Eletrobras: Guido Mantega no Conselho Fiscal deve assustar o mercado?

Mercado vê tema como já precificado e aponta que os indicados do governo são minoria dentro de um conselho de 10 membros

Lara Rizério

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Após muitas especulações e algumas tentativas, o espaço para Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, no atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi definido. Seu nome, que não é bem visto pelo mercado principalmente pela atuação durante o governo de Dilma Rousseff, já foi especulado para o Conselho da Braskem (BRKM5) e até mesmo para a presidência da Vale (VALE3), mas foi na Eletrobras (ELET3; ELET6) que o seu nome foi oficializado.

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O movimento coincidiu com o acordo feito entre o governo federal e a Eletrobras para que a União abandonasse o litígio sobre teto de votos de 10% movido por ela no Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, o governo pode nomear 3 dos 10 membros do Conselho de Administração e a escolha de 1 de até 5 membros do Conselho Fiscal, mais um membro suplente.

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Com isso, conforme proposta do governo encaminhada para deliberação, podem entrar no conselho os indicados pelo governo Maurício Tolmasquim, Silas Rondeau e Nelson Hubner. Além disso, para o conselho fiscal, entraria Mantega, também indicado pela União.

Rondeau e Huber, vale ressaltar, já foram ministros de Minas e Energia em governos do PT.

Segundo o documento da Eletrobras, Tolmasquim se comprometeu a deixar sua posição de diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras caso seja eleito conselheiro na Eletrobras, já que as empresas seriam concorrentes.

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Compromissos semelhantes foram assumidos por Rondeau e Hubner, hoje ligados à ENBPar, estatal que foi criada após a privatização da Eletrobras para ficar encarregada dos negócios nucleares e de Itaipu Binacional. Eles também deixarão os cargos de conselheiros da ENBPar e de presidente, no caso de Rondeau, se eleitos para o colegiado da Eletrobras.

A assembleia para definição desse nome ocorrerá no dia 29 de abril.

Para os analistas da Genial Investimentos, em alguma medida, o tema já foi precificado e, como se sabe, os indicados são minoria dentro de um conselho de 10 membros.

“No entanto, a escolha dos nomes indicados materializa escolhas bem próximas à atual gestão do governo, o que pode trazer algum desconforto em um primeiro instante”, avalia a Genial, que segue construtiva com o case. As ações caíam entre 1,3% e 1,5% na sessão desta sexta, mas também em um dia de baixa de mais de 1% do Ibovespa.

Entre as suas atribuições, Mantega participará da reunião mensal prevista no estatuto da Eletrobras e opinará sobre o relatório anual da administração, as propostas dos administradores, além de tomar as providências cabíveis para que os interesses da empresa sejam preservados.

Cabe destacar que a Eletrobras também conta como um órgão de vigilância o comitê de auditoria e riscos estatutários. A sua função é olhar de perto o processo de gestão de riscos e “analisar todo material submetido ao conselho de administração acerca da gestão de riscos da companhia, opinando previamente sobre ele”. O conselho fiscal, por sua vez, deve “contribuir sobre o tema de gestão de riscos, fazendo constar de suas atas as informações complementares que julgarem necessárias ou úteis ao processo”.

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Neste cenário, a visão de boa parte do mercado coincide com a da Genial, com os 7 analistas consultados pela Reuters com recomendação de compra ou equivalente para os ativos.

O Bradesco BBI, na noite da véspera, atualizou as suas estimativas após os resultados do 4T, mantendo recomendação equivalente à compra e mantendo os preços-alvo em R$ 53 para ELET3 e R$ 58 para ELET6.

“Mas o mais importante é que discutimos a Eletrobras como uma ação semelhante a uma commodity, impulsionada pela alta volatilidade dos preços de curto prazo, alguma exposição ao risco de preço do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), valor de referência da energia elétrica à vista no Mercado Livre de Energia, e à grande exposição inerente da companhia aos mercados regionais de eletricidade, que pelo menos no médio prazo podem ser relevantes para monitorar”, ponderam os analistas do BBI.

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Desta forma, por enquanto, o acordo com a União tem animado mais do que os “poréns” para isso.

(com Reuters)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.