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Ibovespa fecha em baixa de 0,24%, mas se afasta das mínimas; sessão é marcada por exterior em queda e ata do Copom

Ata do Copom, descartando cortes maiores, e melhora do preço do petróleo no exterior afastaram a Bolsa das mínimas do dia

Vitor Azevedo Lara Rizério

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O Ibovespa fechou em queda de 0,24% nesta terça-feira (8), aos 119.090 pontos, no terceiro pregão consecutivo de baixas – mas, ao menos, longe da mínima do dia, quando chegou aos 117.491 pontos (queda de 1,58%).

O dia começou bem negativo, com uma forte aversão ao risco no exterior. Diversos fatores levam a uma queda dos ativos, divididos em dois pontos principais: dados frustrantes da China e noticiário de bancos (na Europa e nos EUA).

Conforme destaca a Ágora, durante a madrugada, mais uma vez, dados a respeito da economia chinesa frustraram: desta vez foram as exportações e importações em julho que vieram abaixo do esperado.

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As exportações da China recuaram 14,5% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado, para o equivalente a US$ 281,76 bilhões. Além de a queda ter sido mais intensa que a esperada pelo mercado – a projeção era de -12,5% – também foi o maior declínio desde fevereiro de 2020, no início da pandemia de covid-19. Em junho, a queda tinha sido de 12,4%.

Além disso, voltou ao radar as preocupações com as finanças de incorporadoras da região, com a importante incorporadora Country Garden não realizando pagamento de juros em dólar que eram previstos para o último dia 6 de agosto, em um montante de US$ 22,5 milhões.

Enquanto isso, os índices acionários europeus foram pressionados novamente por uma leitura negativa sobre a dinâmica de preços, uma vez que a inflação ao consumidor, o chamado CPI, de julho avançou para 6,2% na leitura anual na Alemanha, em linha com as estimativas, mas muito distante da meta de inflação.

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O noticiário sobre bancos, na Europa e nos EUA, também impactou negativamente o mercado. A decisão do governo italiano de taxar ganhos extras de suas instituições financeiras em 40% já criava o temor que outros países possam seguir a medida, afetando diversas ações do Velho Continente.

“No exterior o humor dos agentes foi impactado pela divulgação aquém das expectativas da balança comercial chinesa em julho, o rebaixamento de bancos nos EUA e a notícia de que a Itália teria concordado com impostos sobre o lucro dos bancos”, explica Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos.

“O mercado iniciou o dia bastante negativo, principalmente com dados da economia chinesa. Dados de exportações e importações vieram abaixo da expectativa do consenso nessa madrugada. Tivemos também alguns temores sobre o setor bancário, onde a Moody’s rebaixou o rating de bancos regionais americanos e a Itália anunciando taxa sobre lucro excedente taxada aí em 2023″, contextualiza Bruno Madruga,  sócio e head de renda variável da Monte Bravo Investimentos.

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O especialista da Monte Bravo explica que, no entanto, ao longo dia houve algumas melhoras que puxaram o Ibovespa.

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou uma contratação de 50 pontos-bases da Selic na próxima reunião, de queda, o que afasta o temor de cortes maiores. Nos últimos dias, a curva de juros brasileira andou reagindo negativamente à perspectiva de que as autoridades monetárias poderiam realizar um ciclo de queda exageradamente acelerado por conta de pressões políticas.

Hoje, os DIs fecharam em queda. As taxas dos contratos de juros futuros para 2024 perderam três pontos-base, a 12,46%, e as dos contratos para 2025, 10 pontos, a 10,45%. Os DIs para 2027 foram a 9,97%, com menos 13,5 pontos, e os para 2029, a 10,43%, com menos, 13 pontos. Os DIs para 2031 fecharam a 10,71%, com menos 11 pontos-base.

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“A dinâmica das expectativas alinhadas à Ata do Copom minimizou o impacto do cenário internacional. A ata deixou claro a convicção de uma recorrente redução de 0,5 p.p. nas próximas reuniões e um claro afrouxamento na dinâmica monetária, o que acaba beneficiando o crescimento por aqui e a percepção de lucratividade das empresas”, fala Sidney Lima, analista da Ouro Preto investimentos. “A recuperação do petróleo lá fora também deu fôlego para que empresas do setor colaborassem com o movimento de recuperação do Ibovespa, como no caso da Petrobras”.

O barril de petróleo Brent operou em queda por boa parte do pregão, tocando os US$ 83,32 dólares na mínima, mas fechou com alta de 0,81%, a US$ 86,03.

Os preços do petróleo subiram nesta terça-feira, com uma agência do governo dos Estados Unidos projetando uma perspectiva mais otimista para a economia, mas dados pessimistas sobre as importações e exportações de petróleo da China pesaram.

Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram, respectivamente, 0,45%, 0,42% e 0,79% – mas também longe das mínimas do dia, que foram perto da abertura.

O dólar, por fim, subiu apenas 0,06% frente ao real, negociado a R$ 4,787 na compra e a R$ 4,898 na venda, após ter chegado a atingir os R$ 4,94 na máxima do dia.

(Com Reuters)