Bem na fita

Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3) divulgam prévias positivas e se tornam favoritas do segmento de baixa renda

O principal destaque foi o desempenho das vendas no segundo trimestre, em termos de velocidade e, sobretudo, preço

Por  Mitchel Diniz

Os últimos dados operacionais de Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) foram considerados sólidos pelas casas de análise. O principal destaque foi o desempenho das vendas, em termos de velocidade e, sobretudo, preço. Para os analistas, próximos números devem ser ainda melhores, refletindo elevação no limite de renda familiar no Casa Verde Amarela, o que aumenta a capacidade de financiamento do programa. A sessão é de ganhos para as ações nesta tarde, com destaque para CURY3, com ganhos de cerca de 4%, enquanto DIRR3 tem alta de 1% nesta terça-feira (12).

“Reiteramos nossa visão positiva sobre nomes de baixa renda, apoiados por nossa crença de que o mercado está ignorando esse potencial de alta (as expectativas de ROE permanecem baixas) e nossa preferência por eles em detrimento de construtores de renda média (com risco de queda adicional nas estimativas de ganhos)”, escreveram os analistas do Itaú BBA.

No caso de Cury, a XP destaca um aumento anual de 40,8% nos preços dos lançamentos, levando a um volume de R$ 1,05 bilhão – um crescimento de 53,9% em relação ao segundo trimestre de 2021. No acumulado de 2022, a cifra atingiu R$ 1,84 bilhão, alta de 43,9%.

As vendas líquidas, por sua vez, somaram R$ 897,5 milhões entre abril e junho, enquanto subiram 29,7% no acumulado do ano, para R$ 1,65 bilhão.

“Destacamos o preço médio por unidade mais alto de R$238,4 mil no 2T22 ( alta anual de 14,3%), mas mesmo assim, mantendo uma velocidade de vendas (VSO) robusta de 41,6% no trimestre ante 41,4% no 1T22, refletindo a demanda sólida no segmento de baixa renda, e especialmente para o grupo 3 no programa Casa Verde Amarela”, escreveram os analistas da XP.

Análise: Novas mudanças no Casa Verde e Amarela são positivas para construtoras de baixa renda – e mais está por vir

Outro destaque, foi a geração de caixa operacional da Cury, que saltou de R$ 18 milhões para R$ 80 milhões entre o primeiro e segundo trimestres. A XP reiterou a empresa como top pick, negociando em 5,2 vezes o múltiplo de preço sobre o lucro (P/L) para 2022, o que os analistas veem como atrativo. A casa tem recomendação de compra para a ação e preço-alvo de R$ 13.

Na avaliação da Eleven, o volume de lançamentos “sinaliza perspectiva positiva para a companhia no que diz respeito a continuidade da demanda e assertividade de seus produtos, tendo como foco a atuação nas faixas mais altas do programa Casa Verde e Amarela, projetos fora do programa”.

A casa destaca o aumento do preço médio das unidades, que atingiu R$ 297,7 mil no trimestre, uma alta de 40,8% em relação ao segundo trimestre de 2021 e de 23,5% na comparação com os três primeiros meses deste ano. O desempenho, segundo a Eleven, protege as margens da Cury no curto e médio prazo. A casa tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 11.

Direcional (DIRR3)

A Direcional também registrou recorde de vendas líquidas, que atingiram R$ 836 milhões. “A empresa registrou geração de caixa de R$ 18 milhões no período e anunciou distribuição de dividendos de R$ 0,47 por ação (dividend yield de 4%)”, destaca o Itaú BBA.

A XP chamou atenção para as vendas do segmento de baixa renda, de R$ 600 milhões no trimestre, uma alta de 38,6% na comparação anual. Na visão dos analistas, a demanda sólida também apoiou a velocidade de vendas (VSO) do segmento, que atingiu 20%. A Riva, subsidiária de média renda do grupo alcançou R$ 235 milhões, alta de 32,1%.

Outro destaque da análise da XP, foi a reversão do cenário de queima de caixa da Direcional, com geração de R$ 18 milhões no segundo trimestre. A casa reiterou recomendação de compra para DIRR3, com preço-alvo de R$ 17.

Na avaliação da Eleven, o resultado da Direcional “reforça a nossa visão de que a companhia mantém um bom desempenho de vendas com repasses, sem quaisquer sinais de arrefecimento de demanda, o que torna um ambiente positivo para a companhia e o setor pós prévia operacional.”

Para o Credit Suisse, a Direcional provou, com os números operacionais, que está conseguindo se diferenciar em relação aos seus pares. “Acreditamos que as prévias operacionais da empresa tem reforçado sua posição de melhor operadora de baixa renda”, escreveram os analistas. As vendas da empresa superaram as estimativas do banco suíço, indicando ganho de participação no mercado.

“A Direcional deve capturar bem esse momento positivo, porém o que nos deixa um pouco mais cautelosos é o valuation atual de 1,3 vez o múltiplo de P/BV [Price to Book Value, indicador que relaciona o preço da ação ao valor patrimonial proporcional a ela] e 16% do retorno sobre o patrimônio líquido esperado para 2022″, escreveram os analistas do Credit. Por enquanto, o banco tem recomendação neutra para a empresa, com preço-alvo de R$ 15.

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