JBS: ação cai em NY após operação de carne bovina nos EUA pressionar balanço no 1T

JBS entregou um trimestre relativamente fraco, com EBITDA ajustado 5% abaixo do consenso da Bloomberg

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Divulgação/JBS)
(Foto: Divulgação/JBS)

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Os recibos de ações negociados no Brasil da JBS (BDR: JBSS32) e as ações negociadas em Nova York fecharam com baixa nesta quarta-feira (13), com investidores repercutindo resultados considerados fracos no primeiro trimestre de 2026 (1T26). JBSS32 caiu 1,05%, a R$ 73,22, longe das mínimas do dia, enquanto JBS recuou 3,80%, a US$ 14,69.

O Goldman Sachs avalia que a JBS entregou um trimestre relativamente fraco, com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado 5% abaixo do consenso da Bloomberg e uma rara combinação de margens operacionais menores na maior parte das unidades de negócios, com exceção da operação de carne bovina no Brasil.

Na visão do Goldman, a operação de carne bovina nos Estados Unidos foi o principal ponto negativo do trimestre e respondeu pela maior parte da frustração em relação às estimativas. Ainda assim, a demanda permaneceu forte, apesar da alta contínua dos preços do gado, e a JBS superou a Tyson em crescimento de receita e margens operacionais.

Por outro lado, o banco destaca alguns pontos positivos: a demanda global segue forte, impulsionando receitas acima do esperado, com recordes históricos de vendas no primeiro trimestre nas divisões de carne bovina e suína nos Estados Unidos e na JBS Brasil; a queima de caixa veio melhor do que o esperado; aquisições passadas, especialmente a Mantiqueira, contribuíram positivamente; e a operação de frango nos EUA mostra melhora após a reorganização das linhas de produção.

Já a divisão de carne suína nos EUA foi a principal surpresa positiva, combinando demanda robusta e execução consistente, levando a margem EBITDA ao topo da faixa histórica do segmento, em 10%, embora ainda abaixo da Smithfield.

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Mesmo em um trimestre sazonalmente mais fraco, a geração de fluxo de caixa livre veio melhor do que o mercado temia. A queima de caixa foi 17% melhor que a projeção inicial do Goldman Sachs, beneficiada por menor aumento de estoques, melhora em recebíveis e contribuição positiva de investimentos societários, especialmente pela aquisição recente de 48,5% da produtora brasileira de ovos Mantiqueira Alimentos.

A alavancagem encerrou o trimestre em 2,8 vezes, acima do trimestre anterior, mas ainda dentro da faixa considerada confortável pela administração.

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O Bradesco BBI também considera os resultados fracos e que deve levar a revisões negativas de lucro, ainda que parte das pressões possa ser temporária, especialmente nas operações da PPC e da Austrália. Segundo o banco, o ritmo de recuperação dessas divisões permanece incerto, uma vez que os spreads da carne bovina nos EUA voltaram a patamares historicamente baixos e não há sinais claros de inflexão do ciclo no curto prazo.

No Brasil, o BBI espera uma normalização gradual das margens da operação de aves, enquanto o ciclo do gado também começa a se inverter, adicionando pressão adicional à rentabilidade.

Na mesma linha que BBI e Goldman Sachs, o Itaú BBA classifica como fracos os números da JBS, com Ebitda ajustado de US$ 1,1 bilhão em IFRS, amplamente em linha com as projeções da instituição.

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Na visão do banco, o principal debate após o balanço deve girar em torno da diferenciação entre fatores que tendem a persistir ao longo do ano e eventos pontuais que pressionaram os resultados da divisão de carne bovina nos Estados Unidos no trimestre, mas que não devem se repetir nos próximos períodos.

Recomendação de compra

De forma geral, o Itaú BBA afirmou manter preferência relativa pela JBS em relação a outras empresas do setor de proteínas, principalmente pela diversificação das operações da companhia e pelo espaço contínuo para reavaliação dos ativos. O banco reitera classificação de compra e preço-alvo de US$ 20.

Em termos relativos, o BBI segue enxergando a JBS negociando a múltiplos descontados frente aos pares globais, apesar de sua maior diversificação geográfica e operacional e histórico de execução, o que sustenta recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 117,00

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O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para as ações da JBS, com preços-alvo de 12 meses de US$ 20 para as ações Classe A e de R$ 101,30 para os BDRs, com base em uma avaliação por soma das partes, na qual o múltiplo implícito EV (valor da firma)/Ebitda é de 6,0 vezes.