Aperto monetário

Criptomoedas DeFi disparam com dose de otimismo no cenário macro

Especialistas, contudo, alertam que o bom desempenho pode ser passageiro, dada a fraqueza nos fundamentos

Por  CoinDesk -

O mercado de criptomoedas operava em alta no início da manhã desta sexta-feira (15) ajudado, em parte, pelos traders que reduziram as expectativas de um aumento de um ponto percentual nas taxas de juros do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.

Lideravam o grupo as principais criptos de finanças descentralizadas (DeFi), com um crescimento percentual de dois dígitos em 24 horas, superando as líderes de mercado Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH).

Até onde as criptomoedas vão chegar? Qual a melhor forma de comprá-las? Nós preparamos uma aula gratuita com o passo a passo. Clique aqui para assistir e receber a newsletter de criptoativos do InfoMoney

A cripto da plataforma de empréstimo Aave (AAVE), por exemplo, subia 15%, a US$ 91. Na semana passada, a Aave propôs uma stablecoin atrelada ao dólar (a GHO) para gerar rendimento descentralizado de forma a expandir os serviços oferecidos aos investidores.

Já o token da exchange descentralizada Uniswap (UNI) era negociado a US$ 7 – um ganho de 13%.

Desempenho de DeFi

Por conta dos fundamentos ainda fracos, especialistas não têm certeza de que o rali das principais DeFi será duradouro.

“Claro, vemos algum rali nas moedas DeFi por enquanto, mas fundamentalmente nada mudou. O valor total bloqueado foi destruído”, disse a empresa de serviços financeiros cripto Amber Group, observando a ausência de grandes compras.

“Vimos algumas empresas comprando blue chips DeFi, mas não são grandes quantias”, disse a mesa de operações do Amber ao CoinDesk.

O valor total bloqueado (TVL, na sigla em inglês) em DeFi – importante métrica para avaliar o tamanho de um protocolo – caiu de US$ 95 bilhões para US$ 38 bilhões este ano.

Outros indicadores, como o volume de BTC bloqueado em DeFi e o número de endereços com empréstimos ativos em protocolos DeFi, também apontam para uma desaceleração contínua da atividade.

“O volume de Wrapped Bitcoin (WBTC) [um derivativo de Bitcoin] nos protocolos é um indicador claro do bom momento para DeFi em relação aos investimentos mais tradicionais de criptomoedas”, escreveu Jesus Rodriguez, CEO da empresa de análise IntoTheBlock, em um artigo publicado na terça-feira (12).

O WBTC é um token que rastreia o preço do Bitcoin (BTC) e que roda na blockchain Ethereum (ETH).

“Recentemente, esse indicador caiu para uma baixa quase histórica, sinalizando uma desaceleração na atividade DeFi entre os detentores de Bitcoin.”

A porcentagem da oferta circulante do Bitcoin tokenizado no Ethereum e bloqueada no DeFi caiu para uma mínima recorde de 50,6% em 8 de julho e foi vista pela última vez em 50,8%, segundo dados do IntoTheBlock.

Rodriguez citou ainda a queda no número de endereços com empréstimos ativos para uma mínima de 12 meses como outro indicador do “inverno DeFi”, juntamente com uma queda no número de empréstimos acima de US$ 100 mil e de custos de transação no Ethereum.

Resiliência do mercado

Analistas, contudo, têm buscado uma explicação para a demonstração de força do mercado de criptomoedas desde a divulgação dos dados do CPI na quarta (13).

A Amber disse que os mercados de ativos tradicionais e o de criptomoedas estavam vendidos antes dos dados do CPI. O Bitcoin, por exemplo, caiu de US$ 21.600 para US$ 19.200 três dias antes da divulgação dos dados.

No mercado tradicional, o índice Nasdaq, focado em tecnologia, caiu mais de 250 pontos-base no início desta semana por temores de que uma inflação elevada obrigaria o Fed a reduzir a liquidez em um ritmo mais rápido.

“O que está ajudando agora é provavelmente a ausência de novas liquidações massivas”, disse a mesa de operações da Amber. “O mercado de criptomoedas vem sendo atingido desde o último CPI [divulgado em 13 de junho] até agora e teve um desempenho muito inferior ao dos mercados tradicionais durante esse período”.

Por mais que diversos indicadores sugiram que o mercado cripto já alcançou o fundo, a probabilidade de vermos uma rápida recuperação nos ativos parece baixa, devido à piora das perspectivas para o crescimento econômico global, à inflação persistentemente alta e ao aperto monetário contínuo do Fed.

Até onde as criptomoedas vão chegar? Qual a melhor forma de comprá-las? Nós preparamos uma aula gratuita com o passo a passo. Clique aqui para assistir e receber a newsletter de criptoativos do InfoMoney

Compartilhe