Números de fechamento

Ibovespa fecha com alta de 1,54% em dia de poucos ruídos políticos; balanços das empresas impulsionaram a Bolsa

Investidores deixaram PEC dos Precatórios em segundo plano para repercutir os balanços das companhias no terceiro trimestre

Por  Mitchel Diniz

SÃO PAULO – Em um dia de poucos ruídos políticos como há semanas não se via, o Ibovespa encontrou espaço para repercutir a enxurrada de resultados corporativos que saíram antes da abertura da Bolsa e continuam após o fechamento. A temporada de balanços se aproxima da reta final e, por fim, o investidor arrumou algum espaço para tomar decisões com base nos fundamentos das companhias – e não apenas nas decisões do Congresso.

“Quando a barreira de más notícias some, a Bolsa segue seu fluxo normal, repercutindo balanços de empresas e notícias no exterior”, explica Fábio Sobreira, analista da Ivest Consultoria de Investimentos. No exterior também houve pouca surpresas. Com o feriado do Dia dos Veteranos nos Estados Unidos, as Bolsas em Nova York funcionaram normalmente, mas diante de uma agenda de indicadores econômicos esvaziada e com o mercado de títulos públicos fechado.

Aqui no Brasil, o indicador do dia não foi exatamente animador: o desempenho do varejo veio pior que o esperado, mas não impediu que a Bolsa subisse. As vendas do segmento em setembro sofreram um tombo de 1,3% na comparação com agosto, bem maior que o esperado pelos economistas, que projetavam recuo de 0,6%. Na comparação anual, a queda foi de 5,5%, também superando as expectativas de 4,25%.

“O mercado preferiu enxergar o copo meio cheio, interpretando o dado pelo retrovisor, como algo já passado. Porém, a atividade mais fraca pode induzir o Banco Central a não acelerar ainda mais o aperto monetário, reduzindo as apostas de aumento da Selic mais forte do que o sinalizado, com mais chances de ajuste em 1,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom”, afirma Alexandre Nishimura, economista e sócio da BRA.

Para as empresas, juros mais baixos implicam em custos de capital menores e as ações também têm menos chances de perder atratividade para ativos de renda fixa.

Em Brasília, o emedebista Fernando Bezerra Coelho foi indicado como relator da PEC dos Precatórios no Senado. O texto aprovado em segundo turno da Câmara deve ser discutido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na penúltima semana deste mês e pode ir a plenário em poucos dias, caso haja acordo entre os parlamentares. O governo tem pressa para que o Auxílio Brasil de R$ 400 seja pago ainda este ano.

O Ibovespa fechou em alta de 1,54% aos 107.594 pontos. O volume negociado foi de R$ 32,04 bilhões. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro de 2021 subiu 1,55% a 108.470 pontos.

Na máxima do dia, a Bolsa chegou a subir mais de 2% e testou o patamar dos 108 mil pontos. “A análise técnica mostra que houve uma realização de lucros, o que é natural entre pessoas que operam Bolsa no curto prazo”, afirma Fábio Sobreira.

O dólar comercial voltou a cair forte hoje e recuou 1,74% a R$ 5,404 na compra e 5,404 na venda. O dólar futuro para dezembro de 2021 caiu 1,7% a R$ 5,416.

No mercado de juros futuros, os contratos recuaram: o DI para janeiro de 2023 caiu 24 pontos-base, a 11,96%; DI para janeiro de 2025 recuou 15 pontos-base a 11,75%; e o DI para janeiro de 2027 caiu nove pontos-base, a 11,64%.

As Bolsas em Nova York fecharam com tendências mistas depois de dois dias seguidos de queda. O Dow Jones fechou em baixa de 0,44%, a 35.921 pontos; S&P teve alta de 0,05%, a 4.649 pontos; e o Nasdaq avançou 0,52%, a 15.704 pontos.

Na sessão de quarta-feira, as Bolsas cederam influenciadas por resultados corporativos mais fracos e o avanço da inflação ao consumidor em outubro, acima do esperado. O índice PCI atingiu seu maior nível em 30 anos, renovando preocupações sobre a escalada de preços no país e no mundo.

No mercado de commodities, as cotações do petróleo tiveram forte volatilidade hoje e fecharam próximas da estabilidade: o preço do barril do Brent caiu 0,15% a US$ 82,52 e o do WTI recuou 0,27% a US$ 81,12.

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