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SÃO PAULO – De acordo com dados da PCCV (Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista) da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), apesar do faturamento positivo (3% de crescimento em maio), o setor de material de construção deve registrar queda no faturamento nos próximos meses. O motivo seria a restrição de horário de caminhões aliada à inflação.
Segundo a Fecomercio-SP, mesmo com a liberação dos VUCs (Veículos Urbanos de Carga), muitos materiais não poderão ser transportados, por conta da limitação de tamanho e peso dos veículos, o que implicará aumento de custos às empresas, que, conseqüentemente, poderá ser sentido no bolso dos consumidores.
Para o presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), Cláudio Elias Conz, a medida pode triplicar o valor das entregas. “O preço das entrega dos materiais de construção serão repassados ao consumidor. O valor da tonelada entregue deve ter um reajuste de 200%. Além disso, o cliente corre o risco de não receber em casa sua mercadoria”, diz.
Inflação
No que diz respeito à inflação no setor, somente na cidade de São Paulo, em junho, segundo dados do SindusCon-SP (Sindicato da Construção), os preços da categoria tiveram alta de 2,14% na comparação mensal. O custo foi de R$ 789,21 por metro quadrado, sendo R$ 402,61 (51,01%) referentes à mão-de-obra e R$ 365,26 (46,28%) aos materiais. As despesas administrativas responderam por apenas R$ 21,34 (2,70%).
De acordo com o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que faz parte do IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), no acumulado dos últimos doze meses terminados em maio, o grupo já apresentava aumento de 8,78%.
Para o presidente do SindusCon-SP, João Cláudio Robusti, o governo precisa tomar providências. “Não podemos permitir que a inflação no setor chegue aos dois dígitos. Para tanto, é preciso que o governo diminua suas despesas correntes para poder investir mais no estímulo ao aumento da oferta de produtos e a construção precisa investir mais em qualificação de mão-de-obra para obter ganhos em produtividade e assim evitar que os aumentos salariais no segmento pressionem o preço final das obras”, disse.