Construtoras em destaque

Even (EVEN3) aponta maior dificuldade em repassar inflação e 1º trimestre de 2022 “instável”

Ações fecharam com leve queda de 0,81% após o resultado do quarto trimestre

Por  André Cabette Fábio

As ações da construtora Even (EVEN3) fecharam com leve queda de 0,81%, a R$ 6,11, na sessão desta quarta-feira (23) pós divulgação do resultado do quarto trimestre de 2021.

A companhia registrou lucro líquido de R$ 41,7 milhões no quarto trimestre de 2021 (4T21), revertendo prejuízo de R$ 89,2 milhões do mesmo trimestre de 2020. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), contudo, recuou 58,8%, totalizando R$ 57,7 milhões.

O Bradesco BBI apontou a sólida receita líquida apresentada pela companhia, de R$ 544 milhões no 4T21 (+20% em base anual, com R$ 307 milhões da Even SP), superando as estimativas do BBI e o consenso em 9% e 3%, respectivamente, totalizando R$ 2,2 bilhões em 2021 (+39% em base anual).

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Por outro lado, a margem bruta consolidada da Even ficou em 27,4%, ficando abaixo tanto do consenso do BBI quanto da Bloomberg pelo mesmo valor, impactada negativamente pela venda de unidades prontas com desconto pela Melnick – a margem bruta da unidade de negócios de São Paulo ficou em 31% no 4T21.

Os analistas avaliaram que os resultados do 4T21 foram dentro do esperado, com a Melnick impactando negativamente a margem bruta e a geração de caixa, embora a Even SP tenha apresentado resultados sólidos com margem bruta de 31% e Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês) de 15% em 2021.

Além disso, a Even encerrou 2021 com uma sólida posição de caixa que pode ser vista como uma almofada para a empresa navegar pelo provável turbulento 2022, embora uma estrutura de capital abaixo do ideal, na visão dos analistas, possa impactar negativamente a lucratividade (ROE consolidado em 9% em 2021).

Projeções para 2022

Em teleconferência com o mercado, o CEO da Even, Leandro Melnick, apontou que o consolidado de 2021 foi positivo em volume e preços, mas que no último trimestre viu mais dificuldade do mercado em incorporar repasses do INCC (Índice Nacional de Custos de Produção), maiores do que o IPCA.

Ele ainda apontou que o mercado está mais propício para a compra de terrenos do que nos últimos anos, mas que cenário mais instável, com alta de custos de construção, compensam este fator.

Olhando para frente, o executivo ressaltou que em janeiro houve queda de vendas, sazonalmente, e que o trimestre atual vem sendo instável. Mas afirmou que há produtos específicos com andamento “razoável” no mercado. Ele disse que o primeiro lançamento da empresa no ano, frente este momento, foi de “razoável” a “acima do esperado”.

Para o CEO, o ano de 2022 deve ser de instabilidade com guerra na Europa, cenário macroeconômico pressionado e disputa eleitoral, e que a empresa evita falar em “crise”.

Questionado sobre notícias sobre aumento do preço do aço longo pelas siderúrgicas e alta dos preços de construção no geral com a inflação mais alta, o CFO da Even, Carlos Wollenberger afirmou que o custo do aço varia muito, com redução no início do ano e agora perspectiva de aumento.

Ele ressaltou, no entanto, que as previsões sobre variações de preços de custos estão incluídas nos orçamentos de obras já incorporadas, e que a empresa não enxerga perspectiva de revisões. O executivo também destacou que, 3 ou 4 meses após o lançamento, a empresa consegue “travar” em média 80% dos serviços e materiais que serão utilizados na construção. Isso dá uma “segurança boa” de executar o orçamento previsto, mesmo com eventual volatilidade de preços.

Ao ser perguntado como a empresa pretende utilizar seu caixa, o CEO da Even, afirmou que a empresa busca manter, propositalmente, um caixa elevado, por ver um cenário macroeconômico incerto. Ele afirmou, no entanto, que, apesar disso, em 2021 houve recompra de ações e pagamento de dividendos em quase R$ 200 milhões, o que avaliou como adequado. Mas, para uma futura decisão, disse ser necessária maior claridade sobre volume de lançamentos e cenário macroeconômico, ressaltando o processo eleitoral, preferindo manter a companhia “bastante sólida”.

Já  Wollenwerber, CFO da Even, afirmou que a empresa não vê nenhuma possibilidade concreta para grandes fusões e aquisições no setor, levando em conta o histórico dos últimos dez anos.

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