EUA: Aumento de provisões para inadimplentes reduz lucro dos bancos, mas receitas sobem com juros mais altos

JP Morgan, Wells Fargo, Morgan Stanley e Citi divulgaram resultados nesta sexta-feira (14)

Mitchel Diniz

Publicidade

Os grandes bancos dos Estados Unidos deram início, oficialmente, à temporada de balanços corporativos das empresas americanas. Quatro instituições financeiras divulgaram resultados nesta sexta-feira (14) e os números vieram mistos. A maioria, porém, superou as projeções do mercado. De maneira geral, os bancos apresentaram queda nos lucros, mas aumentaram suas receitas. O desempenho reflete o atual cenário da economia americana, de inflação e juros mais altos, além dos temores de uma recessão.

O CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, voltou a falar sobre “ventos contrários” no comunicado que acompanhou os resultados do banco no terceiro trimestre. Em junho, o executivo havia falando que o banco estava se preparando para um “furacão” na economia americana.

“Vale lembrar que nos Estados Unidos, principalmente, o setor financeiro é bem ligado ao ciclo econômico. Então era de se esperar que os sinais de desaceleração econômica aparecessem nos resultados”, afirma Pietra Guerra, analista internacional da XP.

Masterclass

As Ações mais Promissoras da Bolsa

Baixe uma lista de 10 ações de Small Caps que, na opinião dos especialistas, possuem potencial de valorização para os próximos meses e anos, e assista a uma aula gratuita

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Os números divulgados hoje mostraram que o JP Morgan aumentou as provisões para devedores duvidosos em US$ 808 milhões. Dimon afirmou que se a taxa de desemprego subir para 5% ou 6%, o banco teria de provisionar entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões.

O aumento de provisões no terceiro trimestre já impactou os ganhos do banco no período. O lucro líquido do banco recuou 17% na comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro por ação atingiu US$ 3,12 e superou a estimativa de US$ 2,90 feita por analistas ouvidos pela FacSet.

Um destaque positivo foi a receita líquida com juros, que cresceu 34% no mesmo intervalo. Para os analistas, isso mostra que em um cenário de aperto monetário, os bancos americanos estão ganhando mais.

Continua depois da publicidade

“Além da taxa de juros mais altas, que já contribui com o resultado dos bancos, o JP Morgan também teve uma expansão da sua carteira de crédito, o que favoreceu o resultado positivo”, diz Pietra.

Por outro lado, as condições adversas do mercado também puderam ser percebidas no balanço do JP Morgan. A receita de banco de investimento caiu 47%, com uma desaceleração do mercado de capitais.

“A combinação de escala, diversificação e gestão de risco sólida do banco parece um caminho simples para a vantagem competitiva, mas poucas outras empresas foram capazes de executar uma estratégia semelhante”, avalia Diana Stuhlberger, analista da Eleven Financial.

O Morgan Stanley acabou sendo o destaque negativo nessa primeira leva de resultados, justamente por sua maior dependência da área de gestão de recursos e banco de investimentos. “A área de investiment banking das instituições financeiras sofreu bastante, com menos IPOs e emissões de dívidas”, afirma Guilherme Zanin, estrategista da Avenue.

“Maior nível de volatilidade, custo de captação mais alto com aumento dos juros e  um menor apetite ao risco são eventos negativos para operações de bancos de investimento”, complementa a analista da XP.

Na comunicação que acompanhou o balanço, James Gorman, CEO do Morgan Stanley, disse que a performance do banco foi equilibrada e resistente em um ambiente de dificuldades e incertezas.

O lucro do terceiro trimestre caiu 29%, para US$ 2,63 bilhões, ou US$ 1,47 por ação, na comparação com o terceiro trimestre de 2021. A média das projeções do mercado apontava para lucro de US$ 1,49 por papel. As receitas também recuaram, 12%, para US$ 12,99 bilhões. A queda na receita de investment banking foi ainda maior, de 55%.

Wells Fargo e Citi também aumentaram provisões

O aumento nas provisões para créditos com risco de inadimplência também impactou os resultados trimestrais de Wells Fargo e Citi. O primeiro reservou US$ 784 milhões com esse propósito – um ano atrás, o Wells Fargo havia reduzido provisões em US$ 1,4 bilhão. O banco afirma que os empréstimos inadimplentes seguem em níveis historicamente baixos, mas decidiu aumentar provisões diante da perspectiva de desaceleração da economia.

O lucro do Wells Fargo caiu 30% no terceiro trimestre, comparando com um ano antes, para US$ 3,53 bilhões, ou US$ 0,85 por ação. Mas o resultado foi impactado por perdas não recorrentes de US$ 2 bilhões, relativas a processos judiciais e indenizações a clientes. Sem essas despesas, o banco teria reportado lucro de US$ 1,30, superando as estimativas dos analistas.

Em comunicado, Charlie Scharf, CEO do banco, disse que a instituição está bem posicionada e deve continuar se beneficiando de juros mais altos, assim como com uma maior disciplina com gastos administrativos. O banco é que tem maior exposição a hipotecas, segmento que arrefeceu diante de um aumento significativo nas taxas, hoje próximas dos 7%.

O Citi, por sua vez, adicionou US$ 370 milhões às provisões para empréstimos inadimplentes. A medida contribuiu com a queda de 25% no lucro líquido do banco, para US$ 3,48 bilhões no terceiro trimestre, ou US$ 1,63 por ação. A receita com o negócio de banco de investimento despencou 60%, para US$ 631 milhões, o que também impactou a linha final do balanço negativamente.

Contudo, a receita consolidada do banco cresceu 6% na comparação anual, para US$ 18,51 bilhões, superando as expectativas do mercado.

Na avaliação de Zanin, mesmo com números mistos, o saldo da primeira leva de balanços das instituições financeiras americanas foi positivo. “Os bancos estão ganhando com spreads e fazendo a lição de casa, se preparando para um ambiente mais difícil. Caso o pior cenário não se concretize, eles poderão melhorar suas previsões depois. Os bancos tendem a ser mais cautelosos e conservadores mesmo”, conclui o estrategista.

Para a semana que vem, estão previstos os resultados de Bank of America (17) e Goldman Sachs (18).

(com agências internacionais)

Mitchel Diniz

Repórter de Mercados