Segundo analistas

Novas mudanças no Casa Verde e Amarela são positivas para construtoras de baixa renda – e mais está por vir

Além do alívio para as construtoras com o CVA, beneficiando principalmente a Cury, analistas destacam medidas que estão sendo analisadas pela Câmara

Por  Lara Rizério -

O conselho curador do FGTS aprovou, em reunião extraordinária, algumas das atualizações propostas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) em maio de 2022 para o programa habitacional Casa Verde e Amarela (CVA) o que, na visão de analistas, é uma notícia positiva para construtoras de baixa renda.

Entre os principais destaques, está o aumento do limite de renda familiar para os grupos 2 e 3 do programa CVA. Esta atualização pode beneficiar faixas de renda de R$ 2.600,01 a R$ 8.000,00 com uma redução da taxa de juros de financiamento imobiliário (mínimo de 0,75 ponto percentual menor).  Assim, esta medida deve aumentar a capacidade de financiamento em até R$ 19 mil e reduzir as mensalidades em até 11%

Outro destaque, segundo aponta a XP, é a redução significativa das taxas de juros imobiliárias para beneficiários do programa Pró-Cotista. Para unidades de até R$ 350 mil, a redução da taxa de juros foi de 1 ponto percentual (p.p.) (chegando a 7,66% ao ano), enquanto para unidades acima de R$ 350 mil a redução foi de 0,5 p.p. (chegando a 8,16% ao ano).

“Em nossa visão, todos os papéis devem ser beneficiados dado o maior poder de compra que pode ser alcançado dentro do programa”, aponta o analista Ygor Altero, head de cobertura do setor de construção civil da XP Investimentos. O analista reiterou a preferência por empresas expostas ao topo do programa CVA, caso de Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3), esta última por meio da Riva.

Para Altero, haverá um custo um pouco maior para o FGTS, mas a capacidade de financiamento continua robusta. “Atualmente, o FGTS tem menos de 46% do orçamento habitacional contratado em 2022, o que foi ajudado pela diminuição do número de unidades contratadas. Isto, em nossa visão, é uma consequência do cenário desafiador para operar com rentabilidade em um momento de pressão nos custos de materiais”, avalia.

Desta forma, vê as medidas aprovadas como uma continuação das atualizações feitas em março de 2022. Assim, as atualizações devem ajudar a acelerar o programa CVA, uma vez que um número maior de beneficiários passará a ter acesso a menores taxas de juros de imobiliários.

Na avaliação do Credit Suisse, a notícia é positiva para a Direcional e também para a MRV (MRVE3).

“Vale ressaltar que ajustes no programa já eram esperados, mas acabaram superando as nossas expectativas e do mercado”, apontam os analistas.

Em relação aos impactos para as contrutoras de baixa-renda, a visão é de que a ampliação das faixas dá aos compradores acesso a melhores condições de financiamento, aumentando seu poder de compra em ate 6%.

“Acreditamos que as empresas vão aproveitar para aumentar seus preços, equilibrando com uma velocidade de vendas saudável, o que pode somar até 600 pontos-base nas margens brutas, um alívio relevante para um segmento que teve suas margens altamente pressionadas pelo aumento da inflação”, destaca o Credit.

O Itaú BBA ainda espera que a redução da taxa de juros desbloqueie a demanda para todos os players, mas que beneficie principalmente empresas com um foco maior na faixa um pouco acima dos limites mais altos do programa, como a Cury.

A MRV continua sendo a principal escolha do BBA no setor imobiliário.

O Bradesco BBI ainda avalia que o CVA tem um papel fundamental a desempenhar no Brasil e vem sofrendo uma redução considerável devido ao ambiente de alto custo, passando de um total de 56% dos lançamentos no Brasil no primeiro trimestre de 2021 (1T21) para 42% no segundo trimestre de 2022 (2T22).

“Também vemos as novas medidas aumentando o poder de precificação das construtoras de 10 a 15% no médio e no longo prazo, o que deve aumentar o número de projetos viáveis ​​para o setor como um todo”, aponta o BBI.

Assim, para analistas, este é um alívio significativo para um segmento que viu suas margens altamente pressionadas pelo aumento inflacionário, e provavelmente ainda há mais por vir, conforme também destacaram Credit e BBA.

Cabe ressaltar que a Câmara também está discutindo a extensão do prazo do empréstimo dos atuais 30 anos para 35 anos, o que o BBA acredita que poderia reduzir a parcela em 5%, além do uso do FGTS dos trabalhadores em prestações de financiamento. O BBA espera a aprovação pelos parlamentares dentro de duas semanas.

Na véspera, CURY3 fechou com salto de 6,78%, MRVE3 subiu 6,42% e DIRR3 subiu 4,43%.

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