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A escalada da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, começou a provocar uma mudança paulatina nas prioridades políticas do PL. Nos bastidores da Câmara e do Senado, parlamentares e dirigentes da legenda passaram a demonstrar preocupação crescente não apenas com os efeitos do caso sobre a candidatura presidencial do senador, mas principalmente com o impacto que o desgaste pode provocar sobre a força institucional do partido nas eleições deste ano.
Segundo relatos feitos ao GLOBO, integrantes da cúpula do PL já admitem reservadamente que a principal prioridade da legenda neste momento passou a ser preservar palanques estaduais competitivos e garantir a eleição de grandes bancadas na Câmara e no Senado. O sonho dos dirigentes é alcançar a marca de 30 senadores e 120 deputados.
A avaliação interna é que o partido precisa evitar que a crise envolvendo Flávio acabe contaminando candidaturas proporcionais e alianças regionais consideradas estratégicas para a manutenção da hegemonia do PL dentro da direita.

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Interlocutores da legenda afirmam reservadamente que a preocupação se intensificou à medida que aliados estaduais passaram a recalcular o custo eleitoral de vincular suas campanhas locais à candidatura presidencial de Flávio. O temor é que o desgaste nacional provocado pelo caso Master comprometa justamente um dos principais ativos políticos do partido, que é sua capacidade de eleger grandes bancadas no Congresso.
Atualmente, o PL tem a maior bancada na Câmara e no Senado, com 97 deputados e 16 senadores. O tamanho das bancadas no Congresso é considerado central para a distribuição de recursos do fundo eleitoral, tempo de propaganda e manutenção da força institucional das legendas no cenário nacional.
Nos bastidores, parlamentares do PL admitem que preservar a musculatura parlamentar passou a ser tratado como prioridade estratégica diante das incertezas envolvendo o cenário presidencial.
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A mudança de clima ocorre num momento em que aliados de Flávio já passaram a admitir reservadamente a possibilidade de rever apoio à candidatura presidencial do senador caso surjam novas revelações envolvendo sua relação com Vorcaro.
Embora integrantes do partido sigam defendendo publicamente que Flávio permanece como candidato ao Planalto, o ambiente interno se tornou marcado por cautela, desconfiança e preocupação com novos desdobramentos da crise.
Interlocutores relatam que o humor nas bancadas mudou nas últimas semanas. Parlamentares passaram a demonstrar preocupação com o risco de que o desgaste nacional da crise acabe contaminando disputas locais e proporcionais em estados considerados estratégicos para o bolsonarismo.
Nos bastidores, integrantes do Centrão e do próprio PL também passaram a tratar com mais prudência as negociações para formação de palanques estaduais. A avaliação é que ainda há tempo até as convenções partidárias de agosto e que o cenário presidencial pode sofrer mudanças importantes até lá.
A preocupação aumentou após o avanço das revelações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a campanha presidencial de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde que o Intercept Brasil divulgou áudios, mensagens e documentos envolvendo negociações entre Flávio e Vorcaro, aliados passaram a demonstrar preocupação crescente com o potencial de contaminação política do caso.
Parlamentares afirmam que o problema deixou de ser apenas o conteúdo das revelações e passou a envolver também a percepção de que Flávio mudou versões sobre o alcance de sua relação com o banqueiro ao longo da crise. Esse cenário ampliou o movimento de partidos e lideranças estaduais tentando “descolar” suas campanhas regionais da disputa presidencial.
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O efeito já vinha sendo percebido em estados como Santa Catarina, Ceará, Bahia e Minas Gerais, onde aliados passaram a defender campanhas mais independentes da eleição nacional.
Reservadamente, integrantes do partido afirmam que a prioridade agora é impedir que a crise na pré-campanha presidencial comprometa a engenharia nacional de alianças construída pelo bolsonarismo para a próxima eleição.
Mesmo diante desse cenário, interlocutores da legenda afirmam que o partido ainda não trabalha formalmente com substituição de candidatura presidencial. A avaliação predominante é que, apesar do desgaste, nenhum outro nome da direita reúne hoje o mesmo capital político, o sobrenome Bolsonaro e o apoio da militância conservadora que Flávio ainda mantém.
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