Publicidade
O colapso da FTX é uma história tão antiga quanto a dos mercados financeiros e não reflete uma falha da tecnologia blockchain, mas a falta de regulamentação em torno do “ponto de confiança” – local onde o dinheiro é trocado com a promessa de um retorno futuro -, disse o Goldman Sachs em um relatório divulgado na sexta-feira (9).
Crises recentes no mercado cripto seguem um caminho bem conhecido, disse banco: “Um ativo altamente volátil e relativamente novo cria o potencial para riquezas instantâneas, atraindo muitos investidores não sofisticados em busca da oportunidade de ganhar milhões”.
Novos instrumentos financeiros são levemente regulamentados porque não são cobertos pelas regras existentes e os reguladores ainda precisam identificar o potencial de dano, de acordo com o relatório. Essa é a razão pela qual a bolha cripto dos últimos anos envolveu fraudes mais disseminadas do que o boom das pontocom na virada do século, que aconteceu no mercado de ações regulamentado.
Newsletter
Receba em primeira mão as manchetes do InfoMoney
“A regulamentação é necessária no ponto de confiança, onde o dinheiro é trocado com a promessa de algum retorno futuro, porque é o componente de tempo que cria a oportunidade de fraude”, escreveram os analistas Jeff Currie e Daniel Sharp.
Para acessar o mercado, os investidores devem passar por um gatekeeper (guardião), como uma exchange de criptomoedas como a FTX, e os investidores especulativos estão dispostos a dar dinheiro a essas instituições na esperança de enriquecer rapidamente.
Apesar das crises de 2022, o Goldman disse que as criptomoedas provavelmente florescerão, e a chave para seu sucesso depende de os legisladores identificarem corretamente o que regular.
Na indústria cripto, o foco da regulação deveria ser “o ponto de confiança, não as próprias blockchains descentralizadas”, disse o Goldman. Depois que as características financeiras dos ativos digitais forem resolvidas, os reguladores não devem interferir nas blockchains, acrescentou.
Se um token é usado como um instrumento financeiro, como quando a stablecoin UST do ecossistema cripto Terra foi emprestada na plataforma Anchor por um rendimento de 20% , ele deveria ser regulado como outros valores mobiliários, segundo o relatório. Até que os reguladores possam classificar quais moedas digitais se enquadram nessa categoria, a “oportunidade de fraude em cripto persistirá”, falou.
O Goldman escreveu que os sistemas de empréstimos nas plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), nas quais as aplicações financeiras são realizadas em uma blockchain, não representam o mesmo risco de contraparte que os bancos tradicionais.
Continua depois da publicidade
No empréstimo DeFi, a garantia é visível para todos os membros do pool (plataformas em que criptos são mantidas para gerar liquidez) e é liquidada automaticamente se o valor devido se aproximar do valor do empréstimo. As garantias podem ser recuperadas sem a necessidade de processos judiciais ou com desconto no empréstimo, por meio de smart contracts (contratos inteligentes, em inglês).
“Isso resolve a questão da confiança, exatamente o objetivo da regulamentação para proteger os investidores”, disse o banco.