Perspectivas

Feriado, ata do Copom, Fomc, emprego nos EUA e resultados de Itaú e Bradesco: o que acompanhar nesta semana

Tudo que o investidor precisa saber antes de operar na semana

Por  Lara Rizério -

SÃO PAULO – A semana será mais curta para a Bolsa brasileira, por conta do feriado que terá a B3 fechada na próxima terça-feira (2), mas contará com indicadores e eventos importantes que movimentarão o mercado.

Na agenda doméstica, o grande destaque será na quarta-feira (3), com a divulgação excepcionalmente às 7h (horário de Brasília) da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a Selic em 1,5 ponto percentual, a 7,75% ao ano.

O Bradesco destaca que o documento deve focar nos aspectos que levaram o comitê a acelerar o ritmo de alta, em especial as pressões inflacionárias correntes bem como o debate sobre os riscos fiscais.

Investidores buscará no documento mais detalhes sobre os pontos do comunicado do Copom vistos como dovish (brando), entre eles a divisão do foco da política monetária entre 2022 e 2033, enquanto alguns analistas também consideraram menos enfático do que o previsto o tom do BC sobre os riscos inflacionários e fiscais.

Na quinta-feira (4), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga os dados de produção industrial para setembro. O Itaú espera recuo de 0,6% em relação ao mês anterior. “Nossa distribuição sugere números negativos generalizados entre os setores. A produção industrial segue em trajetória de queda desde fevereiro (o único mês positivo desde então foi maio), apesar dos elevados níveis de demanda por bens industriais. Esperamos que essa demanda também diminua no futuro, especialmente devido a taxas de juros mais altas que provavelmente irão pesar sobre o crescimento do crédito”, aponta o banco.

Ainda sem data definida, as vendas de veículos (Fenabrave) para outubro podem ser publicadas. Sobre as contas externas, o resultado da balança comercial de outubro será conhecido na segunda-feira (1) às 15h (horário de Brasília). Cabe ressaltar que, na segunda (1), o tradicional Relatório Focus será conhecido às 8h25 e pode refletir o ajuste nas projeções dos analistas, após a última decisão de política monetária no Brasil, avalia o Safra. Também na segunda, às 10h, o Markit divulga o índice PMI da indústria de transformação de outubro.

No cenário político, as atenções continuarão voltadas para as discussões em torno da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos precatórios e formalização do programa Auxílio Brasil, com possível votação da PEC 23 na Câmara dos Deputados.

Conforme destaca a Bloomberg, a dificuldade do governo em aprovar a emenda, que viabilizaria o novo programa social Auxílio Brasil, gerou no mercado o receio de abandono da PEC e adoção de medidas potencialmente ainda mais negativas para as contas públicas. Entre as opções estaria a extensão do auxílio emergencial, por meio de crédito extraordinário, ou mesmo a decretação do estado de calamidade, segundo publicações de jornais.

O Itaú destaca que também será importante acompanhar as discussões em torno de uma potencial renovação do estado de calamidade pública como instrumento para a flexibilização de regras fiscais, possibilitando maiores gastos em 2022.

Também está no radar, segundo o noticiário, alguma possibilidade de mobilização de caminhoneiros, prevista para o dia 1º de novembro.

Petrobras, temporada de resultados e leilão do 5G

Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, afirmou que se reunirá com a presidência da Petrobras (PETR3;PETR4) e com governadores na próxima semana para discutir preços de combustíveis. Fundo equalizador e política de preços atrelada ao câmbio estarão na discussão, afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta semana que o governo está tentando buscar uma maneira de mudar a legislação sobre reajustes do preço da estatal, o que abalou as ações da estatal. Ele criticou o fato de o preço do combustível ser atrelado ao dólar e disse que a “Petrobras tem que ser uma empresa que dê um lucro não muito alto como tem dado”. Presidente do BNDES, Gustavo Montezano, disse que discussão sobre a privatização da Petrobras é “muito produtiva” e “saudável”, mas, por enquanto, nada mais do que isso. O banco, que coordenou vários processos de privatização durante a presidência de Jair Bolsonaro, não foi oficialmente notificado pelo governo para iniciar qualquer ação a respeito, segundo ele.

Ainda no radar corporativo, a temporada de resultados também é movimentada, mesmo com a semana mais curta. Logo depois do feriado, na quarta, Cielo (CIEL3), Itaú Unibanco (ITUB4), CSN (CSNA3), Ultrapar (UGPA3), Pão de Açúcar (PCAR3) e PetroRio (PRIO3), entre outras, divulgarão resultado.  No dia seguinte, na quinta-feira, será a vez do Bradesco (BBDC4), Minerva (BEEF3), enquanto a sexta (5) contará com os números da Embraer (EMBR3). Confira o calendário de resultados.

Já a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promove o leilão do 5G, que ocorre entre quinta e sexta-feira. Leilão vai movimentar cerca de R$ 50 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões irão para os cofres do Tesouro, caso todos os lotes sejam arrematados, segundo a agência. 15 proponentes entregaram documentação para participar do leilão.

Agenda internacional tem Fomc como destaque

Do lado internacional, o índice ISM de manufatura de outubro da economia americana será divulgado na segunda-feira. Mas o grande destaque fica para a decisão do Federal Open Market Commitee (Fomc), o Comitê do Federal Reserve, na quarta-feira às 15h. O Fed deve anunciar seus próximos passos e espera-se o anúncio da redução do programa de compra de ativos, o primeiro passo para a normalização de suas políticas de estímulo à economia. A decisão será seguida por fala do Jerome Powell, presidente da autoridade monetária.

No dia seguinte, será a vez de o Banco Central britânico fazer a sua reunião. Possíveis sinalizações sobre apertos monetários ainda poderão ser checadas em falas de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) durante a semana.

Os EUA também divulgarão dados importantes, com dados do mercado de trabalho. Na quarta será revelado o ADP de outubro, com dados de emprego privado, sendo uma prévia do relatório de emprego (payroll) de outubro, que sai na sexta e tem estimativa do consenso Bloomberg de criação de 400 mil vagas.

Na sexta-feira, os dados de produção industrial da Alemanha e vendas no varejo da Zona do Euro (ambos para setembro) serão conhecidos.

A China divulgará PMIs da indústria e serviços no fim de semana, com potencial de afetar mercados na segunda (1).

Conforme destaca o Bradesco, os mercados ficarão de olho na leitura final dos índices PMI em busca de mais sinais sobre o
desempenho mais moderado da atividade econômica global no início do quarto trimestre.

(com Bloomberg)

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