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Dólar hoje vai ao menor valor desde junho de 2022, com cenário interno, externo e juros no radar

Moeda americana chegou a operar em seu valor mínimo em quase 12 meses durante a sessão

Rodrigo Petry Roberto de Lira Mitchel Diniz

O dólar comercial teve mais uma sessão de desvalorização frente ao real nesta sexta-feira (9), enquanto a Bolsa avançou 1,33%, superando os 117 mil pontos. Dessa forma, na mínima do dia, a moeda americana bateu nos R$ 4,856, menor nível desde 8 de junho de 2022.

Ao final da sessão, o dólar fechou com queda de 0,97%, cotado a R$ 4,879 na compra e na venda. Na semana, a moeda americana acumulou baixa de 1,55%. O dólar futuro, por sua vez, recuou 0,97%, aos R$ 4,904 pontos.

O salto dos ativos locais vem sendo atribuído por analistas a visões mais construtivas em relação ao mercado interno, com desaceleração da inflação medida pelo IPCA e deflação nos IGP’s. No mais, os dados do PIB do primeiro trimestre mostraram uma atividade econômica mais forte.

Além disso, há expectativa cada mais iminente de queda dos juros, o que deve acontecer no segundo semestre, dando fôlego à Bolsa e elevando o valor das ações de empresas focadas, sobretudo, no mercado interno. Juros menores impulsionam o Ibovespa, o que atrai estrangeiro, aumentando a demanda por moeda local.

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No mais, parte da desvalorização desta sexta-feira do dólar frente ao real, no Brasil, vem de um ajuste às posições da véspera, quando os mercados aqui estavam fechados por conta de feriado.

Ontem, sob expectativa de reunião do Fed, que deve pausar alta dos juros e à espera de dados de inflação nos EUA, que saem quarta e terça, respectivamente, o dólar index (DXY) recuou 0,71%.

Hoje, o índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas – subia 0,07%, a 103,390.

Mais um fator para a queda do dólar frente ao real vem da agenda esvaziada, espremida entre o feriado e a sessão de ontem em NY, que foi de ganhos de 0,81% para os recibos de ações de empresas brasileiras (ADR’s).

Dólar hoje: Fatores internos, externos e juros

Para Marcelo Morais, analista de investimento da Ouro Preto, o dólar na casa de R$ 4,85 está relacionado a dois fatores. Em primeiro lugar, diz ele, há o fator externo, após dados mais fracos do que o esperado no mercado de trabalho Americano, nos últimos dias, e uma perspectiva maior de o Fed pular, em junho, um possível alta dos juros.

Em segundo lugar, acrescenta ele, está o cenário macroeconômico doméstico, que vem se consolidando positivamente, com o crescimento econômico surpreendendo positivamente, inflação com trajetória de queda, além de robusta balança comercial positiva.

“Com isso, o real tem performado positivamente contra o dólar”, diz Moraes.

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(Getty Images)

Já Fabricio Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, avalia que, apesar de o dólar ter operado em alta contra os principais pares de moedas no mundo, da cesta do DXY, desde a abertura do mercado futuro, no Brasil, “pudemos observar que as moedas dos países emergentes estavam se apreciando face ao dólar”.

“No ranking dos países emergentes, o real liderou uma alta frente ao dólar, com analistas e investidores projetando um corte iminente na taxa básica de juros do Brasil”, avalia Gonçalvez.

As apostas de corte dos juros estão claramente expressas nas curvas de juros futuros (DIs) de hoje, acrescenta ele. Os DIs com vencimentos em 2029 e 2031, mais atrelados à Bolsa, recuam, respectivamente, 0,64%, à taxa de 10,860%, e 0,54%, para 11,110%.

“Os atuais indicadores econômicos divulgados recentemente também apontam uma melhora econômica e corroboram para uma queda nos juros e, por consequência, uma apreciação no câmbio do país”, conclui Gonçalvez.

Guilherme Morais, da VG Research, acrescenta que vem ocorrendo um movimento geral de valorização das moedas dos países emergentes frente ao dólar.

“O Brasil tem se destacado com um maior interesse de investidores estrangeiros no país, com inflação em queda e possibilidade de redução no juros”, pontua.

Resultados comercias

Gabriel Ribeiro, trader do Braza Bank, destaca que o dólar neste momento reflete uma série de fatores, como inflação enfraquecendo, previsão de início de queda de juros mais iminente, PIB crescendo por conta de um agronegócio forte e os bons resultados recentes no balanço de pagamentos.

“Acho que estamos ganhando clareza no cenário pro segundo semestre e, por aqui, um corte de juros em agosto, ou setembro, ganha corpo. Também podemos notar um certo enfraquecimento no mercado externo, que favorece para o clima mais otimista dos brasileiros, impactando o dólar”, comenta .

Na mesma linha, Roberto Motta, estrategista da Genial Investimentos, escreveu hoje em Morning Call que o real está se favorecendo da boa balança comercial neste ano, com o saldo em conta corrente superfavorável. “Continuo bastante construtivo para o real”, comentou.

Motta também comentou que o a inflação ao produtor (PPI) na China ficou negativa em 4,6% em maio e que as commodities como petróleo e minério de ferro tem refletido isso. “A China vai exportar deflação para o mundo”, comentou.

Preço de equilíbrio

Para Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora de Câmbio, a queda do índice do dólar, lá fora, vem ocorrendo por conta da expectativa de pausa dos juros. Além disso, a China deve estimular a economia com redução de compulsório.

Dessa forma, “muito recurso entra no Brasil”, diz Velloni, o que acaba levando a essa queda do dólar. “Eu vejo que o preço de equilíbrio do dólar pode chegar a R$ 4,85, R$ 4,84, tendo condições macroeconômicas favoráveis, como as que estão, de fato, acontecendo.”

Por fim, Felipe Izac, sócio do Nexgen Capital, acrescenta que do ponto de vista interno a economia começa a melhor, apoiada pelo arcabouço fiscal, com cláusulas que colocam mais rédeas aos governos em relação aos gastos públicos, além da desaceleração da inflação.

“Todos esses fatores fazem com que nossos juros reais se destaquem no cenário externo. Ainda que o BC comece de fato o ciclo de queda da Selic, continuamos enxergando uma taxa de juros real muito mais alta que qualquer outro país hoje no mundo, com mais potencial de entrada de capital estrangeiro”, disse.

“Por isso, a gente tem visto o dólar nesse patamar e é provável, sim, que a gente continue vendo a moeda em patamar mais barato, o real mais valorizado, na casa de R$ 4,80 e R$ 5,10 nos próximos dias e meses”, finalizou.

Rodrigo Petry

Coordenador de Projetos Editoriais. Atuou como editor de mercados e investimentos no InfoMoney, liderando o Ao Vivo da Bolsa e o IM Trader. Antes, foi editor-chefe do portal euqueroinvestir, repórter do Broadcast (Grupo Estado) e revista Capital Aberto. Também foi Gestor de Relações com a Mídia do ex-Grupo Máquina e assessor parlamentar.