespa futuro abriu os negócios desta terça-feira (24) em baixa, acompanhando o desempenho negativo do pré-mercado em Nova York. As preocupações com a escalada da inflação e o aperto monetário ao redor do mundo voltam a pesar sobre os negócios

“A verdade é que o mundo está inserido nesse contexto negativo há quase dois meses, ou seja oito semanas de bear market global, acentuado pelas perspectivas cada mais necessárias de um aperto monetário forte e em escala global”, afirma Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Aqui no Brasil, o IPCA-15 avançou 0,59% em maio na comparação com abril: ficou bastante abaixo da taxa do mês anterior (de 1,73%), mas veio acima das expectativas do mercado.

Além disso, a Bolsa brasileira deverá repercutir mais uma troca no comando da Petrobras, enquanto os preços do petróleo encontram fôlego para subir.

As commodities são pressionadas por previsões de crescimento mais fracas para a economia chinesa. O JP Morgan reduziu a projeção do PIB da China em 2022 de 4,2% para 3,7%. O UBS cortou sua projeção de 4,2% para 3%. Ainda que o país esteja dando sinais de flexibilização em sua política de Covid Zero, os recentes lockdowns já deixaram um impacto negativo na economia chinesa ao longo deste segundo trimestre.

Na Bolsa de Dalian, o minério de ferro recuou 3,54% para 830.500 yuanes.

Às 9h18 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro para junho operava em alta de 1,03%, aos 108.985 pontos.

O dólar comercial abril com tendência de alta e avança 0,59%, a R$ 4,83 na compra e R$ 4,834 na venda.

Os juros futuros subiam: DIF23, +0,15 pp, a 13,42%; DIF25, +0,25 pp, a 12,29 %; DIF27, +0,24 pp, a 12,04%; e DIF29, +0,24 pp, a 12,12%.

O pré-mercado em Nova York também indica uma sessão negativa para esta terça-feira, sobretudo para as ações de tecnologia. A Snapchat disse que está se preparando para perder as metas de lucros e receita no trimestre atual e alertou para uma desaceleração nas contratações. Mais cedo, os futuros da Nasdaq, Bolsa de empresas de tecnologia, chegavam a recuar mais de 2%, porém reduziram as perdas.

O Dow Jones futuro agora cai 0,73%, enquanto os futuros do S&500 e da Nasdaq recuavam, respectivamente, 1,16% e 1,77%.

Na agenda do dia, têm os PMI’s (índice de gerentes de compras) referentes à indústria e ao setor de serviços. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, também fará um discurso em um evento com empresários no começo da tarde. Como sempre, os investidores devem acompanhar a fala do chairman em busca de pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária em relação à taxa de juros.

Na Zona do Euro, o PMI industrial atingiu 54,4 em maio e o industrial foi  56,3 – ambos vieram abaixo do esperado. Também foi assim no Reino Unido, onde o PMI industrial atingiu 54,6 e o de serviços, 51,8. Na Alemanha, contudo, o PMI industrial superou um pouco as expectativas, a 54,7. Já o PMI de serviços também veio menor que o previsto, em 56,3.

Depois que a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que os juros devem ser elevados ao final de setembro, os rendimentos dos títulos públicos subiram em diferentes países do bloco, como Itália e Grécia. O mercado acredita que o BCE pode elevar os juros em 50 pontos base no terceiro trimestre.

Os mercados asiáticos fecharam em forte baixa, puxados pela queda das ações de tecnologia. Investidores avaliam possível corte de tarifas dos EUA sobre produtos da China e medidas de estímulos por parte das autoridades chinesas. Mas a política de Covid Zero do dragão asiático parece já ter provocado danos difíceis de reparar. O JP Morgan prevê uma contração de 5,4% no PIB chinês para o segundo trimestre deste ano.

No Japão o PMI Industrial ficou em 53,2 em maio, e o PMI de serviços atingiu 51,7. Ambos ficaram acima do esperado, porém confirmaram o aumento em ritmo mais lento em três meses, mostrando que gargalos na oferta têm causado desaceleração na produção.

Em notícias corporativas, a Toyota Motor disse nesta terça-feira que cortará a produção global em cerca de 100.000 a 850.000 em junho, devido à escassez de semicondutores. As ações da montadora japonesa caíram 0,56%.

Análise técnica por Pamela Semezatto, analista de investimentos e especialista em day trader da Clear Corretora

Ibovespa

“Conseguiu romper a resistência de 109.000 com uma barra com muito deslocamento que mostra força na compra, se aproxima de uma resistência intermediaria e media aritmética de 200 no gráfico diário (111.400) que caso seja rompida pode buscar a resistência de 115.000.”

Dólar

“Segue em tendência de baixa em um prazo maior, porém, para essa tendência de baixa se confirmar, precisa  romper o fundo anterior e suporte de R$ 4.650. Os últimos candles de baixa não mostram muita força, já que a abertura está acontecendo em GAP de baixa e não tem muito deslocamento durante o dia. Mas para reverter esse movimento, ainda precisa romper o topo de R$ 5,300.”

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