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SÃO PAULO, 13 Mai (Reuters) – O Ibovespa buscava se sustentar acima dos 180 mil pontos nesta quarta-feira, apoiado principalmente pelo avanço das blue chips Vale e Itaú Unibanco, em mais um pregão de noticiário corporativo intenso, enquanto Petrobras pressionava negativamente.
Por volta de 11h30, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,08%, a 180.205,06 pontos. Na mínima até o momento, chegou a 178.734,42 pontos. Na máxima, marcou 180.386,02 pontos. O volume financeiro somava R$8,46 bilhões.
Preocupações sobre os efeitos da alta dos preços do petróleo na inflação — e seus reflexos em políticas monetárias no mundo — continuam pairando sobre os negócios, sem sinais de término do conflito no Oriente Médio. A guerra, que começou no final de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, fechou o Estreito de Ormuz, relevante rota de transporte de petróleo, fazendo as cotações da commodity dispararem.
Dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que o índice de preços ao produtor dos EUA registrou em abril a maior alta desde o começo de 2022, em parte devido ao aumento dos custos de energia. O conflito está pressionando as cadeias globais de oferta, causando escassez de uma ampla gama de produtos, incluindo fertilizantes, alumínio e produtos de consumo.
No Brasil, receios sobre os efeitos do cenário geopolítico na inflação têm levado o Banco Central a adotar um tom mais cauteloso e agentes do mercado a apostarem em um ciclo mais lento de corte de juros do que o previsto no começo do ano.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse nesta quarta-feira que choques de oferta observados no período recente impõem à autoridade monetária desafio especial porque afetam a percepção sobre o trabalho da autarquia, embora os instrumentos que ela possui tenham sido desenhados para “outro tipo de tempestade”.
Estrategistas do Morgan Stanley afirmaram que continuam otimistas com ações da América Latina no longo prazo, mas destacaram que o curto prazo “exige cautela”, citando que o petróleo mais alto por mais tempo representa um risco para o afrouxamento das condições financeiras e para o crescimento econômico. Ainda assim, reiteraram classificação “overweight” em Brasil.
De acordo com estrategistas do JPMorgan, o Brasil e a América Latina ainda são vistos como um relativo “porto seguro” e uma alternativa de diversificação frente a mercados emergentes com forte peso em tecnologia, mas, no médio prazo, eles acreditam que as ações brasileiras devem andar de lado, considerando o ritmo mais lento de afrouxamento monetário e a incerteza eleitoral.
DESTAQUES
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• PETROBRAS PN (PETR4) cedia 0,99%, em pregão com relativa trégua no avanço dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent subia 0,19%, a US$107,97. Investidores ainda analisam declarações de executivos da estatal na véspera, incluindo que a empresa avalia realizar um aumento do preço da gasolina vendida a distribuidoras “já, já”, enquanto vê possibilidade muito baixa de dividendos extraordinários em 2026.
• VALE ON (VALE3) subia 2,09%, acompanhando o movimento dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou em alta de 0,31%.
• ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) tinha acréscimo de 1,03%, tendo no radar inclusão dos papéis no índice MSCI Global Standard que entrará em vigor no fechamento do mercado no próximo dia 29, enquanto BANCO DO BRASIL ON (BBAS3), que divulga balanço após o fechamento, subia 0,23%. BRADESCO PN avançava 0,33% e SANTANDER BRASIL UNIT subia 0,22%.
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• TOTVS ON (TOTS3) recuava 2,51%, após exclusão da ação na nova versão do índice MSCI Global Standard, divulgada na noite da véspera, que entrará em vigor no final do mês.
• LOCALIZA ON (RENT3) caía 2,56%, engatando o terceiro pregão seguido no vermelho. Analistas do Citi cortaram o preço-alvo do papel de R$55 para R$54, mas reiteraram recomendação de compra. “Cortes de juros mais lentos limitam parcialmente o potencial de alta, mas os fundamentos gerais permanecem sólidos”, afirmaram em relatório no final da terça-feira.
• C&A ON (CEAB3) perdia 1,46%, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar na terça-feira uma medida provisória para zerar a tributação federal sobre produtos de até US$50 comprados em plataformas internacionais, o que ficou conhecido como “taxa das blusinhas”. LOJAS RENNER ON (LREN3) perdia 0,37% e RIACHUELO ON (RIAA3), que não faz parte do Ibovespa, caía 0,41%. A queda ocorria mesmo após desempenho mais forte do que o esperado no varejo brasileiro em março.
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• CURY ON (CURY3) subia 5,23%, um dia depois de reportar lucro líquido de R$303 milhões no primeiro trimestre, acima de previsões de analistas. A geração de caixa mais que dobrou, para de R$93,4 milhões nos três primeiros meses do ano. No setor, CYRELA ON, que detém participação relevante na Cury, avançava 2,30%.
• BRASKEM PNA (BRKM5) valorizava-se 10,70%, ampliando o movimento da véspera, quando a petroquímica disparou 29% com “upgrade” do JPMorgan e “short squeeze”.
• JBS (BDR: JBSS32), que tem suas ações listadas nos Estados Unidos, perdia 6,29% após a maior produtora global de carnes divulgar queda de 55,8% no lucro líquido do primeiro trimestre, para US$221 milhões, enquanto o desempenho das operações brasileiras não foi suficiente para compensar margens negativas da unidade norte-americana de proteína bovina, a maior do grupo.
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• MERCADO LIVRE ON (BDR: MELI34), que também é listada nos EUA, recuava 4,06%, tendo como pano de fundo relatório de analistas do Citi cortando a recomendação dos papéis de compra para neutra/alto risco, com redução do preço-alvo de US$2.200 para US$1.950.
• LUPATECH ON (LUPA4), que não faz parte do Ibovespa, disparava 12,33% após firmar contrato de R$125,3 milhões com a Petrobras para fornecimento de válvulas. A Lupatech também propôs cisão parcial da companhia que resultará em abertura de capital da sua subsidiária integral Lochness Participações. A assembleia geral extraordinária para decidir sobre a proposta ocorrerá em 2 de junho.
• DASA ON (DASA3), que não é do Ibovespa, avançava 8,28%, após reportar balanço com Ebitda consolidado de R$573 milhões no primeiro trimestre, também apresentou geração operacional de caixa de R$21 milhões, ante consumo de R$43 milhões nos mesmos meses do ano passado.
• ARMAC ON (ARML3), que não faz parte do Ibovespa, caía 10,57%, tendo no radar lucro líquido ajustado de R$15,2 milhões no primeiro trimestre de 2026, em comparação com lucro de R$16,3 milhões no mesmo período do ano anterior.
