Hapvida (HAPV3) vai mirar em verticalização para reduzir custos e sinistralidade, afirmam executivos

A Hapvida ainda pretende apostar na verticalização para recompor suas margens.

Mitchel Diniz

Publicidade

Enquanto as ações da Hapvida (HAPV3) derretiam na Bolsa brasileira, os executivos da companhia falavam sobre os resultados do quarto trimestre que tanto desagradaram o mercado. Eles reconheceram os principais desafios enfrentados pela empresa no momento, com destaque para a diminuição de custos e redução da sinistralidade, principais pontos observados pelos analistas após a divulgação do balanço.

Jorge Koren de Lima, CEO da companhia, reconheceu que a sinistralidade da Hapvida está acima de níveis históricos, mas ressaltou que o índice foi “significativamente” menor que o da concorrência. No quaro trimestre, a sinistralidade da companhia ficou em 72,9% e no acumulado de 2022, em 73,3%.

“Nosso modelo de negócio permite passar por períodos desafiadores de forma mais confortável”, afirmou. Koren de Lima disse que a companhia está focada em recomposição gradual e consistente de margens.

Masterclass

As Ações mais Promissoras da Bolsa

Baixe uma lista de 10 ações de Small Caps que, na opinião dos especialistas, possuem potencial de valorização para os próximos meses e anos, e assista a uma aula gratuita

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

O tíquete médio combinado da companhia sofreu um reajuste de 6,8% no quarto trimestre de 2022. Marcelo Moreira, VP de Integração e Relação com Investidores da Hapvida, explica que o ciclo de reajuste iniciado em maio do ano passado vai ser importante para a recuperação da sinistralidade. Moreira, contudo, ressalta que a evolução dos preços esbarrou em reajustes negativos feitos em 2021 e impacto de M&A’s, com tíquete médio menor.

Para 2023, a Hapvida espera que o governo autorize ajustes de dois dígitos no setor, entre 10% e 20%.

Moreira também reconheceu que aumento de custos da companhia, ainda que tenha desacelerado no quarto trimestre, continua em patamar elevado. Segundo ele, a linha segue impulsionada pela alta frequência de consultas, exames, terapias e procedimentos de alto custo na rede contratada.

Continua depois da publicidade

Koren de Lima afirma que, no começo deste ano, a empresa  já observou uma redução em consultas e exames eletivos, mas que há ainda um volume alto de cirurgias realizadas.

A Hapvida pretende apostar na verticalização para recompor suas margens. A ideia é reduzir a exposição a produtos fora da rede própria. Para isso, a empresa traçou uma estratégia, dividida em três regionais.

A primeira compreende as “operações originais” da Hapvida e, segundo o CEO, já possuem um alto nível de verticalização. “O processo de recomposição de margem, nesse caso, vai ser mais rápido. Mas é preciso manter a disciplina em reajustas e uma série de ações pulverizadas”, afirmou Koren de Lima.

A segunda regional está mais exposta à rede credenciada da Hapvida. “O incremento da verticalização nessa regional é um plano longo que já está planejado e orçado”, disse o CEO. “Aqui a gente nota um comportamento mais ‘resistente’ pela exposição à rede de de terceiros e não à rede própria”.

A regional 3 é composta de ativos novos, considerados de nível de maturidade inferior, por serem empresas de pequeno e médio porte recém-adquiridas. “São operações que rodam com sinistralidade mais alta, possuem pouco nível de padronização e verticalização”, explicou Koren de Lima.

“Sim, a companhia enxerga uma trajetória de diluição das nossas despesas gerais e administrativas. Mas não é algo que conseguimos fazer de imediato”, afirmou Moreira.

“Junto com essas iniciativas todas teremos, uma disciplina muito forte. Estamos comprometidos em conseguir ter empresa mais leve, ágil e eficiente”.

Mitchel Diniz

Repórter de Mercados