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Ibovespa cai 3% na 1º sessão do ano, puxado por investidor local, após Lula manter desoneração de combustíveis

No exterior, a maioria das Bolsas permaneceram fechadas; dólar e juros subiram forte com aversão ao risco

Mitchel Diniz

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O Ibovespa levou um tombo no primeiro pregão de 2023 e encerrou a sessão próximo das mínimas do dia. A Bolsa brasileira operou hoje sem a referência de Wall Street, onde os mercados permaneceram fechados ainda em função dos festejos de Ano Novo. O mesmo ocorreu com a maioria das Bolsas na Europa e Ásia.

“Com praticamente todos os principais mercados fechados, só resta ao investidor local ser responsável pela movimentação do dia. E na ausência de indicadores macroeconômicos relevantes, as questões políticas acabaram prevalecendo nas decisões da sessão de hoje”, explicou Matheus Pizzani, economista da CM Capital.

Após o “revogaço” anunciado no domingo da posse, o primeiro dia útil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi marcado pela formalização dos novos ministros em seus cargos.

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Fernando Haddad assumiu o Ministério da Fazenda com um discurso amigável para o mercado, se comprometendo com a responsabilidade fiscal. Porém, já começou sofrendo uma derrota política, segundo os analistas. Por medida provisória, Lula renovou a desoneração dos combustíveis, que terminaria no último sábado (31), em sessenta dias para a gasolina e até o final do ano para o diesel e o GLP.

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“O PT precisa ter mais tranquilidade para governar e inflação é tudo o que as pessoas não gostam. Então a decisão foi política e uma derrota para o Haddad. Isso levanta o questionamento se o time econômico vai ser sempre derrotado no governo Lula”, disse Júnia Gama, analista de política da XP, em sua participação no Radar InfoMoney.

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“Em termos de novidades, não podemos acusar Lula de estar surpreendendo. Afinal ele está fazendo exatamente o que falou que iria fazer durante a campanha eleitoral”, diz análise assinada por Andre Leite, da Kairós Capital.

“Em termos de políticas, o que vai se desenhando é tudo aquilo que vimos presentes nos governos Lula 2 e Dilma, uma visão intervencionista na economia e sem cuidados com as contas fiscais”, complementou.

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O Ibovespa terminou o dia em baixa de 3,06%, aos 106.376 pontos. O giro financeiro da sessão foi de R$ 15,4 bilhões.

A queda ganhou magnitude com a forte baixa dos papéis da Petrobras (PETR3;PETR4), com o discurso mais intervencionista do novo governo, criticando a atual política de preços da petrolífera e afastando qualquer possibilidade de privatização da empresa.

Banco do Brasil (BBAS3) também sentiu a pressão negativa e fechou em queda de 4,23%.

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Diante do sentimento de aversão ao risco, o dólar comercial fechou o primeiro pregão do ano em alta de 1,51%, a R$ 5,359 na compra e R$ 5,360 na venda.

As preocupações com os riscos fiscais fizeram os juros subir nestas segunda-feira.

O DI para janeiro de 2024 terminou a sessão regular em alta de 7 pontos-base, a 13,52%; os contratos para janeiro de 2025 subiram 21,5 pontos-base, a 12,91%; o DI para janeiro de 2027 avançou 28,5 pontos-base, para 12,89%; enquanto os contratos que vencem em janeiro 2029 subiram 26 pontos-base, a 12,92%.

Mitchel Diniz

Repórter de Mercados