Publicidade
As ações da Braskem (BRKM5) seguem em disparada após o salto de 29% na sessão passada. Nesta quarta-feira (13), às 11h37 (horário de Brasília), os ativos BRKM5 saltavam 12,72%, a R$ 13,38; cabe destacar que, após o fechamento, a petroquímica divulgará seus resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26). Por volta do 12h, a alta tinha diminuído, mas ainda assim era expressiva: ganhos de 7,50%, a R$ 12,76, a maior alta do Ibovespa.
A companhia divulgou seus dados operacionais no começo do mês e, segundo o JPMorgan, os números foram mistos em meio à volatilidade macroeconômica.
No Brasil, a taxa de utilização subiu para 69% (+10 pontos percentuais na comparação trimestral), com crescimento de 5% nas vendas de resinas, impulsionado por polietileno e PVC, refletindo normalização operacional e antecipação de demanda; ainda assim, houve queda relevante nas exportações e desempenho inferior a/a, com pressão de importações e menor demanda.
Nos Estados Unidos e Europa, a operação mostrou dados acima do esperado, com taxa de utilização de 79% (+8 pontos ante o 4T25) e crescimento de 3% nas vendas, sustentado por retomada da demanda europeia e normalização pós-paradas, embora os spreads sigam insuficientes para pensar em um retorno das condições de rentabilidade passada. Já o México permanece com grandes desafios, reportando forte queda na taxa de utilização (55%, -30 pontos ante o 4T25) e das vendas (-37% t/t), devido à menor disponibilidade de etano (Pemex entregando menor volume e menor volume de importações via terminal), evidenciando restrições estruturais.
“O desempenho operacional da Braskem no 1T26 refletiu um cenário macroeconômico global moderadamente melhor, com progresso gradual na desinflação, mas volatilidade persistente devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio”, avalia.
No Brasil, a normalização das operações no complexo da Bahia impulsionou a recuperação das taxas de utilização e da produção, embora os volumes de vendas tenham permanecido abaixo das expectativas. No México, a menor oferta e importação de etano levou a uma queda acentuada na utilização e nas vendas, ficando significativamente aquém das estimativas.
Continua depois da publicidade
Nos EUA e na Europa, a normalização após as paradas para manutenção sustentou maior utilização e produção, com volumes de vendas em linha com as expectativas. Os spreads apresentaram um aumento modesto em algumas regiões, mas permanecem pressionados pela volatilidade contínua do mercado e pelos riscos externos.
Na visão do BB Investimentos, de forma geral, o trimestre sinaliza uma modesta recuperação operacional, com normalização das taxas de utilização, mas que deve vir limitada nos resultados financeiros por fatores estruturais já discutidos ao longo de 2025: sobreoferta global de resinas, spreads ainda pressionados no comparativo anual e perda de competitividade em razão de uma matéria prima menos competitiva, a nafta.
Embora os dados operacionais mostrem melhora sequencial, a companhia deve seguir com elevada alavancagem, queima de caixa e restrições de liquidez, que influenciam diretamente decisões como redução de exportações e menor operação no México.
Olhando mais à frente, o Bank of America destacou os números de abril, ressaltando que foi um mês excepcionalmente forte para os spreads petroquímicos, com uma clara aceleração em relação a março.
“Ao contrário de março – quando os preços da nafta subiram cerca de 50%, limitando a expansão de vários spreads – os preços das matérias-primas se mostraram mais estáveis em abril. A nafta subiu ‘apenas’ 11%, enquanto os preços do etano caíram 13%, sustentando a expansão dos spreads. Os preços das resinas também reagiram muito positivamente: os preços do polietileno nos EUA saltaram 47% em relação ao mês anterior, enquanto os preços do propileno na Ásia aumentaram modestos 12% em relação ao mês anterior”, destacou.
Leia mais:
Continua depois da publicidade
- Confira o calendário de resultados do 1º trimestre de 2026 da Bolsa brasileira
- Temporada de balanços do 1T26 em destaque: veja ações e setores para ficar de olho
Durante abril, os destaques foram os spreads do polietileno, que melhoraram entre 60% e 120%, seguidos pelos principais produtos químicos (referência Braskem), que se recuperaram fortemente após um março fraco, subindo 90%.
Recomendação em destaque
Enquanto isso, perto da divulgação do balanço, a ação teve disparada de 29% na terça após os analistas do JPMorgan elevarem a recomendação das ações para “overweight” (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), bem como o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15, citando melhora dos fundamentos de mercado, oferta mais apertada e fortalecimento da governança após a reestruturação.
“A Braskem caminha para um 2026 mais forte, à medida que os desafios no mercado global e as restrições logísticas no Oriente Médio apertaram a oferta de petroquímicos e sustentaram a melhoria de margens”, afirmou o banco em relatório assinado pela analista Milene Clifford Carvalho. “Esperamos que a normalização ao longo da cadeia petroquímica leve vários meses, diante das interrupções contínuas em instalações e dos prazos logísticos mais longos.”
Continua depois da publicidade
Olhando para 2027, a analista avalia que o desempenho financeiro da Braskem deve retornar a níveis de meio de ciclo, embora os efeitos duradouros do conflito e os ajustes na cadeia de suprimentos permaneçam como variáveis-chave. Ela acrescenta que, embora a reabertura do Estreito de Ormuz possa limitar o potencial de alta, está confiante de que a governança fortalecida da Braskem após a reestruturação e a melhora dos fundamentos estão apenas parcialmente refletidas na alta acumulada no ano pelas ações. Até a véspera, as ações da companhia acumulavam uma valorização de quase 17%.
Profissionais do mercado também citaram forte movimento de “short squeeze”, que ajudou a ampliar a alta. As ações BRKM5 apresentam uma das maiores taxas de aluguel da Bolsa brasileira, o que sugere um movimento de cobertura de posições vendidas de ações quando os papéis registram alta, o que impulsiona ainda mais a alta das ações.
(com Reuters)
Continua depois da publicidade