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Ibovespa cai mais do que pares americanos, em dia marcado pela volatilidade; dólar recua 1,39%

No exterior, dia foi marcado pela perspectiva de que o crescimento econômico global será menor do que o esperado

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa fechou em queda de 0,96%, aos 99.621 pontos, nesta quarta-feira (29), dia marcado pela alta volatilidade. O principal índice da Bolsa brasileira chegou a abrir em alta, mas acabou cedendo durante a tarde.

Em parte, a movimentação se deu de forma simultânea ao que foi visto nos Estados Unidos, onde os índices também oscilaram. Por lá, porém, as quedas foram mais diminutas – S&P 500 e Nasdaq recuaram, respectivamente, 0,07% e 0,03%, enquanto o Dow Jones avançou 0,27%.

“O produto interno bruto (PIB) americano veio abaixo da expectativa, com queda de 1,6% no primeiro trimestre, ante consenso de 1,5%”, comenta Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo.

Segundo o especialista, o recuo da economia americana mais forte do que o esperado ajudou a retirar pressão dos treasuries yields. O título com vencimento em dez anos teve seu rendimento caindo 10,9 pontos-base, para 3,098%.

Nem mesmo o avanço do petróleo, com os estoques nos Estados Unidos recuando mais do que o esperado na semana, se sustentou ao longo do pregão – o barril Brent avançou pela manhã, mas acabou fechando em queda de 2,36%, negociado a US$ 115,20, também por conta da perspectiva de baixo crescimento econômico.

“A curva de juros brasileira fechou um pouco, acompanhando a curva americana, com o mercado adotando um tom um pouco mais negativo em relação ao crescimento global”, explica Sérgio Zanini, sócio e gestor da Galápagos Capital.

Os DIs para 2023 e 2025 tiveram suas taxas caindo dois e seis pontos-base, para 13,77% e 12,83%. Os DIs para 2027 e 2029 viram seus rendimentos terem baixas de 13 e 14 pontos, para 12,72% e 12,84%.

O dólar recuou 1,39% frente ao real, negociado a R$ 5,192 na compra e a R$ 5,193 na venda – mesmo com o DXY avançando 0,58%, aos 105,12 pontos.

A perspectiva de baixo crescimento global, ou recessão, afastou até mesmo os temores fiscais, após a publicação do projeto de emenda parlamentar (PEC) dos auxílios ser protocolado, com um impacto de R$ 40 bilhões e um estado de emergência.

Luiz Adriano Martinez, gestor da Kilima Asset, afirma que, além da perspectiva de crescimento global menor, o dia também foi marcado por um reposicionamento técnico – para ele, o Ibovespa teve performance pior do que os índices americanos por ter tido melhor desempenho do que eles nos outros dois pregões da semana. O real, do outro lado, vinha tendo desempenho pior, e se recuperou nesta quarta.

Ele aponta ainda que a publicação da PEC dos auxílios beneficiou companhias focadas no mercado interno. “O novo auxílio emergencial, apresentado à Câmara em relatório, deve trazer um impacto positivo para alguns papéis, como em Magazine Luiza (MGLU3), ao menos no curto prazo”, diz.

Entre as maiores altas do Ibovespa, além das ações ON da Magazine Luiza, que subiram 1,26%, figuraram as da Rede D’Or (RDOR3), que subiu 2,90%, e as da MRV (MRVE3), com mais 2,86%.

Do lado das maiores quedas, destaque para as ações ON da Qualicorp (QUAL3), que recuou 8,36%. As ON da Positivo (POSI3) e da CVC (CVCB3), por sua vez, caíram 6,36% e 5,52%.

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