Sem gás

Davos: Crise energética poderá levar a racionamento no inverno europeu e até recessão, dizem líderes

Líderes alertam para a necessidade de estratégias de consumo mais eficientes com o fornecimento de gás da Rússia comprometido

Por  Mitchel Diniz -

A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), deu um alerta às autoridades europeias de que será preciso elaborar planos de contingência para o próximo inverno. “Temo não ser possível excluir o risco de racionamento de gás”, afirmou Fatih Birol, diretor da IEA, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que começou esta semana.

Antes da invasão à Ucrânia, a Rússia era responsável por fornecer 40% do gás que abastece a União Europeia e 55% do suprimento da Alemanha e agora, nas palavras de Birol, o continente paga o preço de sua grande dependência da energia Rússia.

De acordo com projeções do banco alemão Bundesbank, um embargo às importações russas de gás custaria 165 bilhões de euros somente à Alemanha e jogaria o país em uma recessão, ainda que em menor escala do que a vivida no primeiro ano de pandemia. No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha avançou a 0,2% em relação aos três últimos meses do ano passado. O crescimento, ainda que pequeno, impediu que o país já entrasse em uma recessão técnica.

“No cenário de crise severa, o PIB real no ano atual cairia quase 2% em relação a 2021”, diz a análise do banco. Autoridades alemãs têm dito que um embargo ao gás russo poderia forçar o fechamento de algumas indústrias.

Mesmo diante dessa situação, Fatih Birol também fez um apelo para que os países não utilizem a invasão Rússia à Ucrânia como premissa para aumentar investimentos em combustíveis fósseis. O diretor da IEA defendeu estratégias de eficiência, como impedir vazamentos de metano e reduzir os termostatos “em alguns poucos graus” no próximo inverno.

As emissões de gases do efeito estufa cresceram 8% no quarto trimestre de 2021, totalizado 1,041 milhão de toneladas de gás carbônico (CO2) equivalente. O número supera os volumes emitidos antes do início da pandemia.

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Em um dos painéis de discussão, sobre perspectivas globais, a CEO do Citigroup, Jane Fraser, disse estar convencida de que a Europa caminha para uma recessão. Segundo ela, a crise energética deixa o continente vulnerável a uma desaceleração econômica, ainda que outras partes do mundo ainda estejam dando sinais de resistência.

“A Europa está o meio de uma tempestade nas cadeias produtivas, de uma crise energética e, claro, próxima das atrocidades que estão acontecendo na Ucrânia”, disse ela, respondendo a perguntas de jornalistas. No ano passado, Jane havia previsto que os mercados entrariam em liquidação, o que se estendeu ao longo do começo de 2022.

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O Banco Central Europeu, que vinha resistindo em adotar uma política de aperto monetário, tem deixado cada vez mais claro que deve subir os juros e isso deve acontecer já a partir do próximo mês de julho. O mercado aposta em quatro ajustes até o final do ano.

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