Em recuperação

Eternit (ETER3) tem queda no lucro, mas volta a remunerar acionistas e pode sair da recuperação judicial neste 1º semestre

Segundo empresa, a recuperação judicial é atípica, pois conta com caixa líquido; para findar, pendência é julgamento no STJ

Por  Augusto Diniz -

A Eternit (ETER3) entrou em recuperação judicial (RJ) em 2017, fez uma grande reestruturação na empresa e encerra 2021 com registrando o melhor resultado da década: ebtida ajustado de R$ 337 milhões (variação positiva de 175,7% em relação a 2020) e lucro líquido de R$ 269 milhões (resultado 69,7% maior do que 2020).

Luis Augusto Barbosa, CEO da Eternit, em entrevista exclusiva a InfoMoney, disse que o aquecimento do mercado de construção civil, mesmo com a pandemia, favoreceu o resultado positivo da empresa no ano assado. A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) aponta crescimento do setor em 2021, mesmo com o arrefecimento verificado no último trimestre.

O desempenho da Eternit no 4T21 em relação ao 4T20 teve os seguintes resultados: receita líquida de R$ 290 milhões (+26%), lucro bruto de R$ 119 milhões (+16%), margem bruta (+41%), Ebidta ajustado de R$ 76 milhões (+13%) e lucro líquido de R$ 53 milhões (queda de 55,9%).

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A contínua elevação de preços de matérias-primas e demais insumos de produção, restrições na logística internacional e arrefecimento da demanda do setor de material de construção ao longo do período são os motivos apontados do lucro líquido ter apesentado variação negativa.

Pagamento de JCP pela Eternit após 6 anos

Mas com o resultado positivo de 2021, após um período de seis anos, a companhia voltou a realizar pagamento de juros sobre capital próprio aos seus acionistas, tendo distribuído no mês de dezembro R$ 14,9 milhões.

Vitor Mallmann, diretor de Relação com Investidores da Eternit, disse que há uma proposta de complementação a ser apresentada na assembleia dos acionistas em março, no valor bruto de R$ 39 milhões.

“Nossa RJ (recuperação judicial) é muito atípica. Temos caixa líquida de R$ 181 milhões e a dívida bruta é de um financiamento de longo prazo de R$ 37 milhões que financiou a unidade de Manaus”, conta o diretor.

O valor foi contratado em 2014 junto ao Banco da Amazônia (Basa) para implantação da unidade de fibra de polipropileno da Eternit Amazônia.

Segundo Mallmann, para findar a recuperação judicial, a única pendência é um julgamento no STJ de um recurso impetrado de um credor da classe trabalhista.

“Temos R$ 2 milhões relacionados a esse credor. Temos que passar por essa questão para sair da RJ. Há uma expectativa que no primeiro semestre o recurso seja julgado”, afirma ele.

Fim do amianto no Brasil

A reestruturação do negócio na Eternit começou em 2017 e se estendeu até 2019. A mudança envolveu a troca de tecnologia e reforma de portfólio. A reestruturação eliminou o uso da telha de amianto, por proibição no país.

Assim, toda produção mineral de fibra de amianto crisotila é destinada hoje ao mercado externo – a extração é permitida no país, mas não a comercialização. Apenas 20% da receita líquida da empresa hoje vem da produção do amianto.

A empresa passou a usar fibra sintética de polipropileno com produção em uma unidade que construiu em Manaus e que está em expansão. A empresa, nesse tempo, também saiu dos negócios de louças sanitárias e reservatórios de água “que não eram competitivos”, de acordo com o CEO.

Teste com telhas fotovoltaicas

A Eternit acredita no desenvolvimento de telhas fotovoltaicas, que é uma associação de dois tipos de telha de seu portfólio compostas com células fotovoltaicas. A empresa começou com as telhas fotovoltaicas de concreto e após alguns projetos pilotos, passou a vendê-las de forma controlada.

Em dezembro, foi a vez da telha fotovoltaica de fibrocimento ter seu registro homologado pelo Inmetro, iniciando, assim, testes para começar a venda controlada no meio desse ano.

Em novembro passado, foi anunciada pela empresa a implantação de uma nova fábrica de telhas de fibrocimento na região Nordeste do país, em Caucaia (CE), representando um investimento de cerca de R$ 165 milhões, com início de operação prevista para 2023.

A empresa já possui unidades industriais no Rio de Janeiro e Goiás. Em 2021, fez ainda a aquisição da Confibra, em São Paulo, de produção de telhas de fibrocimento.

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