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Ibovespa cai 0,63% nesta sexta e interrompe sequência de altas, mas sobe na semana

Dia foi marcado por poucos destaques no cenário macroeconômico, com resultado das companhias sendo principais destaques tanto no Brasil quanto nos EUA

Equipe InfoMoney

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O Ibovespa caiu 0,63% nesta sexta-feira (23), a 129.418,73 pontos, encerrando uma sequência de seis altas. Na semana, no entanto, o principal índice da Bolsa brasileira teve uma alta de 0,54%.

Hoje, o Ibovespa chegou a abrir em alta, acompanhando as ações da Vale (VALE3), que subiram após a publicação do balanço do quarto trimestre de 2023 – que foi acima do esperado e que veio acompanhado do anúncio de dividendos. Durante o dia, no entanto, as ações da mineradora perderam força e fecharam com alta de 0,24%, a R$ 67,38, longe da máxima de R$ 69,07.

“O destaque do pregão foi a Vale, mesmo com a provisão de US$ 1,2 bilhão, que impactou o lucro líquido da empresa, por conta dos processos em andamento relacionado ao rompimento da barragem da Samarco. Ainda assim, a provisão foi menor que o mercado esperava”, diz André Fernandes, head de renda variável da A7 Capital. “Além disso, as linhas de receita líquida e Ebitda vieram dentro do esperado, e a Vale apresentou um guidance forte para o ano de 2024″, apontou o especialista.

Especialistas atribuíram o enfraquecimento do papel à sinalização de cautela que executivos da companhia trouxeram durante a teleconferência de resultados no que tange os dividendos.

“Hoje o índice voltou a perder os 130 mil pontos, com a queda da Petrobras acompanhando a commodity, enquanto a Vale foi um contraponto positivo, apesar de ter se distanciado da máxima do dia, refletindo os resultados mais fortes do que o esperado no último trimestre com o rali do minério de ferro no período”, comenta Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos.

Os papéis de outras empresas ligadas a commodities pesaram no Ibovespa. O barril de petróleo Brent caiu 2,32%, a US$ 81,73, com o mercado ainda de olho nas sinalizações do Federel Reserve quanto aos cortes de juros em 2024, e as preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 0,69%. O mercado se ajusta à expectativa de um atraso no corte da taxa de juros nos Estados Unidos, após comentários de membros do Fed indicarem prudência.

Empresas ligadas ao mercado interno também tiveram um dia, majoritariamente, negativo. Entre as maiores quedas ficaram papéis do Grupo Casas Bahia (BHIA3), com menos 6,93%, os do GPA (PCAR3), com menos 5,03%, e os do Carrefour (CRFB3), com menos 4,05%.

“Na ponta negativa, temos as ações da Casas Bahia, refletindo o ceticismo do mercado quanto aos resultados da empresa, e um forte fluxo vendedor atuando no papel (provavelmente fundos que estão short, voltando a vender o ativo) e GPA refletindo ainda o resultado abaixo das expectativas divulgado essa semana”, explica Fernandes.

A B3 (B3SA3) também teve queda, após os resultados da companhia frustrarem as expectativas. “Mostrou lucro líquido abaixo das expectativas, além de volumes reduzidos, pressão sobre a receita e despesas acima do esperado”, menciona Nishimura.

Do lado macro, o dia foi pouco movimentado, sem indicadores relevantes publicados tanto no Brasil quanto nos EUA. A curva de juros brasileira fechou com movimentos sem muita amplitude. Os DIs para 2025.

Nos Estados Unidos, Dow Jones e S&P 500 subiram, respectivamente, 0,16% e 0,04%. O Nasdaq caiu 0,28%.

Os investidores em Wall Street começaram o dia em baixa, apagando partes dos ganhos da sessão anterior, em dia de realização de lucros após o rali da Nvidia (NVDC34) levar a novos recordes para as bolsas americanas. Na véspera, o S&P 500 adicionou 2,11% para seu melhor dia desde janeiro de 2023, enquanto o Nasdaq Composite subiu 2,96% em sua melhor sessão desde fevereiro do ano passado.

“A questão aqui é: os investidores pararam esse ímpeto? Aceleramos até agora. Pode não fazer muito sentido perseguir esse tipo de impulso”, disse à CNBC Charlie Ripley, estrategista sênior de investimentos da Allianz Investment Management. “Obviamente, não vimos o impulso que vimos nas ações de tecnologia (nos outros setores). Acho que isso representa alguns riscos, porque claramente tudo está antecipado nas ações de tecnologia”.

O dólar ganhou força frente ao real, subindo 0,80%, a R$ 4,992 na compra e na venda. Na semana, a divisa norte-americana valorizou 0,53% frente à brasileira.