Bolsa

Ibovespa descola de Wall Street e fecha em leve baixa com cautela do investidor local; dólar cai 1,2%

Segundo analistas, mesmo com agenda vazia e Congresso em recesso, cenário doméstico ainda inspira desconfiança

Por  Mitchel Diniz

O Ibovespa terminou o penúltimo pregão antes do Natal em baixa. Ainda que distante das mínimas do dia, a Bolsa brasileira descolou novamente dos mercados estrangeiros, onde os índices voltaram a subir. O comportamento contrário ao exterior, segundo analistas, está relacionado a um sentimento de cautela sobre o mercado interno, mesmo com a agenda fraca de indicadores e o Congresso entrando em recesso.

Para César Mikail, gestor de renda variável da Western Asset, a Bolsa continua sendo prejudicada pelos resgates em fundos de equity, com o investidor local tendo menor apetite por risco diante de juros mais elevados. “Ao mesmo tempo você não tem um comprador marginal, pois os estrangeiros estão meio ‘de lado'”, afirma Mikail.

Além disso, com um baixo volume de negociações, o mercado acaba se movimentando de acordo com as decisões de poucos investidores, que estão mais cautelosos neste final de ano, diminuindo as chances de um rali. “Não tem ninguém aumentando risco hoje”, afirma Mikail, citando os temores do investidor com riscos fiscais, inflação alta e juros de dois dígitos no ano que vem, o que aumenta a atratividade da renda fixa, mesmo com a Bolsa descontada.

Lá fora, o mercado que começou a semana abalado pelo avanço da variante ômicron do coronavírus, teve seu segundo dia consecutivo de recuperação. Nos últimos dias, Alemanha, Escócia, Irlanda, Portugal, Holanda e Coreia voltaram a adotar bloqueios e restrições, mas, nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden descartou a possibilidade de novos lockdowns.

Na ocasião, Biden também afirmou que ainda há chances de se chegar a um acordo para que seu plano econômico, intitulado Build Back Better, seja aprovado no Congresso, ainda que menor do que os US$ 2 trilhões previstos atualmente.

O Orçamento da União para 2022, aprovado ontem no Congresso e pendente de sanção presidencial, também adicionou uma dose extra de cautela nos investidores da Bolsa brasileira, em relação a riscos fiscais.

O salário mínimo previsto para vigorar a partir de 1º de janeiro de 2022 é de R$ 1.210. O programa Auxílio Brasil, que substitui o Bolsa Família, terá R$ 89 bilhões. O fundo eleitoral vai repartir R$ 4,9 bilhões. A área da Saúde terá mais de R$ 147 bilhões e a Educação, mais de R$ 113 bilhões. Os deputados aprovaram a matéria com 358 votos contra 97; os senadores, com 51 votos contra 20.

“Após o alargamento do teto de gastos e o não pagamento de precatórios, o Orçamento de 2022 parece crível, mas não será executado sem desafios”, disseram os analistas da XP em relatório.

O Ibovespa fechou em queda de 0,24%, aos 105.243 pontos. O volume negociado no dia ficou em R$ 18,39 bilhões. O Ibovespa futuro para fevereiro de 2022 tinha queda de 0,08%, aos 106.565 pontos, nos últimos negócios do dia.

O dólar comercial fechou em baixa de 1,24%, a R$ 5,667 na compra e R$ 5,668 na venda, na maior baixa percentual em duas semanas. O dólar futuro, no contrato com vencimento em janeiro caía 1,5%, a R$ 5,668 próximo ao fechamento.

O cenário mais ameno no exterior foi decisivo para que o dólar aprofundasse as quedas por aqui, assim como a menor liquidez típica de fim de ano, que intensificou os movimentos.

Na sessão estendida do mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2023 caiu três pontos-base, a 11,37%; DI para janeiro de 2025 recuou dois pontos-base a 10,40%; e o DI para janeiro de 2027 caiu um ponto-base, a 10,34%.

Nos Estados Unidos, as Bolsas também foram impulsionadas pelo PIB do terceiro trimestre, que foi revisado de 2,1% para 2,3%. É mais um dado que corrobora com a postura mais hawkish do Banco Central Americano (Federal Reserve). A autoridade monetária se prepara para encerrar o programa de compra de títulos públicos até março do ano que vem e realizar três ajustes para cima na taxa básica de juros ainda em 2022.

O Dow Jones fechou em alta de 0,74% a 35.753 pontos; O S&P 500 avançou 1,02%, a 4.696 pontos; e a bolsa de tecnologia Nasdaq fechou em alta de 1,18% ,a 15.521 pontos.

Na Europa, o indicador de destaque foi o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido, que cresceu 1,1% no terceiro trimestre ante o anterior, segundo a leitura final do dado, crescendo um pouco menos que o esperado.

Ainda assim, e mesmo com as restrições por conta do avança da variante ômicron, as Bolsas europeias também tiveram um dia de recuperação: o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em alta de 0,92%.

Os preços do petróleo também se firmaram no terreno positivo: o barril do Brent para fevereiro subiu 1,77%, a US$ 75,29; e o do WTI para fevereiro avançou 2,31%, a US$ 72,76.

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