Google, Amazon e Facebook: Big techs trazem resultados fracos e mudam percepção sobre resiliência

Crescimento das companhias, que antes se dava também em ciclos de baixa, agora parece estar balançando

Vitor Azevedo

Big techs podem ser taxadas (Foto: Shutterstock)
Big techs podem ser taxadas (Foto: Shutterstock)

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A última semana de outubro foi marcada, nos Estados Unidos, pela publicação dos balanços das companhias de tecnologia. Google (GOGL34), Amazon ([ativo=AMZN34]), Facebook (FBOK34) e Microsoft (MSFT34) foram alguns dos nomes que trouxeram seus números a público. Em comum, o desapontamento do mercado com o que foi visto nos documentos e a percepção de que essas empresas não são tão resilientes assim.

No caso da Alphabet, controladora do Google, por exemplo, investidores se frustraram com a performance do braço de publicidade. Além disso, o crescimento da receita total desacelerou para alta de 6% ante avanço de 41% no ano anterior, representando o ritmo mais fraco de crescimento desde 2013.

O recuo da receita é explicado, segundo comentários de analistas, pelo fato de as empresas estarem gastando menos com anúncios, visto o desaquecimento da economia americana.

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Nos casos da Microsoft e da Amazon, os destaques negativos ficaram para as performances dos serviços em nuvem, que também tiveram seus crescimentos desacelerando. Para ambas empresas, os serviços de cloud são considerados importantes vetores para o crescimento futuro.

As receitas da Amazon Web Services, serviço de nuvem da companhia de Jeff Bezos, aumentaram 27% na base anual, abaixo da taxa de crescimento de 32% que Wall Street havia antecipado. Quanto à Azure, da Microsoft, a previsão de crescimento da própria companhia saiu de 42% no ano para 37%.

Nestes serviços, as techs costumam lucrar diretamente em cima do consumo, cobrando taxas pelas transações e pela troca de dados realizadas em suas plataformas – o que também é impactado pela inflação alta e aumento dos juros.

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Big techs suscetíveis à desaceleração econômica?

Os comentários foram, então, que as companhias se mostraram suscetíveis à mudança de ciclo econômico, com o Federal Reserve subindo o juros para conter a inflação.

“As big techs eram vistas como companhias que não dependiam do ciclo econômico, quase como acíclicas. Elas conseguiam, até então, crescer independentemente da economia desaquecida ou mais acelerada, isso por conta da migração do físico para o online”, explica Pietra Guerra, analista internacional da XP Investimentos.

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De acordo com a Guerra, os números do terceiro trimestre acenderam um sinal amarelo: como ficará a demanda pelos serviços dessas companhias em um momento de desaceleração econômica?

“Não sabemos se a demanda por computação em nuvem se manterá no ambiente de gastos corporativos em desaceleração, refletindo o ciclo mais desafiador”, contextualiza. “No Google é a mesma coisa. Além de ter reportado um lucro abaixo das estimativas, a empresa sinalizou que controlará as despesas, se preparando para tempos difíceis”.

A Microsoft, relembra Pietra, apesar de ter ficado com seus números dentro do consenso, diminuiu seu guidance – e isso por conta, justamente, da Azure O temor dos analistas, e da própria Microsoft, é que a computação em nuvem, pode ser fortemente impactada pela economia mais fraca.

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“Ao longo de 2020 e 2021, as big tecs ganharam muito força e já esperávamos um crescimento mais lento, pois é difícil crescer em cima de uma base muito maior. A questão é que, se elas antes cresciam independentemente da economia, agora parece não estar sendo assim”, diz a especialista da XP. “As companhias, além de tudo, parecem estar se preparando para a desaceleração”.

No caso do Facebook, a Meta, sua controladora, também registrou um recuo de receita de 4% na base anual, para US$ 27,7 bilhões. O lucro, de US$ 4,39 bilhões, por sua vez recuou 52% na mesma comparação.

A companhia fundada por Mark Zuckerberg declarou que o preço dos anúncios da plataforma recuaram 18% no ano e também diminuiu seu guidance para o ano.

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Apesar de tudo isso, o que irritou muito os investidores foi o fato de a Meta ter aumentado seus gastos em meio à difícil situação econômica.

“O Facebook voltou a ter queda de receita e além disso, aumentou muito seus gastos com investimentos”, pontua Guilherme Zanin, analista da Avenue. “Dito isso, a empresa parece estar desconexa do momento da economia atual, com inflação e custos de juros mais altos. Estamos vendo bastante demissões no setor de tecnologia e também reavaliações dos negócios mais lucrativos”.

Zuckerberg continua apostando no metaverso que, de acordo com Zanin, também teve sua receita recuando – demonstrando que há pouco interesse das pessoas pelo produto.

De acordo com analistas, a Apple foi a única big tech que divulgou resultado e que mostrou certa resiliência, mas, mesmo assim, seus números frustraram levemente.

“A Apple reportou seus resultados nesta quinta-feira com ambos faturamento e lucros acima das projeções. No entanto, a companhia ficou aquém das expectativas de receita nas principais categorias de produtos, incluindo o iPhone e os serviços, que são seu principal catalisador de crescimento”, completa Pietra.