B3: despesas mais altas e cenário ainda fraco para ações marcam resultados do 4º tri

Dados vieram abaixo do esperado por analistas; despesas mais altas foram surpresa negativa

Camille Bocanegra

B3 Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo (Germano Lüders/InfoMoney)

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A B3 (B3SA3) divulgou seu balanço da quarta temporada de 2023 na noite de ontem (22) e, conforme esperado, os números apresentaram retração tanto no lucro líquido quanto no lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês). Ainda que o lucro líquido tenha apresentado queda e, assim como o Ebitda, tenha ficado abaixo do consenso tanto do banco quanto do mercado, a surpresa negativa de fato veio pelos custos mais altos.

Refletindo os números, as ações operavam em leve queda no pregão desta sexta-feira, com perda de 0,63%, cotadas a R$ 12,57 às 10h12 (horário de Brasília).

O JPMorgan destacou, em seu relatório sobre o balanço apresentado, que os custos mais elevados teriam poluído o trimestre, ainda que menos recorrentes. Os números apresentados vieram 25% acima das estimativas do JPMorgan, assim como as provisões para disputas em andamento, que cresceu 30% na comparação anual.

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“Na receita total, as tendências continuam sem brilho, com uma queda de 3% em relação ao ano anterior liderada por ações à vista com uma queda de 20% em relação ao ano anterior. O ponto positivo foi a infraestrutura para financiamento, que teve receitas aumentando cerca de R$ 30 milhões em relação ao trimestre anterior, impulsionadas pelas receitas com a plataforma Desenrola. No geral, um trimestre fraco com tendências de receita ainda sem brilho (embora esperadas) e algumas variáveis nos custos”, destacou o banco estrangeiro.

O tema foi tratado na teleconferência de resultados. O aumento de despesas foi justificado, principalmente, por investimentos extraordinários, como a plataforma do programa Desenrola, e por contribuições essenciais que foram antecipadas, além do crescimento sazonal já esperado. André Milanez, CFO da B3, destacou que, mesmo as despesas extraordinárias devem ser consideradas como investimento. “A gente deveria considerar o potencial que iniciativas podem trazer para a B3 em outros negócios, além de ter sido relevante para auxiliar o Governo Federal e a população”, diz o CFO sobre gastos de estrutura atrelados ao Desenrola. O executivo reforçou que, mesmo assim, os custos se mantiveram dentro da inflação em 2023 na comparação com o ano de 2022.

O Goldman Sachs também destacou a surpresa com despesas mais altas, que ficaram 17% acima da estimativa do banco. A explicação para o aumento, de acordo com a análise, foi a linha “outras despesas”, que apresentou aumento de 93%. O avanço foi justificado pela necessidade de contribuições relacionadas à atividade de autorregulação da operadora da bolsa brasileira, em especial na perspectiva de enfrentamento de futuras necessidade de caixa e de provisões relacionadas a disputas em andamento.

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Como pontos positivos, o Goldman destaca a estabilidade de receitas líquidas, mesmo com a divisão de ações impactadas negativamente por menor número de dias de negociação e margens mais baixas. O banco entendeu que os dados, no geral, deveriam ser recebidos negativamente pelo mercado.

Os dados operacionais apresentados, conforme esperado, demonstraram fraqueza mas a unidade de financiamento foi considerada melhor que o esperado. A frente foi responsável por compensar ligeiramente o desempenho de ações, que reduziram 20% em relação ao ano anterior e 5% na comparação trimestral.

O research da XP considerou os números pouco inspiradores, que demonstraram uma combinação entre volumes reduzidos, pressão sobre a receita e despesas acima do esperado. Os analistas destacam que a B3 conseguiu, no entanto, cumprir sua projeção (guidance, na sigla em inglês) de despesas para 2023, ainda que os dados tenham ficado um pouco abaixo da estimativa da corretora. Em relação ao Ebitda mais fraco, a análise reforça que teria sido parcialmente compensado por uma alíquota de impostos efetiva mais baixa.

“Mantemos nossa visão cautelosa sobre as ações devido aos fracos volumes de negociação. Acreditamos que o desempenho das ações da B3SA3 será mais influenciado por notícias relacionadas à concorrência potencial e às atividades do mercado de capitais do que pelos resultados financeiros. Embora a B3 continue a ser uma sólida opção de dividendos, mantemos nossa postura conservadora e não esperamos que isso seja gatilho para a valorização de suas ações”, entendem os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Rafael Nobre.

De acordo com o Bradesco BBI, o resultado apresentado não deveria surpreender investidores, uma vez que considera que o mercado já previa desempenho de volumes mais fracos e operacional mais suave. Com Ebitda abaixo do previsto devido ao aumento de custos, a receita deve seguir como principal gatilho para os lucros em 2024. Na análise do banco, investidores deveriam considerar os resultados como neutros a marginalmente negativos. A relação de dependência entre a melhoria de condições de mercado e de volume e o momento operacional da B3 continua sendo foco para a tese, enquanto o avanço no cenário para a companhia é visto como principal catalisador para as ações nos próximos trimestres.