Ethereum registra queda de uso e ETH perde caráter deflacionário

A atual taxa de inflação positiva indica que o volume de ETH emitido passou a superar a quantidade tirada de circulação

CoinDesk

(Kanchanara/Unsplash)
(Kanchanara/Unsplash)

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A narrativa de que o Ethereum (ETH) é uma criptomoeda deflacionária morreu – pelo menos por enquanto.

Dados do site ultrasound.money, que acompanha o ativo digital, mostram que a emissão líquida de ETH – a taxa de inflação anualizada – aumentou para 0,07%, depois de cair abaixo de zero em meio à volatilidade gerada pelo colapso da exchange FTX, e em que o aumento no uso da rede levou milhões de dólares em criptomoedas para o Ethereum.

Mas, a atual taxa de inflação positiva indica que o volume de ETH emitido passou a superar novamente a quantidade sendo queimada (removida permanentemente). A oferta da criptomoeda no mercado aumentou para uma taxa anual de 0,14% nos últimos sete dias, de acordo com o ultrasound.money.

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Nick Hotz, vice-presidente de pesquisa da empresa de gestão de ativos digitais Arca, atribuiu a virada deflacionária do ETH à falta de atividade na rede, que levou à redução da demanda.

“Imediatamente após (o caso) FTX, havia muita demanda para negociar em exchanges centralizadas e descentralizadas devido à volatilidade”, disse Hotz ao CoinDesk. “Nas semanas seguintes, isso desapareceu e agora há muito pouca demanda para usar exchanges centralizadas ou descentralizadas”.

Investidores de cripto esperavam amplamente que a “Merge” (Fusão, em inglês) – atualização de setembro – tornaria o ETH deflacionário. A mudança, em teoria, eliminou as recompensas de mineração e staking (processo de renda passiva), totalizando cerca de 1.600 ETH por dia – uma queda de 90% em novas emissões.

Mas a taxa de inflação do Ethereum também depende de um mecanismo lançado em agosto do ano passado, que passou a retirar de circulação parte das taxas pagas em ETH a cada transação na rede. O sistema de queima de ETH está essencialmente vinculado ao uso da rede: quanto mais transações na blockchain, mais ETH é queimado.

De acordo com dados do explorador Etherscan, a quantidade de ETH removido atingiu um pico de 5.000 ETH em um dia após a implosão da FTX. Agora, a taxa de queima diminuiu para cerca de 1.200 ETH diariamente.

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Hotz acredita que o mecanismo não cria inflação nem deflação líquidas, mas cria “uma oferta confiável e estável de ETH” e vê “mais adoção do Ethereum por meio de atividades de redes de segunda camada (auxiliares)”.

“É muito parecido com o que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) faz no país: reduz a oferta de dinheiro quando a economia está aquecida e vice-versa”, acrescentou. “Essa é a ideia, especialmente depois da Fusão”.

No momento da publicação deste texto, o ETH era negociado a US$ 1.265, praticamente estável nas últimas 24 horas.

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