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As companhias elétricas Equatorial (EQTL3), Taesa (TAEE11) e Eneva (ENEV3) divulgaram seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2025 (2T25) na noite desta quarta-feira (14), apresentando desempenhos variados que refletem os diferentes desafios e dinâmicas do segmento.

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O Bradesco BBI avaliou que a Equatorial (EQTL3) apresentou resultados sólidos no 2T25, com destaque para o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 2,903 bilhões, 10% acima da estimativa da casa e 5% acima do consenso de mercado.
Segundo o BBI, o desempenho foi impulsionado principalmente pelas distribuidoras Ceal, Celpa, Cepisa e Cemar, além de menores custos operacionais. A margem de distribuição mais elevada também contribuiu para o resultado, enquanto os segmentos de transmissão, geração renovável e saneamento vieram em linha com as expectativas.
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O lucro líquido ajustado somou R$ 1,074 bilhão, beneficiado pela reversão de uma provisão de R$ 444 milhões ligada à aquisição da CELG, superando com folga a projeção de R$ 355 milhões. A equipe do BBI manteve a recomendação de compra e o preço-alvo de R$ 41,00.
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O BTG Pactual avaliou que a Equatorial (EQTL3) apresentou EBITDA ajustado de R$ 2,90 bilhões, 2% acima da estimativa do banco e 20% superior ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo sólido desempenho em distribuição e pelo crescimento dos ativos da Echoenergia.
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O segmento de distribuição registrou EBITDA ajustado de R$ 2,45 bilhões, alta de 19% na comparação anual, com cinco concessões superando as expectativas. A Echoenergia ficou 11% abaixo da projeção, mas avançou 55% em relação ao 2T24, e a CSA superou previsões devido à melhor cobertura hídrica. A alavancagem recuou para 3,1 vezes Dívida Líquida/EBITDA. O banco manteve recomendação de compra para a companhia, com preço-alvo de R$ 48,00.
O JPMorgan, por sua vez, classificou os resultados como neutros e manteve sua recomendação de overweight para a companhia e preço-alvo de R$ 42. No segmento de distribuição, o desempenho ficou 3% abaixo da projeção, com margens fortes parcialmente compensadas por despesas operacionais ligeiramente superiores ao esperado. Na geração, o resultado ficou 9% abaixo da sua expectativa, explicado pela menor produção impactada por restrições operacionais.
Já a Ativa Research avaliou que a Equatorial voltou a apresentar forte desempenho no 2T25, com volumes faturados levemente crescentes na comparação anual, PMSO/consumidor crescendo abaixo da inflação, melhoria na inadimplência, bom controle de perdas e alavancagem em queda. A companhia apresentou resultados acima das expectativas.
A Ativa manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 35, destacando a capacidade da empresa de se tornar ainda mais eficiente em suas operações e no processo de desalavancagem.
O time da XP comentou que as principais surpresas positivas vieram do segmento de distribuição, com destaque para CELG, Cemar e Celpa, que superaram as estimativas em cerca de 10%, principalmente devido a despesas PMSO menores que o esperado.
Além disso, as perdas de energia permaneceram estáveis, em média, enquanto as taxas de inadimplência melhoraram na comparação anual. Nos demais segmentos (Transmissão, Echo e CSA), os resultados vieram amplamente em linha com as projeções da XP.
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O Itaú BBA avaliou que a Equatorial apresentou desempenho operacional (EBITDA recorrente) acima das estimativas do banco, com crescimento impulsionado principalmente pelo segmento de distribuição, que contou com resultados sólidos, variação positiva da Parcela B e PMSO unitário abaixo da inflação.
O BBA manteve recomendação de compra para Equatorial, com preço-alvo de R$ 50,10.
O UBS BB avalia que a elétrica apresentou mais um conjunto de resultados sólidos, com EBITDA superando em 4% sua estimativa. O lucro líquido ajustado (pós-minoritários) foi de R$ 398 milhões, abaixo da sua estimativa de R$ 507 milhões, principalmente devido a maiores depreciações e amortizações, despesas financeiras líquidas e impostos, que mais do que compensaram o resultado positivo do EBITDA e do resultado de equivalência patrimonial da participação na Sabesp.
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O UBS mante a visão de que a empresa deve continuar a entregar crescimento de lucro, impulsionado pelo resultado da Sabesp (SBSP3), pelo crescimento em Goiás e pela revisão da distribuição no Maranhão.
Eneva (ENEV3)
Em relação à Eneva (ENEV3), o BBI destacou um forte desempenho operacional, com EBITDA de R$ 1,668 bilhão, 10% acima da estimativa interna e 4% acima do consenso de mercado. O trimestre foi favorecido pelo elevado despacho térmico e pelo bom resultado da operação de comercialização de gás.
O BBI também destacou que o EBITDA das usinas termelétricas nas bacias do Parnaíba e Azulão atingiu R$ 440 milhões, acima da projeção de R$ 400 milhões, enquanto a Celse registrou EBITDA de R$ 524 milhões, frente à estimativa de R$ 371 milhões. A comercialização de gás contribuiu positivamente com R$ 130 milhões no período.
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Entre os destaques adicionais, estão a renovação dos incentivos fiscais da Sudene para as usinas Parna II, III, IV e VI até 2034 e a antecipação de contratos do LRCAP para algumas unidades.
O lucro líquido ficou em R$ 365 milhões, abaixo dos R$ 502 milhões previstos pelo BBI. A recomendação de compra foi mantida, com preço-alvo de R$ 16,00.
O JPMorgan avaliou que a Eneva (ENEV3) apresentou resultados do segundo trimestre de 2025 acima das expectativas. O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelos resultados da comercialização de gás (R$ 100 milhões), pela redução de despesas operacionais (R$ 35 milhões) e pelos resultados de comercialização de energia (R$ 27 milhões). A forte geração térmica compensou a menor produção das fontes renováveis. O banco manteve recomendação de overweight para a companhia, destacando que aguardará mais detalhes sobre os R$ 570 milhões de capex registrados na holding e outros segmentos durante a conference call do 2T25.
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O BTG Pactual avaliou que o EBITDA acima das expectativas foi impulsionado pelo hub Celse (R$ 524 milhões), pelas usinas Parnaíba (R$ 326 milhões) e por resultados sólidos em GNL e trading. O lucro líquido antes dos minoritários somou R$ 486 milhões, abaixo do esperado, devido a maior depreciação e alíquota efetiva de 36%.
Após o trimestre, a companhia anunciou antecipação da entrada em operação das térmicas LRCAP, gerando receita adicional de R$ 362 milhões, e a extensão do benefício fiscal do Sudene. O BTG destaca que o mercado deve acompanhar o próximo leilão LRCAP, que pode impactar o preço-alvo, mantendo recomendação de compra para ENEV3 e preço-alvo de R$ 16,60.
A Eneva divulgou EBITDA recorrente ligeiramente acima das projeções do Itaú BBA, refletindo resultados superiores na operação de comercialização de gás, forte crescimento anual e sequencial do EBITDA, em grande parte devido à consolidação das usinas termelétricas recentemente adquiridas do BTG e à sólida contribuição do braço de trading de gás. O banco reiterou recomendação de compra para Eneva, com preço-alvo de R$ 16,50 ao final de 2025.
Taesa (TAEE11)
Por outro lado, a Taesa (TAEE3) apresentou resultados ligeiramente abaixo das expectativas, com EBITDA ajustado de R$ 729 milhões, 7% abaixo do JPMorgan. O desempenho ficou pressionado por receitas regulatórias menores do que o esperado, refletindo o atraso na entrada em operação de um projeto greenfield (linha de transmissão Ananai), e por despesas operacionais 15% acima das estimativas, devido a provisões e custos maiores em subsidiárias. A dívida líquida da companhia aumentou R$ 140 milhões no trimestre, mantendo a alavancagem estável em 4,1x ND/EBITDA. A Taesa anunciou dividendos de R$ 0,87 por ação, equivalente a um dividend yield de 2,6%.
Já a XP Investimentos comentou que dada a previsibilidade do negócio, a Taesa apresentou mais uma vez resultados majoritariamente em linha. A XP destaca que a companhia reportou EBITDA ajustado 5% acima das estimativas, mas cerca de 3% abaixo do consenso de mercado. O desempenho foi parcialmente explicado pela melhora da Parcela Variável (PV) nas receitas líquidas na comparação anual, que passou de -R$ 6,8 milhões no 2T24 para -R$ 0,2 milhão no 1T25.
Apesar da Taesa (TAEE3) ter apresentado um desempenho operacional de alta qualidade no segmento de transmissão de energia, o Morgan Stanley manteve recomendação underweight (equivalente à venda) para a Taesa, com preço-alvo de R$ 30, citando avaliação pouco atrativa, alta alavancagem e riscos nos próximos leilões de transmissão, apesar do bom desempenho operacional.
A Genial Investimentos avaliou que a Taesa reportou resultados em linha com suas estimativas e com o consenso de mercado. A companhia apresentou crescimento de 5,3% no EBITDA regulatório na comparação anual, impulsionado por receitas mais robustas com a entrada de Pitiguari e reforços da Novatrans, parcialmente compensadas por custos mais altos, especialmente devido ao aumento das provisões.
O banco destacou que os principais pontos a serem observados são o monitoramento da alavancagem, que se manteve em 4,1 vezes Dívida Líquida/EBITDA, e o desenvolvimento dos projetos da companhia. Embora a receita tenha avançado com a entrada comercial de um projeto, a Genial classificou o impacto como positivo, mas sem efeito transformacional sobre a performance geral da empresa. O patamar de endividamento foi destacado como um ponto de atenção, diretamente ligado ao desafio de expandir a transmissora para novos ativos.
A Genial manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 16.
O BTG, por sua vez, destacou que a receita líquida foi de R$ 621 milhões, impulsionada por energização de ativos, reforços e reajustes da RAP atrelada ao IPCA, compensando deflação em RAPs atreladas ao IGP-M.
O BTG manteve recomendação de venda e preço-alvo de R$ 35.


