Números de fechamento

Ibovespa fecha em queda e segue abaixo dos 99 mil pontos; dólar vai a R$ 5,32

O dólar fechou em ligeira alta e os juros também avançaram, com percepção de riscos fiscais

Por  Mitchel Diniz -

O Ibovespa zerou ganhos na última hora de negócios e fechou a sessão desta segunda-feira (4) em queda. O índice operou hoje sem a referência de Wall Street, já que as Bolsas americanas tiveram um fim de semana prolongado e permanecerem fechadas, com o feriado de independência dos Estados Unidos. O mercado brasileiro de ações, porém, repercutiu novas medidas de restrição contra a Covid-19 na China e segue impactado pelos riscos fiscais internos.

A três meses das eleições, o governo federal corre contra o tempo para aprovar, na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Auxílios, que cria benefícios sociais e amplia programas já existentes, por meio da abertura de R$ 41,25 bilhões em créditos extraordinários, e institui estado de emergência até o final do ano.

O governo quer ver a PEC dos Auxílios promulgada pelo Congresso Nacional até 17 de julho, quando começa o recesso parlamentar. Isso exigirá uma tramitação diferenciada para a proposta, muito mais acelerada do que o andamento natural de matérias desta natureza.

“Indo mais além, o próximo governo, seja quem for, terá que fazer um ajuste fiscal se quisermos garantir estabilidade econômica. Mas será que isso vai ser prioridade? Isso com certeza entra na conta dos investidores, principalmente do gringo na hora de avaliar o risco Brasil”, afirma Juan Espinhel, especialista em investimentos da Ivest Consultoria.

Empresa de peso na carteira do Ibovespa, a Petrobras (PETR3;PETR4) operou em alta consistente ao longo do dia e fechou em alta de mais de 2% acompanhando mais uma valorização no preço internacional do petróleo, com perspectiva de oferta mais restrita da matéria-prima. Mas o índice acabou cedendo à pressão negativa de outras blue chips, como Itaú (ITUB4) (-0,96%), Bradesco (BBDC4) (-1,06%) e Vale (VALE3) (-0,57%).

O Ibovespa fechou em queda de 0,35%, aos 98.608 pontos. O volume financeiro negociado na sessão ficou em R$ 11,2 bilhões, bem abaixo do média, por conta do feriado americano.

“Essa inversão do sinal é relativamente comum em dias assim, da baixa liquidez, já que o Ibovespa não estava subindo com muita ‘convicção’, ou seja, com um volume”, explica Espinhel.

As baixas do Ibovespa foram encabeçadas por IRB (IRBR3) (-4,63%), Yduqs (YDUQ3) (-4,31%) e Magazine Luiza (MGLU3) (-3,18%). Nas maiores altas, ficaram Hapvida (HAPV3) (+7,47%), Locaweb (LWSA3) (+4,2%) e BRF (BRFS3) (+2,15%).

“Temos o setor do varejo sofrendo mais uma vez devido ao contexto atual em que estamos inseridos com juros altos e elevação da percepção do risco fiscal”, diz Idean Alves, sócio da Ação Brasil Investimentos.

O dólar comercial fechou em ligeira alta de 0,09%, a R$ 5,325 na compra e R$ 5,326 na venda. O dólar futuro para agosto era negociado a R$ 5,364, em queda de 0,16% nos últimos negócios do after market.

Os juros futuros fecharam em alta na sessão regular, impulsionados pela percepção de risco fiscal, e ampliaram ganhos na sessão estendida: DIF23, +0,02 pp, a 13,72%; DIF25, + 0,12 pp a 12,76%; DIF27, + 0,09 pp, a 12,70%; e DIF29, + 0,06 pp, a 12,84%.

Enquanto isso, no outro lado do mundo, cidades do leste da China apertaram restrições contra a Covid-19, após surgirem novos grupos de pessoas contaminadas. Wuxi, um centro fabril no delta do rio Yangtze, na costa central, interrompeu as operações em muitos locais públicos, incluindo lojas e supermercados. Os serviços de refeições em restaurantes foram suspensos e o governo aconselhou as pessoas a trabalharem de casa.

O condado de Si, na província de Anhui, por sua vez, colocou seus 760 mil moradores em lockdown e suspendeu o tráfego público, depois de registrar 288 casos no sábado. Anhui foi responsável pela maioria das novas infecções na China.

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