Hapvida (HAPV3): após derrocada de 33% na véspera, ações não encontram fôlego para se recuperar e caem mais 3,3%

Uma parte dos analistas diz que reação do mercado é exagerada; outros concordam com o movimento e dizem que empresa vai demorar a se recuperar

Mitchel Diniz

Publicidade

Os papéis da Hapvida (HAPV3) não encontram fôlego para se recuperar do tombo de quase 33% sofrido na sessão de ontem. As ações chegaram a subir 2% nas primeiras horas do pregão de hoje, mas logo perderam força, mesmo com alguns analistas vendo a queda da véspera como exagerada. Os papéis fecharam, assim, a sessão desta quinta-feira (2) em queda de 3,31%, a R$ 2,92.

Somente no pregão de ontem, o valor de mercado da companhia passou de R$ 32,07 bilhões para R$ 21,57 bilhões – ou seja, uma perda de aproximadamente R$ 10,5 bilhões. Os papéis reagiram negativamente aos resultados do quarto trimestre de 2022, reportados pela Hapvida na noite da última terça-feira.

O Morgan Stanley viu o movimento como uma reação exagerada, ainda que as margens da empresa tenham desapontado. “A recuperação deve ocorrer de forma mais demorada e gradual, mas vai acontecer eventualmente”, diz o relatório da casa.

Continua depois da publicidade

A alta frequência de utilização no quarto trimestre é uma preocupação e o ano 2023 parece fraco, com um cenário macroeconômico desafiador. Além disso, há uma possível implementação do novo piso da enfermagem, assim como integrações pendentes de operações de M&A (fusões e aquisições).

“Ainda assim, acreditamos que as margens se recuperarão à medida que os preços melhorarem a a sinistralidade for reduzida durante o ano, com sinergias de negócios menores adquiridos e procedimentos eletivos retornando aos níveis pré-pandêmicos”, diz o relatório do Morgan.

“Margens deprimidas por um tempo não são boas notícias, mas continuamos a ver margens mais altas no longo prazo, uma vez que as integrações estejam concluídas.”

Continua depois da publicidade

Para os analistas do Morgan, os executivos da empresa não passaram uma mensagem explícita de recuperação, o que significa que o problema da sinistralidade pode ser mais do que um tropeço trimestral. Ainda assim, segundo o Morgan, a administração foi capaz de dar alguma cor sobre como as margens devem se recuperar daqui para frente.

Na teleconferência dos resultados, os executivos ressaltaram que vai haver reajustes de preço em 2023, uma maior verticalização e previu maiores sinergias com companhias adquiridas. Além disso, previram uma maior integração da administração e de sistemas operacionais.

No fim da tarde de ontem, o Itaú BBA lançou relatório com tom parecido. Os analistas da casa disseram que, embora os resultados da Hapvida tenham mostrado tendências preocupantes, a queda extrema foi difícil de se justificar.

Continua depois da publicidade

“Fazendo uma análise de sensibilidade em nosso modelo, mesmo assumindo um índice de sinistralidade de 70% para 2024 (o que parece pessimista, pois seria 300 pontos-base acima da média histórica), vemos a ação sendo negociada a 9 vezes o preço sobre o lucro esperado para 2024 ( ao preço atual de R$ 3 por ação). E quando estressamos os cenários e perpetuamos o o índice, fica difícil encontrar um valor justo inferior a R$ 4 por ação”, avaliam.

O Citi se mostrou mais pessimista e rebaixou suas avaliações sobre as ações da Hapvida após o resultado do quarto trimestre. O preço-alvo ao final de 2023 passou de R$ 5 para R$ 3,02. Mesmo assim, a recomendação de compra foi mantida, uma vez que o potencial de valorização das ações em relação ao preço-alvo é de 65%.

Para os analistas da casa, o ciclo de deterioração de ganhos da companhia está se mostrando mais difícil e longo do que se esperava inicialmente. Complexidades nos processos de integração da empresa e uma alavancagem acima do ideal diminuem a visibilidade sobre o caso de investimento.

Continua depois da publicidade

“Em resumo, o sentimento negativo deve persistir por algum tempo, sem nenhum catalisador óbvio à vista e um provável ciclo de revisões negativas no curto-prazo”, escreveu a equipe de análise.

Para o Citi, se antes o case Hapvida se amparava no receio do investidor de perder alguma oportunidade, agora passa a ser uma história de ter de mostrar resultados primeiro. Restaurar a confiança do investidor, segundo o Citi, vai ser um processo demorado.

Ao contrário do BBA e Morgan, o Citi acredita que a reação do mercado veio em linha com as revisões negativas da casa. A previsão da casa para o lucro líquido ajustado de Hapvida em 2023 foi reduzida em 48%. Para 2024, a redução foi de 31%.

Mitchel Diniz

Repórter de Mercados