Criptos hoje

Bitcoin tem segunda queda forte em uma semana e perde os US$ 30 mil; BNB cede 9% com Binance na mira dos EUA

Analistas previam semana de recuperação para o Bitcoin, mas foram pegos de surpresa com novo sell-off

Por  Paulo Alves, CoinDesk -

O Bitcoin BTC voltou a frustrar investidores que esperavam por uma recuperação mais forte após a criptomoeda recuperar o patamar de US$ 31 mil na segunda-feira (6). Por volta das 21h15 de ontem, a moeda digital iniciou uma queda aguda (a segunda em uma semana) que levou o preço para a casa dos US$ 29.300 ainda de terminar o dia – um recuo de mais de 6% em duas horas. Às 7h05 de hoje, o BTC opera a US$ 29.590, em queda de que se mantém em 6% nas últimas 24 horas.

Entre as altcoins com maior valor de mercado, o pior resultado do dia é da Solana (SOL), que ainda lida com sua mais recente crise de credibilidade após sofrer nova pane na semana passada e cai 12% hoje. Na sequência, aparece a Binance Coin (BNB), que cede quase 9% em meio à notícia de que a exchange estaria sob investigação de autoridades dos Estados Unidos pela suposta venda irregular do ativo digital em 2017 (mais detalhes abaixo).

Até onde as criptomoedas vão chegar? Qual a melhor forma de comprá-las? Nós preparamos uma aula gratuita com o passo a passo. Clique aqui para assistir e receber a newsletter de criptoativos do InfoMoney

O Bitcoin mais uma vez mostrou correlação positiva com as ações, acompanhando futuros da Nasdaq, que registraram queda de 0,95% na noite de ontem. O movimento frustrou investidores que tentaram surfar em uma aparente retomada do Bitcoin, que acabou somando mais um dia na sequência de movimentos laterais, entre os US$ 29 mil e US$ 32 mil, que já dura quase um mês.

Ainda ontem, Joe DiPasquale, CEO da gestora de fundos de criptomoedas BitBull, havia alertado que seria necessário ver um rompimento convincente dos US$ 31-32 mil para adotar um tom mais otimista. “O BTC permanece fraco até violar conclusivamente a faixa de US$ 31 mil a US$ 32 mil”, disse ao CoinDesk. “No entanto, continuamos a ver algumas compras abaixo de US$ 30 mil que estão mantendo o preço”.

A nova queda pegou alguns analistas de surpresa. Greg King, por exemplo, CEO e fundador da gestora de ativos de criptomoedas Osprey Funds, afirmou ontem que “podemos estar chegando ao fundo aqui com o Bitcoin”, quando o preço ainda rondava os US$ 31 mil.

Para ele, investidores institucionais fazem a diferença para o Bitcoin no ciclo atual, o que faria com que o preço não caísse tanto quanto em 2013 e 2018, quando a criptomoeda desvalorizou mais de 80% após um período prolongado de alta. Atualmente, o Bitcoin acumula perdas de cerca de 60% desde que atingiu a máxima histórica de US$ 69 mil em novembro do ano passado. “Os compradores institucionais estão comprando essa queda”, apontou.

Traders de derivativos que apostaram na alta do Bitcoin também foram contrariados, e perderam US$ 218 milhões em posições liquidadas em bolsas de derivativos entre ontem e hoje, segundo dados da Coinglass.

Agentes de mercado seguem atentos a uma reunião do Banco Central Europeu no final desta semana, na qual autoridades lideradas pela presidente Christine Lagarde devem anunciar o fim das compras de títulos e sinalizar a aumentos na taxa de juros, provavelmente a partir de julho, como parte das providências para conter o aumento da inflação.

Já na sexta-feira (10), investidores ficam de olho na divulgação do Índice de Preços ao Consumidor dos EUA. Segundo o FactSet, economistas estimam que o dado de inflação de maio foi provavelmente de 8,2% superior ao de 12 meses atrás, representando uma queda em relação ao ritmo de altas de abril (8,3%) e março (8,5%).

Em participação ontem durante o Cripto+, o especialista em análise gráfica Vinícius Terranova afirmou que os fatores macroeconômicos ainda dominam o sentimento do investidor e devem dar o tom do preço do Bitcoin por algum tempo. Dessa forma, a depender de como o mercado reage às notícias sobre inflação e aumento dos juros, ainda estaria aberta a possibilidade de o Bitcoin recuar para menos de US$ 24.500, a mínima registrada no mês passado.

  • Assista: Você sabe o que é tokenização? Entenda a tecnologia por trás das criptoações

Confira o desempenho das principais criptomoedas às 7h05:

CriptomoedaPreçoVariação nas últimas 24 horas
Bitcoin (BTC)US$ 29.590,87-6%
Ethereum (ETH)US$ 1.764,94-7,6%
Binance Coin (BNB)US$ 283,83-8,7%
Cardano (ADA)US$ 0,586507-8,1%
XRP (XRP)US$ 0UUSUS$ 0,390777-4,4%

As criptomoedas com as maiores altas nas últimas 24 horas:

CriptomoedaPreçoVariação nas últimas 24 horas
Gala (GALA)US$ 0,082598+3,8%
Leo Token (LEO)US$ 5,20+3,1%

As criptomoedas com as maiores quedas nas últimas 24 horas:

CriptomoedaPreçoVariação nas últimas 24 horas
Terra (LUNC)US$ 0,00007238-14,7%
Avalanche (AVAX)US$ 23,83-13,2%
Internet Computer (ICP)US$ 6,93-12,5%
Axie Infinity (AXS)US$ 19,69-12,3%
Neo (NEO)US$ 11,48-12,1%

Confira como fecharam os ETFs de criptomoedas no último pregão:

ETFPreçoVariação
Hashdex NCI (HASH11)R$ 25,59+7,07%
Hashdex BTCN (BITH11)R$ 35,54+6,24%
Hashdex Ethereum (ETHE11)R$ 26,05+5,16%
Hashdex DeFi (DEFI11)R$ 22,16+9,16%
Hashdex Smart Contract Plataform FI (WEB311)R$ 22,20+5,76%
QR Bitcoin (QBTC11)R$ 9,49+6,62%
QR Ether (QETH11)R$ 6,55+6,5%
QR DeFi (QDFI11)R$ 3,97+2,31%

Veja as principais notícias do mercado cripto desta terça-feira (7):

Binance estaria sob a mira da SEC por venda irregular da BNB

A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) está se debruçando sobre a oferta inicial (ICO) do token Binance Coin (BNB) realizada em 2017 para entender se a ação configurou ou não uma oferta irregular de valor mobiliário, informou a Bloomberg ontem citando fontes confidenciais.

Sem comentar os detalhes da investigação, um porta-voz da Binance disse ao CoinDesk por e-mail: “Como a indústria cresceu em ritmo acelerado, temos trabalhado muito diligentemente para educar e ajudar as autoridades e reguladores nos EUA e internacionalmente, ao mesmo tempo em que aderimos às novas diretrizes. Continuaremos a atender a todos os requisitos estabelecidos pelos reguladores.”

A Binance também está atualmente sob investigação nos EUA pelo Departamento de Justiça, pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC) e pelo Internal Revenue Service, órgão equivalente à Receita Federal. A Binance é a maior exchange de criptomoedas do mundo e diz que não está domiciliada em nenhum país.

Segundo a reportagem da Bloomberg, a SEC também está investigando empresas formadoras de mercado pertencentes total ou parcialmente pelo CEO da Binance, Changpeng Zhao, que fazem negócios com a Binance.US, afiliada da bolsa global que sede nos EUA.

De acordo com o site, um dos focos da SEC é investigar se a Binance.US é totalmente independente da bolsa global e se os funcionários podem estar envolvidos em negociações na plataforma se valendo de informações privilegiadas.

Fundos de Bitcoin aumentam captação às custas de altcoins

Os fundos Bitcoin registraram a segunda semana consecutiva de saldo positivo em aportes, com desempenho superior ao de outros fundos de ativos digitais

Segundo relatório do provedor de fundos de ativos digitais CoinShares, os fundos de investimento em BTC captaram US$ 125,9 milhões em aportes líquidos na semana até 3 de junho, elevando o total desde o início do ano para US$ 506 milhões.

No entanto, os fundos de criptomoedas registraram alta de apenas US$ 100 milhões em entradas, o que significa que o novo dinheiro alocado aos fundos de Bitcoin compensou as perdas de fundos de altcoins.

O desempenho superior do Bitcoin é um sinal de que “os investidores estão migrando para a relativa segurança do BTC”, afirmou James Butterfill, chefe de pesquisa da CoinShares.

MP do Distrito Federal terá unidade especial de criptos

O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) cria hoje em evento oficial a Unidade Especial de Criptoativos, a primeira do Ministério Público com foco em ativos digitais.

De acordo com o MPDF, caberá à nova unidade “elaborar treinamentos e manuais para os integrantes do Ministério Público, Poder Judiciário e polícias, promover ações informativas que orientem a população do DF e do restante do País sobre o uso seguro dos criptoativos, e prestar suporte a promotores de Justiça do MPDFT em demandas envolvendo criptoativos”.

O MPDF tem um grupo de trabalho ativo desde setembro do ano passado, composto por procuradores e promotores de Justiça e diversos especialistas, com o objetivo de estudar os criptoativos, seus impactos jurídicos e para seguir de perto a eventual criação do real digital por parte do Banco Central.

Até onde as criptomoedas vão chegar? Qual a melhor forma de comprá-las? Nós preparamos uma aula gratuita com o passo a passo. Clique aqui para assistir e receber a newsletter de criptoativos do InfoMoney

Compartilhe